quinta-feira, 9 de abril de 2015


 



 
Histórias da Pizzânia 
ou a Grande Festa dos Ratos.

                                                 
Será que nós todos pensávamos que todos os escândalos em sequência, os que deram em pizza e o que ainda vão dar, os que não foram divulgados ou punidos e nunca serão, ao final, numa evolução histórica de governos feitos da farinha do mesmo saco, não trariam consequências, traduzidas em dinheiro, com visível prejuízo ao Tesouro e ao serviço público de saúde, transporte, educação etc?
Ora, a bola estava crescendo de há muito com está tendência de sempre transformar ou oficializar o interesse particular em interesse público. A crise econômica externa pode ter até tido sua parte, mas o centro do problema está no caráter, na personalidade, portanto, no individual dos que se alimentam dos tantos negócios públicos e do promissor balcão de negócios que esquemas muito bem feitos sustentam para garantir verbas para as eleições. Ou será que são esquemas de grupos de indivíduos isolados, extraordinariamente megalomaníacos, que desejam de modo desenfreado sentir-se importante, enriquecer para acumular fortunas que superam em milhares de vezes qualquer ambição particular de casa-veículo- aposentadoria?  Mera vaidade, ganância, desejo de Poder, esforço de sobrevivência e desejo de se garantir, o hedonismo cultuado pelo ocidente refletido na super valorização do bem–estar, do bem-viver e conforto pessoal?  De certo modo esta atividade apátrida, encheu as ruas de carros importados, de apartamentos de luxo, de lojas, restaurantes e barzinhos para lavar dinheiro, empresas de franquias onde não há movimento suficiente para justificar o rico aparato montado.  Um tipo de progresso, mas de origem e destino temerários.  Qualquer ser de inteligência mediana pergunta a si mesmo, para que tanto dinheiro; será que a posse de milhões de dólares na Suíça ou Mônaco ou sabe se lá onde em contas particulares,  seriam de proveito só destas figuras agora escrachadas?   
Seja qual seja a resposta faltou amor ao Próximo, honestidade, seriedade, amor à Pátria, seus trabalhadores e pagadores de imposto. Imperou a cultura do “ agora eu vou me fazer”. Imperou a bandalheira, a má-fé, o abuso do poder, o teatro montado para quebrar a meritologia, etc.  Mandou a turma da banda podre, dos piratas, dos ratos, do Capitão gancho.
E os ratos tiveram seu dia de posse, em que certamente se sentiram glorificados e isentados de seu passado. Muitos já eram ou passaram a ser objeto de posse de um sistema corrupto e corruptor. De modo que no dia glorioso da posse dos ratos, qualquer cidadão honesto e pagador de impostos, diante de tanta pompa e circunstância, sentiu-se inferiorizado,  humilhado e diante de tantas celebridades escolhidos a dedo pelos deuses do momento, todos mostrando ser tão justos, virtuosos, pertencentes à nata e de competência insondável. O cidadão comum e humilde, certamente frente a este coquetel de almas tão elevadas e puras foi  invadido pela sensação de não ser “ninguém”, ser meramente um cidadão inexpressivo na Pátria. 
Já o empossado, eleito ou não, julga-se o “escolhido”, o centro do universo, portador de um cheque em branco, mas logo terá que operacionalizar coisas do sistema, se desejar continuar. É o jogo a ser jogado. A euforia inicial dá  então lugar à agonia ou à perda do senso de realidade, mas a  impunidade é prometida pelo esquema, face o poder e as garantias ofertadas. O empossado, se honesto inicialmente, torna-se cego, pensa-se tão protegido por quem serve. Que pedidos terá que atender? O que serão obrigados a fazer no mundo de favores, vender a alma, ir contra suas próprias convicções? Que mudanças terá que aguentar? Quanto teatro terá que montar? Quantos técnicos e pessoal interno terá que afastar e maltratar, quantos outros serão usados e serão servis a seus planos de intenção pré-determinada? Tudo pelo todo, pela a causa maior, pelo  “interesse público” do momento. Mas se eufóricos e crédulos empossados sofrem a perda da virgindade, a corrupção da alma e da dignidade num servilismo cego e talvez ameaçador. O caso é que poucos desistem, muitos aguentam a prostituição da personalidade.  Muitos não hesitam em criar seus pequenos reinados com servos, bajuladores e adoradores para quem são verdadeiros “reizinhos”. Sabem que estão sendo usados, mas esquecem disso pela enganosa sensação de poder, salário,comando. O Poder seduz. Todavia, o esquema os descartará impiedosamente se errarem em algo, e não haverá cerimônia de saída. Desaparecerá toda a pompa inicial e o Ser, uma vez tão iluminado, sairá sem graça alguma, rejeitado pelos chefes do esquema que pelo corporativismo silenciarão.  Assim, usado e triturado, o pobre Ser nem será  lembrado, mas o esquema continuará. Quando e se for descoberto, o bagrinho será o exposto, isolado, abandonado, mas será verdadeira estrela, embora cadente, na CPI, no Gaeco, na imprensa e na TV.  E parte da população já desencantada e temerosa quanto ao amanhã, levando duchas diárias de negativismo e más notícias que invadem seu lar, ainda olha boquiaberta as notícias sobre escândalos de proporção jamais revelada, algo gigantesco que revela as entranhas do Poder e do mundo político. Assiste  à hipocrisia, a cretinice, a dissimulação, o teatro e a mentira da escusa e ainda o Legislativo querer passar que seus membros são isentos e que a corrupção está só no Executivo. Guerra de palavras entre os Poderes da República e o balanço das Instituições. Por vezes o país do bizarro e do incompreensível, do ilógico e do absurdo.
É de se imaginar como os ratos, momentaneamente elevados a posições de mando, se sentiram ao saber que iriam ser pegos. Será que sentiam algo, será que imaginavam-se mesmo inatingíveis e protegidos pelo manto sagrado do Poder de seus protetores? Onde e quando ganharam confiança e passaram a aprender tais esquemas complexos de desvio, fraude, lavagem e repasse? Onde começou o aprendizado de seus idealizadores? Como foram aperfeiçoando tal tecnologia, quem os assessorou, quem os mandou? Será que nunca pensaram em coisas comuns como honra, dignidade do nome de família, honestidade, etc que amedrontam qualquer homem  justo como  cidadão comum? Será que nunca pensaram em sua família, mãe, pai, filhos, netos? Quem os cooptou para  o papel de operador? Qual a promessa feita que tenha valido pelo risco de cair em desgraça histórica. Ou será que pensavam tornar-se heróis de uma aventura maior contra o “establisment” que tinham como inimigo do povo. O que será que passou e passa na cabeça desses infames? Infames municipais, estaduais e federais com sua constelação de auxiliares e puxa-sacos para operacionalizar a quebra do orgulho nacional, já tão abalado pela síndrome do vira-lata. Nosso temor é que não se intimidem que tudo vire pizza jurídica num processo sem fim e num país onde os infames se acuados e perturbados em seu reinado  perguntam “ que país é esse? “ E como não acreditar que não se intimidarão,pois enquanto este mega-esquema passava desapercebido e navegando em mar de almirante, o país era distraído com o escândalo do mensalão, agora diminuído em centenas de vezes, face à brutalidade do escândalo mais recente. No mesmo tempo nos distraiam como pré-sal, como desastre do império do Batista, os preparativos para a Copa do Mundo, os 7 a 1 da Alemanha, além de episódios de operações menores da corrupção local de cada município e estado.  Ninguém imaginava que este pano de fundo fosse mais roto e encardido do que o cenário visível.  Uma bandalheira inominável, um ato terrorista sem igual que só não amedronta quem não tem coração pelo Brasil e ainda tenta proteger tais pessoas. Como não acreditar que tudo neste país não é um “golpe”, um “grupo” como se dizia? Na iniciativa privada ou na iniciativa pública nada dá certo , nada tem continuidade.  Onde há espaço para o investidor particular ou oficial como as fundações de previdência aplicar suas reservas e contribuir para o progresso do país? O mercado está humanamente podre, “suas ideias não correspondem aos fatos e suas piscinas estão cheias de ratos”, como dizia Cazuza, o qual na época não conheceu o mosquito da dengue.        
Enquanto possíveis novatos se adaptam, velhos ratos já sabem o que fazer e possuem prática de como engolir sapos. Velhos ou novos todos sabem ou aprendem a saber que as regras do jogo estão expostas. É cultura nacional do mundo político, que hoje esqueceu o povo e vive num todo que se gera e se basta com regras e normas próprias de sobrevivência e existência. Um funesto, mas eficaz, sistema de barganhas e achaques garante uma mútua amarração e comprometimento de todos de modo que corvo não comerá corvo e todos terão que proteger uns aos outros. É o sistema da Pizzânia, onde tudo tende a virar pizza para o bem geral nos Municípios, Estados e União.  É uma cultura imposta para garantir a manutenção do Poder pelo Poder. Não ousemos pensar que isto tudo é feito para possibilitar melhores condições de vida para todos do povo,  para beneficiar os miseráveis existentes e as alarmantes situações de caos social. Lá na Amazônia, no serrado, nos pampas, no seringal, no drama violento das cidades grandes e pequenas tudo está pior e piorando, enquanto bilhões de dólares são desviados para o exterior e a Nação empobrece e compromete o futuro de gerações. No dia a dia as pessoas se esforçam ao máximo para viver dentro de apertados e mínimos orçamentos possíveis numa agonia de 30 dias e num suplício semanal com péssimas condições de mobilidade, saúde e alimentação etc, sendo exploradas até o limite em sua fé e esperança. Mas os piratas continuam em sua festa louca de megalomaníacos e apátridas. Comprometem empresas, a vida dos empregados, das famílias, da educação, da juventude e da infância .
O mega sistema montado avança para o mundo sem limite. Seus idealizadores sentem-se superiores à Pátria que pretendem usar e abusar. Nada os detém. Tais sistemas de corrupção e lavagem de recursos não foi idealizado ontem. Deve outrossim ser fruto de anos em décadas de aprimoramento em camadas inferiores do jogo de Poder até atingir os níveis de domínio como vemos agora. São esquemas que envolvem uma arquitetura feita por pessoas que conhecem todos os sistemas  desde o industrial, bancário, financeiro, comercial, político etc.
Assim, enquanto trabalhamos e levamos nossa vida no dia a dia da nação, os ratos assaltam, fazem suas operações, estendem seus pontos de lavagem. Dá para imaginar a intensa atividade através de reuniões, viagens e telefonemas durante o dia e à noite. Se toda esta criatividade e expertise, energia fosse usada para projetos a favor da Nação e do seu povo, tudo seria melhor. Mas tais Seres poderosos e tão elevados  certamente não pensam nisto. Preocupam-se em fazer a grande maracutaia perfeita, uma que seja  totalmente invisível e que não deixe nada escrito. Aliás, quem usou este termo pela primeira vez no cenário político? Curioso, não?    
Enquanto o país produz, paga impostos, pessoas trabalham para pagar suas vidas sofridas, os ratos comem e se fartam em milhões de operações e bilhões de dólares e euros, somas inimagináveis para o uso de um mero indivíduo e suas necessidades mesmo se exageradas ao extremo. 
E apesar de entidades heróicas como a polícia Federal e o Ministério Público, tudo persiste. Enquanto uma mega operação  traz diariamente notícias que escandalizam o país, muitos do povo já vão esquecendo escândalos anteriores e nem imaginam os que possam estar sendo operacionalizados nos vários níveis da Administração. Tudo persiste e o crime organizado não se  afasta. Parece que fica mais forte e encorajado. Os ratos não se amedrontam. Os criminosos perderam o senso, a consciência. Alguns vão para a cadeia onde continuam com regalias e festas, segundo noticiado, parecendo que não foram tocados em sua individualidade. Sorriem como se nada estivesse ocorrendo e com certeza de que tudo dará em nada. Têm um sorriso de escárnio e mofa quando questionados até pela Justiça. Seus esquemas sofisticadamente estruturados, detonam empresas públicas e privadas sem piedade, queimam a bandeira nacional. O que passa na cabeça desses infames? Será que pensam “ se der certo, a causa estará vitoriosa” ou “ se der errado serei mártir da causa”. Certamente alguns “guevaras” pensam que a história os levará como heróis da “luta”. Que sistema produz tal servilismo e cegueira?
Concomitantemente com as operações em andamento quantas outras estão ocorrendo. Escândalos são abafados para não prejudicar interesses pessoais ou coletivos de grupos do Poder de todos os níveis. É o corporativismo. Abafados porque envolveriam todos e desestabilizaria a rede social, a política a economia nacional ou local. É como uma cidade do interior ter parte de seus chefes envolvidos em algo criminoso , o que seria do “poder” ali? 
Tudo isto enoja o cidadão comum, envergonha o país e faz exemplo ainda mais nojento para a já torturada juventude atual. Este modo de gestão causa males permanentes, e arrisca-se dizer que no Brasil nada dá certo, tudo tem que ser customizado. Nada é aplicado como nos outros países, por graça divina nem terrorismo dá certo, mas muita filosofia ou modelo honesto também não. É o país onde se diz “ é imoral, mas não é ilegal”.  Aqui, pode-se gostar de alguma ideologia de esquerda ou direita, por simpatia, mas não se olha quem vai operacionalizá-la, quem estará no poder, sua origem e qualidade. Eis o erro que salva tudo e de certo modo protege o país, porque a incompetência sempre é neste campo uma benesse contra o radicalismo. Ora, facilmente se pensa que os alçados ao poder são seres iluminados capazes de se desvencilhar de suas características e condicionamentos como cidadão comum em seus desejos reprimidos, em suas demandas materiais insatisfeitas e nos seus desejos hedonistas prontos para serem revelados quando a oportunidade surgir.  Não tarda e  tais Seres  mostram suas garras e vão trair o povo alienado, robotizado e massificado. Logo, por vários métodos, fazem a traição da esperança e fé inesgotável do brasileiro. 2015 é sim a hora de começar a pagar e doravante será esta a rotina.       
 Falta luz, faltam estradas, a população não tem mais saúde, não tem quem onde se medicar, não tem segurança pública nem educação, mas os ratos não se incomodam, visam saciar-se com o dinheiro público enquanto os meios de comunicação dão notas diárias de já tradicional miséria. Quem entrou no Poder esqueceu do povo? Esqueceram dos sem terra, dos sem teto, dos sem emprego, dos sem crédito, dos sem dinheiro, dos aposentados vivendo à míngua, dos desempregados vitimados pela demissão gerada em empresas em decorrência destes escândalos etc? Como desdobramento também surgem os sem água, os sem luz e os sem gás. O que conseguiram esses facínoras de todos os escândalos, senão pisar no povo, que seus supostos patrões desejavam tanto proteger pelo menos para se eleger? Será que nós cidadãos normais nos esquecemos de pensar e considerar que tudo isto, numa sequência de escândalos, não teria consequências? Se não ocorressem falhas humanas na operacionalização do esquema, tudo iria continuar, nada teria fim, nada seria de conhecimento do povo.  Há bons funcionários públicos, técnicos em todos os órgãos e empresas, mas sem dinheiro nada funciona.  O dano causado atinge limites e desdobramentos bem amplos. São projetos,programas, pesquisas,obras que deixam de ser concluídas. O país perde imagem, credibilidade. Os investidores se afastam. O dano sai pelo mundo. O Brasil prejudicado. Gerações futuras comprometidas num futuro que terão que pagar mais.
O país perde, nós perdemos. Jovens ao ver todo um quadro decadente desistem de seus planos de vida, profissionais se aposentam, trabalhadores se desmotivam. A Nação perde energia.  O Estado enfraquece. As atitudes criminosas desmoralizam a autoridade, desmotivam o povo, arruínam o país. Há um esmorecimento, descrença em tudo.  Isto é crime ou não? O povo forçosamente alienado ou mesmo consciente já largou o Brasil aos políticos, como se nada do mundo político tenha com o Brasil. Uma espécie de delegação total. Todavia, o povo só acorda quando sente o bolso esvaziar. No mais, povo,  juventude e etc são levados a adorar os vários “ bezerros de ouro” que lhe são impostos no dia a dia.
Não é necessário ser grande estudioso para saber que tudo que se passa na sociedade pertence a uma evolução social que fará realidades futuras e trará consequências. Está nascendo, por causa destes canalhas, ratos destruidores, o desrespeito às instituições, às autoridades, aos representantes do povo, aos juízes etc, que parecem cegos pelos seus salários e posição superior e passaram a viver numa ilha da fantasia, num farol de marfim, como intocáveis. Este é também um dos sinais que levam a perspectivas negativas. Nada de bom é de se prever, se as coisas continuarem assim. Infelizmente, quem de sã consciência quer a desordem , a desorganização social?  O pensamento niilista é inaplicável . A quem interessaria tal degradação  a título de uma pretensa “revolução” ou seja lá o que for?      
O cenário pessimista aliado aos problemas financeiros de cada cidadão pode contribuir para momentos equivalentes aos dos antecedentes da Revolução Francesa, quando os nobres “ hoje políticos e autoridades” refestelavam-se em benesses, benefícios, salários, negociatas e regalias numa área pública já desfigurada pelo interesse afastado das missões do Estado. Políticos que uma vez eleitos adentram ou permanecem no  clube fechado ao povo, mas aberto a seus financiadores, seguindo a tradição de “prometer para se eleger, esquecer do povo para sobreviver” num meio que possui suas próprias leis e cultura. Foram pegos de surpresa com a queda do consumo e a queda da receita tributária; pensavam que o Tesouro era inesgotável e um maná da terra dos deuses. Não viram os sinais da falência.  Ignoram as consequências da má gestão, do desvio de tudo, dos erros repetidos, da cegueira e confusão da administração pública e sua ação depredatória da iniciativa privada podem levar à desobediência civil. Aliás uma administração para a próxima eleição, para garantir recursos e cheia de medidas para assegurar votos, sem medir consequências para os anos seguintes, só pode dar errado. O planejamento é para o aqui-agora, coisa de inconsequentes. As obras são para gerar sobras e só para agora. Criam-se obras e serviços para justificar desvios e quem se intrometer é punido. Muitos se calam perante o império dos poderosos caras, com medo de perder o emprego.  A evolução histórica disso tudo no tempo, todos sabem no que pode dar.  Em desespero os donos dos esquemas criminosos, da ciranda de um modo de administrar tradicional e de uma cultura política de barganha irão defender seu meio de vida, irão fazer tudo para manter-se no Poder, de modo que para o cidadão comum a única proteção é a  liberdade da Polícia Federal, do Ministério Público e dos setores de uma imprensa livre. 
A crise gerada é resultado de anos em séculos de descura. Consequência  da cultura arraigada “ aproveitar-se da coisa pública” Agora tudo está levando ao descrédito, ao descontrole das autoridades e das instituições políticas. O Executivo está acuado, o Legislativo está nervoso e mais hipócrita. O Judiciário, em sua torre de marfim, em vias de o ser. Por incrível nota-se que em certos casos ninguém tem medo da Justiça, só o advogado tem medo do juiz. Ademais a Justiça depende de seus auxiliares e da polícia, todos cidadãos alquebrados, descontentes e amassados que ao final de cada dia voltam para casa e encontram a mesma realidade de qualquer cidadão. Não se pode esquecer que a população carente será a mais apenada e que os fisiológicos respondem fisiologicamente, de modo que a violência e seu aumento será inevitável, justamente quando a administração em todos os níveis estará sem recursos.
2015 já está pesado. As consequências financeiras começam a se agravar e teremos que pagar por todas elas. Não adiantará chorar. Todavia, efeitos mais graves de se estar adotando modelos individualistas mal implantados estarão cada vez mais presentes na vida social.  Ninguém nota, poucos veem, mas no pano de fundo de todo o cenário nacional, já há graves resultados ocorrendo e sendo registradas em efeitos que são tomada por causas e vice e versa, todavia sem solução. Infelizmente só nos incomodamos quando prejudicam nossas contas e mesmo assim, até mesmo recentemente, verifica-se que nem isto é motivo para reação, tal a passividade geral.
Quem ainda tem o poder de crítica e análise, tenha-se por contente, por ainda estar com o pensamento livre e vivo.   
A esperança é que tudo isto que vem ocorrendo seja o final de uma época no país e começo de algo mais limpo,justo e transparente. Sempre temos esta fé e esperança , é o que salva e nos move.  
De tudo, há uma evolução e aprendizagem como povo. Nem o país nem a pátria irão acabar por causa desses maus exemplos. Graças à liberdade de  imprensa, hoje sabemos mais do que poderíamos saber há 30 anos atrás. Sabemos mais sobre a cultura política existente desde 1500, sabemos mais sobre a robalheira dos palácios públicos, que sempre existiu, desde a vontade de enganar a Coroa Portuguesa. Hoje tudo isto que nos arrepia e horroriza, faz parte da limpeza de uma cultura ultrapassada que se espera esteja no fim. Tudo é para melhor, se não for repetido.   Mas teremos que pagar por tudo e por alguns longos anos. Teremos que pagar pela cegueira de votar no candidato mais rico, galã, mais poderoso, no partido sem rumo, no candidato mais cotado nas pesquisas, que nunca mostrou seus planos etc.
Mas a perguntas é a seguinte: o que sabemos e poderemos saber, se não sair no jornal e na TV?  Mais escândalos e seus desdobramentos ainda irão nos surpreender. Fica a expectativa quanto a quem será punido e o que a Justiça fará com sua atuação. Qual tese dos advogados agora e quais os artifícios processuais que serão usados para livrar os acusados. A pátria burocratizada e enrolada poderá ainda servir de benesse a mais esses acusados aos olhos escancarados da população. Conforme o comportamento da Justiça, será a vez então do Judiciário na boca do povo. Há aqui uma responsabilidade de a imprensa não criar sensacionalismo e reportar fatos e atos tais que depois não se confirmem no processo judicial, que um mundo diferente com regras e prazos. A quebra da expectativa popular poderá gerar resultados inéditos nas ruas.
Nesta continuamos todos com os dramas diários produzidos pelo mundo das drogas, isento e intocável no seu centro, a máfia estrangeira e os episódios menores, mas não menos importantes de cada localidade.
O fato é que desde os nanicos escândalos da época Collor, o país só vem se descolorindo. O que mais teremos que ver e sofrer? Há de se conquistar o status de país de boa-fé, dos honestos na política e na vida?
Odilon Reinhardt.

segunda-feira, 2 de março de 2015




Dia da mulher.

 
No dia 8 de março, é comemorado o dia da mulher, embora todos os dias o sejam. Mas a ocasião serve para lembrar que todos devemos homenagear as nossas colegas advogadas ou não, que conosco trabalham, enfrentam os lados positivos e negativos do mundo do trabalho, mundo este com suas insensibilidades, grosserias e dias de agitação, expondo todos ao risco de perda de identidade, determinação, dignidade e também muitos sonhos profissionais e pessoais, para sermos todos reduzidos a um número de produção e redução de despesas, no comunismo da vida corporativa. Vida esta que cada vez mais assenta suas bases na desfiguração da pessoa, na falsa igualdade e numa perversa despersonificação de cada ser, para elevar a uniformização e o agrupamento sem identidade nem respeito num processo contínuo de robotização comportamental e massificação de ideias, de modo a cegar e reduzir a crítica e a participação. Processo lento que afeta homens e mulheres no mundo corporativo sem qualidade. Um ambiente frio, insensível, calculista não se forma por si só é resultado de meses ou anos de desconsideração e insensibilidade.
Não caiamos no erro de desconsiderar a unidade, singularidade e caráter especialmente humano de cada uma de nossas colegas em sua individualidade. A intenção deve ser sempre tratá-las adequadamente e com a homenagem diária que merecem e levá-las a também resistir às características do meio e que não cedam em nada sua sensibilidade e amabilidade, pois estas são a esperança para a melhoria constante do ambiente corporativo. Para minha consideração escrevi o seguinte:
Poesia única.

A poesia que mora em cada mulher,
poema divino,
que cada homem deveria aprender a ler.

A rima de cada poesia
define cada mulher em sua unicidade,
que se refina a cada dia.

Nessa poesia,  poema, rimas há uma harmonia,
fácil de torná-la  canção,
se identificada cada mulher em sua individual alegria.

Só o insensível não vê ali a superioridade,
não reconhece ali um ser único e especial ,
nega que a mulher é de extraordinária realidade. 


Buscando suavidade e sofreguidão para sua alma,
quem não apelou “mãe!!!” um dia,
algo que já por si acalma.

"Entender as mulheres todas" é erro da mente,
pois, o melhor é entender cada mulher,
como cada poesia é única e diferente .


Há na mulher algo inato e superior,
a sensibilidade que não pode ser menosprezada,
uma compaixão que supera o amor.

Odilon Reinhardt.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015



Chegaremos a isto?


E as grandes cidades continuam a menosprezar seus limites geográficos, físicos e mecânicos. Os setores de alvarás continuam a autorizar mega investimentos imobiliários e mega prédios, rendendo-se a interesses imobiliários. São Paulo vive à beira do caos com enchentes, falta de água e falta de luz fazendo o exemplo secular de como será o futuro das grandes cidades brasileiras. A paulicéia desvairada, orgulho do capitalismo nacional, impõe agora a todos a provação do deserto.
Tal cenário ainda em seu começar, já permite cantar a bola a partir do fracasso do sistema Cantareira. Fazer imaginação neste campo árido é possível e ao mesmo tempo lamentável e tétrico. Sem querer esmiuçar os muitos motivos que geraram a situação, o fato concreto, gerado pelas imbecilidades das motivações da baixa política, é que vai faltar água. A chuva que cai no lugar errado é tida como culpada, bode expiatório para problemas de cultura política e mentira oficial.
Se hoje já se observa a existência de rodízio, falta de água em algum bairro ou cidade, falta de água por horas ou dia, logo é possível projetar o caos para dias, semanas e meses sem água até não existir mais água como realidade final.
E então veremos em jornais notícias como agora jocosamente ainda poderemos imaginar.
Não será descartada a notícia de que: “homem é quase linchado na periferia, por estar lavando o carro no sábado à tarde” ou “criança apanha por jogar copo de água no jardim”.
Continue-se a decidir dando alvarás indiscriminadamente para atender a interesses políticos e à falsa idéia de que a cidade precisa de movimento, progresso e mais gente consumidora e veremos notícias como “família perdeu a casa para pagar multa por mal-uso da água” ou “Pai de família comete suicídio por não poder pagar multa por excesso de consumo”, “menores fazem arrastão na praia e na feira em busca de água", “Polícia alerta sobre roubo de caminhões de água nas estradas”, “grupo armado sequestra dono de fábrica de água mineral e exige resgate de um milhão de garrafas de água", “preso homem que vendia água do mar engarrafada”.
E num jornal de grande circulação aparecerá “aumentam os arrastões em Supermercados à procura de água" ou “polícia mata quatro que tentavam roubar água engarrafada de dentro do supermercado” e a mais incrível “financeira aceita pagamento em litros de água”.
Certamente a água sendo elevada à posição comercial de ouro transparente, será possível um dia encontrar nos jornais o seguinte "preço do litro de água potável atinge record na bolsa de mercadorias de Chicago e já vale o dobro do barril de petróleo”.
Em busca da água de beber, haverá uma revolução na criminalidade. Nada valerá mais do que um gole de água. Assim, será comum que jornais e a TV divulguem notícias como “Ambulante é preso por estar vendendo água suja e de de chuva”, “Indivíduo tresloucado, invade residência para beber água e tomar banho”, “Posto de gasolina furtava água de chuva do vizinho”, “Venda de água no mercado negro atinge record de preço e Governo fica inerte” , “Doméstica é demitida após furtar garrafas de água e lavar roupas pessoais sem permissão”, “Dono de restaurante vendia água do rio de sua fazenda como importada”.
A falta de água previsivelmente terá impacto em todos os setores e as igrejas farão cultos e missas para que chova no local certo e o investimento público em obras tenha sido suficiente para aproveitar a chuva. Certamente palácios do Governo, assembléias e tribunais não serão afetados, pois a água será trazida de outros Estados ou do exterior para garantir o interesse público.
Malandros irão fazer proveito da situação e venderão a chuva do futuro, prometerão locais da cidade onde a chuva é mais frequente, venderão ações de companhias que fabricarão água a partir do ar e do vento, comprarão grandes carregamentos de água vindos de outros Estados para vender com alto lucro.
Na baixa criminalidade, haverá assalto a caminhões isolados e em comboio transportando água; policiais serão pegos dando apoio, políticos serão envolvidos no tráfico de água e restaurantes serão abertos para “lavar” o resultado da atividade.
E haverá escândalos com a divulgação surpresa de prisões ao amanhecer . Operação “Copo quebrado” , operação “Água do Vizinho” etc, etc. O Governo pressionado pela opinião pública aumentará a pena para o crime de roubo de água e advogados trarão às cortes suas teses e doutrinas desesperadas. Livros serão editados e o mercado faturará o caos.
E as alianças políticas irão abafar tudo, tentando manter o Poder. Tudo da polícia dará em nada e parte do povo continuará distraído, massificado e robotizado, sempre pronto para obedecer os comandos para consumir e só.
Toda a criatividade, o jeitinho, a cultura popular será mobilizada e os noticiários serão ricos em pérolas sensacionalistas como “dona de casa briga com vizinha que roubava água de seu reservatório à noite”, “chacareiro furtou rio do vizinho fazendo desvio do leito do rio”, “supermercado sofre o 30º assalto em 20 dias e estoque de água é zerado”, “fiscalização encontra milhares de garrafinhas de água estocadas em casa de gerente de supermercado”, “bando invade mansão e rouba a água das piscina”, “bairros onde chove mais desviam água da sarjeta para reservatórios comunitários”, “associação de bairros impede entrada de cidadãos no bairro porque ele queria aproveitar a chuva que ia cair”, “hotel cobra diária com adicional de 50% para banho e 60% pelo direito de café da manhã”, “no Zoológico macacos morrem de sede. Tratador é preso por levar água para casa”, segurança de shopping espanca clientes que enchiam garrafas de água no banheiro”.
Serão esdrúxulas mesmo as modalidades de ações e reações humanas. O Governo desmentirá tudo e prometerá água para todos em breve com as novas obras. A oposição recomendará o abandono da cidade e a volta ao campo. O Comércio desesperado prometerá descontos fabulosos para cidadãos que permanecerem na cidade.
A elevação da água ao "podium" de produto mais caro do mundo será uma revolução nos negócios e o país poderá trocar produtos alimentares pelo direito de navios estrangeiros pegarem água nos grandes rios do país.
Apesar de todas essas lamentáveis e por enquanto jocosas hipóteses, já há avisos esparsos por aí. São Paulo é um bom fornecedor de exemplos a serem estressados e estendidos ao máximo. Todavia, ainda há tempo para manobras, para consertos e reparos no modo de como tudo está sendo feito. É fácil, basta usar algo bem antigo: seriedade, honestidade, objetivos corretos e rigor no uso do dinheiro e de todo o patrimônio público, amor ao próximo nas decisões e projetos, desapego ao umbigo, amor ao Brasil, tudo para salvar o bem maior que é a água como patrimônio do planeta.
Continuemos a brincar com a coisa pública, a aceitar o individualismo e o materialismo pregado, a votar em políticos sem qualidade e competência e nada mudará o seu destino e as consequências que teremos que enfrentar.
Continuem as administrações a achar prioridades diversas e de curta visão e a gastar recursos com tais falsos objetivos; afundem em suas burocracias e tudo tenderá para o agravamento das tendências atuais. Deve-se cuidar do bom planejamento, pensar no futuro projetado para as próximas décadas, é necessário saber imaginar o amanhã e antecipar eventos e dedicar-se menos ao planejamento para as próximas eleições. Deve-se escutar os técnicos e os projetistas, mas.....
Continue a luta entre órgãos públicos num “achaque institucional” de cobrar multas e as empresas de saneamento serão enfraquecidas e retardadas em sua missão, perdendo eficiência e eficácia.
Descuidem os órgãos de controle das administrações, esquecendo que as doenças da União são doenças do político nacional e de todo um modo de existir, que se reproduz pessoalmente em qualquer lugar de Poder e tudo piorará geometricamente.
Depois de muita comoção, os meios de comunicação “preocupados” com a desestabilização social e em plena aliança com o Governo ($$$) pregarão que a água faz mal, dá câncer e provoca Alzheimer, pelo que o bom é água de coco e sucos de frutas ou leite. Tudo estará resolvido então, pelo lado do marketing político e da psicologia de massa, mesmo que o mercado financeiro vá momentaneamente à bancarrota devido à queda da ÁGUA e a subida do SUCO e do LEITE. Tomar banho de leite e lavar o carro com suco será moda , não é?.

A atropelada inserção do país nas exigências da globalização econômica, sem preparo e estrutura humana e material, com a persistente cultura política tradicional, só pode resultar numa desorganização estrutural e escassez de recursos. E o culpado será a falta de chuva.
E esta chuva que não caí no lugar certo!!!!!!! Maldita chuva!

Odilon Reinhardt .

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014




Aos leitores do Blog Advesane.
 
A todos, que em todo este 2014, usaram  seus esforços como seres humanos, sua fé, esperança e determinação para continuar a acreditar em si, em algo e na vida. A todos que viveram os altos e baixos da nacionalidade, quer como canoas, barcos ou iates, eu dedico 2015, como um mar a ser navegado.  
                                              
Ao mar.

O veleiro passa no mar,
catando vento
que o leve para além-mar.

Vai beirando a costa,
pegando força e energia
vai solto como gosta.

Livre, some no horizonte,
é aventura, esperança,
vejo ali dos meus sonhos a fonte.

Quem não pode imaginar o veleiro
em sua tão bela viagem
ainda tem muito de tarefeiro.

Se não pode vê-lo festejado,
chegando ao porto depois da tempestade,
está com seu poder de distração ameaçado.

Depois com sua vela,como nuvem branca,
majestoso sob o céu azul da manhã,
vai partindo em velocidade branda.

Vai pronto para enfrentar os sete mares,
em aventuras e desventuras
para aportar em diferentes lugares. 

Onde chegar será sobrevivência,
será da constância o exemplo,
da determinação a  bela  essência .

É assim que, de ano para ano, cada Ser é ou deveria ser como se fosse este veleiro; enfrenta ondas e mares que só ele sabe o que passou, mas quando se apresenta a uma outra pessoa dificilmente transparece as agruras e as vitórias de sua viagem, a menos que tenha a oportunidade de falar.  Somente abstraindo-se de seu próprio umbigo egoísta e com empatia, alguém encontra possibilidade de olhar sua face e ali desvendar as marcas do tempo e retraçar, em dedutiva aventura, a saga do viver e do conviver do Próximo.
Para todos que viveram 2014, com seus altos e baixos, desejo Feliz Natal. Coloque a bordo os melhores marujos: o da Amizade, o da Honestidade, o da Compaixão, o do Pensamento Positivo, o do Otimismo, o da Ética e do Trabalho. Trace o rumo , vá ao mar de 2015 com as velas enfunadas. Não importando os ventos e a tempestade, sempre haverá uma amanhã melhor. Olhe o horizonte e imagine-se ao final de mais uma viagem, chegando a um porto onde poderá encontrar o grande amor ou preservar o que já tenha encontrado, por em prática seus planos de vida, aprimorar-se e procurar virtude e crescimento.
Em dezembro , que seu veleiro repouse no porto e possa partir para 2015 com dignidade e muito sucesso. Que os mares e ventos sejam bons e ao final do ano, seja igualmente fácil identificar na face que a viagem não deixou marcas de expressão, a não ser a de um sorriso de alegria e satisfação de saber que ainda pode velejar.       
Cada um de nós faz parte da saga humana nesta parte do mundo em sua época. Queiramos ou não, fazemos com nosso navegar, um modo de viver e convier que registra a marca de nossa geração e existência.
Para quem ainda não pode deixar de ser calculista, frio,  interesseiro, e que com sua canoa de um remo só, está tão confiante em seu potencial e ainda impercebível solidão, é bom lembrar que um dia entenderá que se desejar ser veleiro, jamais poderá navegar sozinho, pois caso deseje ter  mesmo resultado,  dependerá da conjugação de esforços, da união de todos, para que sua presença no porto seja a estampa de uma grande harmonia e cooperação.  Mais vale um veleiro chegando ao porto do que uma canoa solitária, desistindo do mar, sendo forçada a voltar para sua praia.
Velejar é sempre um ato de convivência, de cooperação, para chegar a um destino com bons resultados: o porto, sua significação e a felicidade.
Para quem não tiver adquirido a consciência sobre os malefícios do materialismo e individualismo egoístico, há a chance de perguntar-se: Tenho sido um veleiro  ou uma canoa? Até onde irei sendo o que sou? Sendo frio, calculista e levando o relacionamento com as pessoas só como interesse do meu umbigo, até onde irei com minha solitária canoa? Aliás, pergunte se onde está só há canoas ou se todas as canoas estão ali iludidamente pensando ser um veleiro?     

Odilon Reinhardt. 

quarta-feira, 29 de outubro de 2014




Sementes plantadas.  

Há mais de 5 anos atrás, a Universidade de Stuttgart na Alemanha, estava dando palestras na Universidade Federal do Paraná e Pedro Franco de Carvalho, engenheiro da Sanepar, fazendo mestrado, fez a aproximação dos professores da Universidade de Stuttgart com a Sanepar. Assim, vários professores e técnicos compareceram à Sanepar para uma breve apresentação dos trabalhos da Universidade no campo do tratamento do esgoto sanitário.
Da aproximação feita e como resultante do interesse da Sanepar neste campo, começaram as tratativas para um convênio de cooperação, enquanto os professores de Stuttgart continuariam ministrando aulas de mestrado no Paraná.
Houve imediato interesse de profissionais da Sanepar em fazer o mestrado, tendo surgido então um grupo de profissionais que, durante o período de estudos, pôde viajar para a Alemanha. Após a viagem, o mestrado continuou e os profissionais empenharam-se com seus orientadores para seguir a programação com rumo à aprovação final.
Assim, desde 2008 foram iniciadas as atividades do Mestrado Profissional em Meio Ambiente Urbano e Industrial (MAUI), do qual participaram alguns saneparianos.
Da turma de 2012, Priscila Alves dos Anjos, da Sanepar, foi a primeira a conseguir qualificação para defender seu trabalho perante a banca de examinadores, após muito esforço e também compreensão familiar, tendo concluindo assim o mestrado no início de agosto deste ano.
Não foi nada fácil cumprir as exigências resultantes das revisões feitas pelos orientadores, o que exigia horas e horas de muita dedicação.  Nasceu assim o trabalho denominado: “CONSÓRCIOS PÚBLICOS DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS: ESTUDO DE CASO NO ESTADO DO PARANÁ”, dissertação, apresentada como requisito parcial à obtenção do grau de Mestre em Meio Ambiente Urbano e Industrial, do Programa Internacional de Mestrado Profissional em Meio Ambiente Urbano e Industrial, Setor de Tecnologia, da Universidade Federal do Paraná, em parceria com o SENAI/PR e a Universität Stuttgart, Alemanha, tendo por orientador o Dr. Klaus Martin Fischer  e co-Orientadora: Dra. Karen Juliana do Amaral.
É assim que sementes do passado como estas são plantadas e em terreno fértil dão resultado. Fernando Massardo e Loraine Bender, empregados da Sanepar, estão envolvidos no mesmo mestrado e são exemplos de esforço e dedicação.
Todos são exemplos de gente que não se deixa acomodar e vai à luta, para estudar e progredir. Estão alertas quanto às forças da acomodação e da mesmice das tarefas que acabam derrotando as energias do indivíduo na empresa. É normal que o trabalho da empresa torne-se rotineiro e acabe cegando os profissionais encurtando-lhes o horizonte.  É também importante saber destruir esta normalidade, com criatividade, interesse diversificado, inclusive o de contrariar a normalidade e ir além do lugar comum.  
Manter o espírito de autodesenvolvimento que fez cada um entrar para a empresa com seus projetos pessoais torna-se imprescindível. É missão de cada um encarar o desafio de não se deixar morder pela mediocridade que nasce geralmente no ambiente empresarial, que é voltado para as tarefas diárias, repetitivas, limitadas e que muitas vezes não preenchem todas as horas disponíveis.
É fácil ser picado pela desmotivação e culpar os outros, quando no caso da negligência com seu próprio preparo e atualização decorreu da própria pessoa que se deixou levar pelo cordão de Maria-vai-com-as- outras na fileira da acomodação.
Evidentemente muitas são as realidades pessoais que podem dificultar a volta ou a manutenção dos estudos ou a difícil missão de enfrentar uma pós–graduação ou um mestrado, mas a vontade e o objetivo são aspectos poderosos da vida.
Um bom motivo para que se comece a pensar neste assunto é tomar o exemplo de colegas e pensar também no Plano de Carreira Técnica que prevê altos salários para quem tiver mestrado, etc. É uma razão prática que pode ser utilizada também.
O fato é que pessoas estudando e se aprimorando criam na empresa um ambiente de um nível mais elevado e contribuem muito para a elevação das conversas entre colegas na empresa. O nível intelectual aumenta e a empresa ganha muito em ambiente.
Não devemos esquecer que na Sanepar há vários setores técnicos onde há pessoas de alto nível e que foram atrás de seus objetivos pessoais porque durante a duração do vínculo laboral não se deixaram matar pela monotonia e mesmice das tarefas rotineiras. Ubaldo Stier, na área operacional, inventava ferramentas inéditas; Alfredo Richter inventava estações de tratamento; Cleverson Vitório Andreoli escreve livros e é uma pessoa reconhecida mundialmente na área de tratamento de lodo de esgoto, Ary Haro dos Anjos escreve livros e é muito reconhecido tecnicamente, Julio Espínola sempre foi um ser pensante e muito mudou a empresa e assim há muitas pessoas de talento que não se deixaram acomodar.  Muitos profissionais de Engenharia graduaram-se em Direito e Administração procurando o aprimoramento complementar numa demonstração de esforço muito grande.  E não se pode esquecer os inúmeros empregados que nem tinham curso superior e já trabalhando na Sanepar fizeram curso superior, procurando melhor capacitação pessoal. 
O trabalho de Priscila Alves dos Anjos será referência nacional neste momento em que o país desperta para a importância dos resíduos sólidos. A figura do Convênio é apropriada para marcar a união conjunta de forças em busca de um progresso sustentável. 
 
Um breve resumo da dissertação foi colocado nos seguintes termos:

“Os atuais padrões de consumo desafiam os limites de sustentabilidade do nosso planeta, o aumento crescente da geração e complexidade dos resíduos, e uma legislação cada vez mais rígida, exigem sistemas mais eficientes de gestão, resultando em custos mais altos para a prestação dos serviços correlatos. Além disso, o gerenciamento inadequado dos resíduos sólidos urbanos pode causar sérios problemas ambientais, de saúde pública, e constitui um desafio aos municípios. O Consórcio Público se apresenta como uma alternativa viável para atendimento às exigências do cenário de saneamento básico, mas que ainda não se consolidou. O objetivo geral desta pesquisa é analisar o processo de formação de novos consórcios públicos intermunicipais de resíduos sólidos urbanos, sob os aspectos de gestão, manejo e indicadores, utilizando como estudo de caso o Estado do Paraná. Os objetivos específicos compreendem realizar um levantamento de consórcios públicos de resíduos sólidos em operação no Brasil e no Paraná; caracterizar o Consórcio Intermunicipal para Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos – CONRESOL; comparar os indicadores de resíduos sólidos do grupo de municípios do CONRESOL e de um grupo de municípios paranaenses não consorciados; apontar vantagens e dificuldades na formação de consórcios públicos de resíduos sólidos. A metodologia baseou-se em pesquisa bibliográfica e de campo. Primeiramente foram mapeados os consórcios públicos de resíduos implantados no Brasil. Posteriormente foi selecionada a região sul e o estudo de caso focado no Paraná. Na definição da amostra selecionou-se o grupo de municípios do CONRESOL e um grupo de municípios não consorciados e pertencentes a outras regiões metropolitanas do Paraná. Foram aplicados questionários para representantes do CONRESOL e dos municípios não consorciados, contemplando aspectos sobre a formação de consórcios públicos, gestão e manejo de resíduos, e indicadores. Entre os resultados pode-se apontar a iniciativa do município como fundamental no processo; o trâmite jurídico para a implantação do consórcio representando mais segurança jurídica do que um empecilho; e a viabilização da disposição adequada a maior vantagem na formação de um consórcio. As dificuldades apresentadas para a formação de novos consórcios foram questões político partidárias, conflitos, interesses e a questão econômica. As principais recomendações são: delegar a instituições com atuação regional o papel de fortalecer a proposta de consórcios públicos; disponibilizar subsídios financeiros para viabilização de projetos e custos iniciais para a implantação de aterros sanitários compartilhados; e capacitar quadros funcionais dos municípios. As recomendações apresentadas para o Paraná são aplicáveis em outros estados, a partir do entendimento que o consórcio público é um modelo de gestão adequado e viável para que os municípios possam superar os desafios de gestão e manejo de resíduos sólidos urbanos.”
A introdução foi escrita para indicar que “o desenvolvimento econômico, a urbanização e o aumento dos padrões de consumo indicam o crescimento tanto na quantidade quanto na complexidade dos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), contribuindo para o agravamento de problemas sanitários. Os avanços da industrialização e do consumo refletem o aumento na geração de RSU em todo o mundo, desafiam os limites de sustentabilidade do nosso planeta pelos impactos ambientais que causam, e conciliados com uma legislação cada vez mais rígida exigem sistemas mais eficientes de gestão, resultando em custos mais altos para a prestação de serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos.
É fato que o lixo depositado em locais inadequados causa contaminação do solo, ar e água; proliferação de vetores transmissores de doenças; entupimento de redes de drenagem urbana, favorecendo a ocorrência de enchentes; degradação do ambiente; depreciação imobiliária; e ocorrência de doenças.
O gerenciamento dos RSU, desde sua produção, coleta e disposição final, representa um grande desafio aos municípios e à sociedade de modo geral. O tema limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos destacam-se no cenário nacional e nas comunidades locais, pelos aspectos ligados à saúde pública, pela crescente contaminação hídrica e pelas questões sociais ligadas aos catadores (MONTEIRO, 2001).
De acordo com Batista (2011c) pode-se afirmar que a figura do Consórcio Público, consolidada pela Lei de Consórcios Públicos (BRASIL, 2005), busca responder aos desafios das cidades, em especial dos pequenos municípios, uma vez que, seu objetivo é ampliar a capacidade de gestão municipal e a disponibilidade de recursos para melhorar a prestação de serviços, e também pelo fato de sua estrutura permitir a interação entre diversos atores – Estado, União, iniciativa privada e sociedade de modo geral.
O federalismo cooperativo previsto na Lei de Consórcios Públicos se apresenta como um instrumento para equacionar problemas enfrentados pelas Administrações Públicas, dentre os quais, a prestação de serviços de manejo de resíduos sólidos municipais - coleta, transporte, transbordo, tratamento e disposição final do lixo doméstico, conforme diretrizes da Lei n. 12.305/2010 (BRASIL, 2010f).
Acrescente-se que, a Lei n. 12.305/2010 (BRASIL, 2010f) prevê a redução na geração de resíduos e um conjunto de instrumentos para propiciar o aumento da reciclagem e da reutilização dos resíduos sólidos e a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos. Institui a responsabilidade compartilhada dos geradores de resíduos: fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, o cidadão e titulares de serviços de manejo dos resíduos sólidos urbanos na logística reversa dos resíduos; cria metas para a eliminação dos lixões e institui instrumentos de planejamento nas esferas nacional, estadual, microrregional, intermunicipal e metropolitano e municipal; além de impor aos particulares a elaboração de Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos.
Considerando-se as diretrizes da Lei n. 12.305/2010, de forma resumida apontam-se sete medidas que impactarão a forma de tratar a questão do “lixo” no Brasil: Logística Reversa; Fim dos Lixões; Planos Municipais; Responsabilidade Compartilhada; Cooperativas de Catadores; Financiamento para Consórcios Intermunicipais e Novas Tecnologias (BELO, 2011). No entanto, a maioria dos municípios enfrenta dificuldades para atender aos novos paradigmas estabelecidos, tanto pela insuficiência de recursos orçamentários, quanto pelo falta de quadro técnico com profissionais especializados.
Desta forma, acredita-se que a utilização dos consórcios públicos como instrumento da gestão associada no setor de saneamento representa um avanço na política de cooperação intergovernamental, e que a contratação de um consórcio público na área pode trazer benefícios, por exemplo, a racionalização do uso dos recursos destinados ao planejamento, regulação, programação, fiscalização e consecução dos objetivos comuns contratados (CHIECO, 2011).
A partir da literatura sobre o tema constata-se que a constituição de consórcios públicos para a prestação de serviços de resíduos sólidos é uma alternativa viável e relevante face às exigências do atual cenário de saneamento básico, mas que ainda precisa avançar considerando-se a estatística para o país.
Segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), existem 80 consórcios públicos que contemplam a questão dos resíduos sólidos no Brasil, sendo 8 no Paraná, entre os quais o Consórcio Intermunicipal para Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos – CONRESOL, que abrange Curitiba e municípios da Região Metropolitana de Curitiba (BRASIL, 2012b). No entanto, esta pesquisa observou que na prática o número de consórcios intermunicipais de resíduos sólidos efetivamente atuantes é muito menor do que dados oficiais apontam.
A problemática da gestão dos resíduos sólidos conciliada com as exigências impostas aos municípios pela legislação aplicável indicam que os consórcios públicos representam uma alternativa para a superação do desafio de compatibilizar demandas do setor com pouca disponibilidade orçamentária e quadro técnico insuficiente, e melhorar indicadores, por exemplo, da disposição adequada em aterros sanitários, que no Brasil alcança pouco menos de 60% e no Paraná 70% (ABRELPE, 2012).
Desta forma, este trabalho se justifica pela importância em compreender os possíveis motivos que desfavorecem a formação de novos consórcios nessa área, de modo a apresentar recomendações que fortaleçam a proposta de consórcios públicos de resíduos sólidos, e ao mesmo tempo contribuir com pesquisas afins.
Neste contexto, a questão problema desta pesquisa é: por que a formação de consórcios públicos intermunicipais de resíduos sólidos ainda não se consolidou no Paraná?
Assim, ao responder o questionamento, é possível disponibilizar elementos que contribuam para a formação de novos consórcios públicos de resíduos sólidos, bem como, fortalecer as discussões sobre o tema.
Para tanto, esta dissertação está estruturada em 6 capítulos, a saber: o capítulo 1 apresenta o tema e os objetivos da pesquisa. O capítulo 2 contém a revisão de literatura, com as definições e classificação dos resíduos sólidos; aborda as questões de gestão dos resíduos, comenta aspectos de consumo e geração de resíduos sólidos, etapas do gerenciamento de resíduos, sintetiza o cenário dos resíduos sólidos no Brasil e no Paraná; contempla os aspectos legais a partir da Lei de Consórcios Públicos, da Lei de Saneamento Básico e da Política Nacional de Resíduos Sólidos. O capítulo 3 refere-se ao material e métodos empregados, apresenta a definição da amostra, a qual abrange um grupo de municípios não consorciados e o grupo dos municípios do CONRESOL, e descreve os procedimentos utilizados na pesquisa. Os resultados são apresentados no capítulo 4: levantamento dos consórcios de resíduos sólidos no Brasil; caracterização do grupo de municípios integrantes do CONRESOL e do grupo de municípios não consorciados; análise dos indicadores de resíduos sólidos dos dois grupos pesquisados; e resultados da pesquisa de campo. No capítulo 5 discute-se os resultados e no capítulo 6 apresenta-se a conclusão do estudo, com recomendações para a formação de novos consórcios públicos de resíduos sólidos no Paraná”.
A discussão em torno da temática dos resíduos sólidos “torna-se cada vez mais presente na pauta mundial de discussões sobre meio ambiente e saneamento básico. O problema da gestão e do gerenciamento dos RSU no Brasil, além da questão ambiental e de saúde pública, constitui um desafio imposto pela legislação aos municípios de todos os portes. Principalmente aos municípios com até 30 mil habitantes, que representam mais de 80% do país, o que requer investimento e capacitação dos quadros técnicos das prefeituras.
Os municípios são obrigados a compatibilizar diferentes demandas dos diversos setores, por exemplo, saúde, educação, trabalho, com recursos escassos, pois a municipalização não está sincronizada com a disponibilidade orçamentária. As responsabilidades que eram da União e dos estados foram delegadas aos municípios pela Constituição de 1988, porém os repasses de recursos financeiros para esses fins ainda não são suficientes.
Desta forma, a proposta de consórcios públicos de resíduos sólidos representa uma alternativa para os municípios atenderem às exigências previstas nas Leis n. 11.445/2007 e n. 12.305/2010, bem como, demais legislações aplicáveis. No entanto, esta forma de arranjo institucional para resíduos ainda não está consolidada, conforme o levantamento realizado. Ademais, há pouca informação sobre o número de consórcios de resíduos sólidos efetivamente estabelecidos no país, onde estão estes consórcios, e qual o objeto específico de tais consórcios.
Entende-se que a construção de um mapeamento mais preciso dos consórcios públicos de resíduos sólidos seria o primeiro passo para estabelecer a troca de experiências e consequentemente fomentar a implantação de novos consórcios de resíduos no Brasil. É verdade que na esfera federal elaboraram-se alguns materiais de orientação aos municípios os quais estão disponíveis em sites do governo, que pode ser considerada uma iniciativa importante, mas ainda falta muito a fazer para que os municípios tenham acesso às informações e orientações sobre consórcios públicos, principalmente se for considerada a estrutura de tecnologias de informação e a falta de equipes técnicas na maioria dos municípios.
Quanto à pesquisa da literatura do tema, é consensual que o consórcio público para a prestação de serviços de resíduos sólidos possibilita investimentos que o titular do serviço, no caso o município, no geral não tem condições de realizar. Conforme Chieco (2011), entre os benefícios cita-se: racionalização do uso dos recursos, consolidação das peculiaridades regionais na execução dos serviços comuns, aumento nos investimentos regionais, auxílio entre os entes consorciantes para atender às demandas locais ou regionais, entre outros. Acrescente-se que não foi encontrado material apontando desvantagens para o consorciamento na área de resíduos.
Além disso, a solução regional representa ganho no custo de investimentos e de operação com o compartilhamento de instalações, e ao mesmo tempo, é conveniente aos municípios que têm dificuldades para operar sozinhos um aterro sanitário (BRASIL, 2010b).
Sobre a formação de consórcios públicos de resíduos sólidos, no caso do CONRESOL, a pesquisa indicou que a iniciativa do município foi fundamental para o processo (55% das respostas), seguida do convite de outro município (27% das respostas), ou seja, o consórcio não funciona de forma imposta, se viabiliza por meio de um processo de negociação entre os municípios. Esta negociação enfrenta diversos impasses, principalmente devido a diferenças políticas, partidárias, demais interesses e conflitos que possam existir, em especial, a definição de área para a disposição final dos resíduos.
Quanto ao ritual jurídico para a implantação do consórcio público, a pesquisa com o grupo consorciado mostrou que 75% dos municípios pesquisados demoraram menos de um ano para formalizar a participação. O que permite inferir que após a negociação entre os municípios, o prazo do trâmite burocrático não representa um entrave, portanto, pode-se afirmar que o processo previsto para a formalização dos consórcios públicos representa muito mais segurança jurídica do que morosidade.
Todavia, no grupo dos municípios não consorciados revelou-se que mais da metade dos municípios não conhece os instrumentos legais de um consórcio público, o que indica a necessidade de orientação e capacitação sobre o assunto, o que pode ser realizado via esfera federal por meio de um plano intenso e abrangente para atender esta demanda.
Em relação aos custos é pertinente comentar que inicialmente o município despenderá um valor maior, que ao longo do tempo será compensado em função da economia de escala. A maior vantagem sob a forma consorciada é a viabilização da disposição adequada. Acrescente-se que os municípios consorciados têm prioridade na obtenção de recursos de financeiros, conforme prevê a Lei n. 12.305/2010.
A pesquisa indicou para o grupo de municípios consorciados o aumento das despesas com resíduos. Este incremento é resultado da disposição adequada, ou seja, era mais barato dispor inadequadamente, porém, os custos dessa disposição inadequada se perpetuam no tempo pelos impactos ambientais, sociais e de saúde pública que causam, tornando a contabilização desses passivos ambientais algo muito complexo. Também vale comentar a indisponibilidade de estudos econômicos da situação dos municípios consorciados antes da assinatura do Protocolo de Intenções, para uma avaliação econômica que ateste a vantagem do consórcio sob este aspecto.
Quanto à comparação sobre o manejo de resíduos sólidos entre o grupo de municípios consorciados e não consorciados, nas categorias coleta seletiva, coleta de resíduos especiais, discussão sobre mecanismos de logística reversa, existência de centrais de triagem e separação de resíduo orgânico, não há disparidade nos resultados. Os resultados do grupo consorciado não são significativamente melhores porque o consórcio não influencia diretamente estes indicadores, uma vez que, o escopo do CONRESOL abrange somente tratamento e disposição final dos resíduos sólidos.
Em relação à análise dos indicadores de resíduos disponibilizados no SINIR, para comparar o grupo de municípios consorciados ao grupo de municípios não consorciados. Conforme descrito no capítulo anterior, com base nos resultados das médias calculadas não é possível afirmar que o grupo do CONRESOL apresenta superioridade de desempenho nos indicadores selecionados, quando comparado ao grupo de municípios não consorciados. Todavia, um banco de dados desses indicadores é extremamente útil por compor uma série histórica, e permitem, no futuro, correlações com ações de gestão e gerenciamento de resíduos dos municípios, para fins de planejamento do setor.
A pesquisa demonstrou a importância do consórcio público de resíduos sólidos para a viabilização da disposição adequada, ao evidenciar o CONRESOL, que representa um terço da população do Paraná, com disposição adequada. Acrescente-se que o CONRESOL possui um planejamento para a implantação de um sistema regionalizado de tratamento e disposição final, a planta denominada Sistema Integrado de Processamento e Aproveitamento de Resíduos (SIPAR), que foi objeto de discussões judiciais e aguarda novo procedimento licitatório.
Em contrapartida, no grupo de municípios não consorciados 30% realizam disposição inadequada, e mesmo aqueles que dispõem seus resíduos em aterros sanitários devem preocupar-se com a vida útil desses aterros, considerando a tendência crescente na geração de resíduos e as exigências para licenciamento ambiental de novas áreas.
Quanto ao aumento na geração de resíduos sólidos, destaque-se a importância da implantação de programas de educação ambiental contínua e programas de comunicação e mobilização social, como forma de estímulo à institucionalização do conceito de sustentabilidade por parte da população, para que esta busque modificar hábitos de consumo e assuma suas responsabilidades, especialmente, em relação à correta separação e destinação dos resíduos recicláveis. A separação na fonte geradora, com a destinação adequada, fortalece a cadeia da reciclagem e implica na redução da quantidade de resíduos dispostos em aterros.
Em suma, entre os municípios do grupo não consorciado, mesmo aqueles que realizam a disposição adequada serão obrigados a repensar a gestão e o manejo de resíduos sólidos que geram em um futuro próximo e a partir de um cenário adverso, com a busca por novas áreas para disposição, tecnologias adequadas e recursos financeiros limitados, uma vez que, a Lei n. 12.305/2010 implicou em exigências que requerem mais investimentos dos municípios nessa área.
Acrescente-se que, se por um lado um aterro que atenda uma população maior possa ter uma diminuição de vida útil, em decorrência de um maior número de municípios que passam a realizar a disposição final no local, o compartilhamento de custos pode melhorar os processos de reutilização e reciclagem, bem como, viabilizar o investimento em outras tecnologias de tratamento”. (Trechos extraídos da dissertação)

 Após a elaboração supervisionada deste trabalho, evidentemente o mesmo tornou-se monografia que poderá ser consultada pelos estudiosos no assunto. Todavia, a mensagem maior é para todos os colegas da Sanepar como incentivo ao auto-desenvolvimento e a persistência na luta para não abandonar seus objetivos pessoais de mais conhecimento, mais cultura e mais aprimoramento técnico e pessoal, como fator de elevação do nível interpessoal na empresa.

Cada um que fique atento para sua qualificação, pois não haverá lugar para quem esmorecer e parar, esperando que o mundo passe por sua porta. A acomodação acaba com o indivíduo, sua determinação, sua identidade, mata sua alma, esbagaceia a vida e compromete o futuro.

Na seqüência vem a insatisfação e o negativismo e logo uma espécie de negativo coletivo. Os momentos nacionais e estaduais com sua variação política e instabilidade constituem terreno fértil para que o indivíduo esqueça a perspectiva positiva, tais as incertezas e também a fraqueza em que se meteu. Sim, onde se meteu devido a sua falta de pro-atividade? Meteu-se na mediocridade de não suportar ver os outros colegas estudar, crescer; na pitada do comunismo interno de pensar que todas as pessoas são iguais; na ilusão de pensar que ninguém pode se mover para cima para que não fique por baixo ou isolado no nível em que parou e numa exposição desagradável; na insatisfação, como raiz de sua acomodação e medo; no vício de culpar a empresa e os outros como muro das lamentações; há muito tempo deixou de perguntar o que aprendeu durante a semana e deixou de se incomodar em receber o nada como resposta. Abandonou-se às tarefas rotineiras e ao dia a dia, esperando as horas passarem na frente do computador. Afinal, o salário vem no final do mês de qualquer modo.

E diga-se o autodesenvolvimento não se restringe a aprimoramento técnico. Há cargos onde não há mais tal atrativo, mas há muitos outros campos de interesse que podem ser adentrados com a finalidade de aprimoramento pessoal como ser humano. É este o maior ideal, procurar crescer como pessoa, como Ser, procurando esclarecimento  contínuo em busca da consciência como indivíduo. Disto, aproveita-se  o funcionário, a empresa, a esposa, os amigos, a família e a sociedade. A sabedoria e o aprimoramento nas relações humanas é um grande avanço para a sociedade e depende do interesse individual. Isto já melhora em muito o clima e o relacionamento entre as pessoas na empresa, diminuindo os efeitos do individualismo e do materialismo reinante, com efeito prático em prol da amizade e cordialidade ou no mínimo mais respeito.  Já seria um grande passo humano para curar muitos da falta de ética, da falsidade e do espírito de “traíra” que muitos cultuam como “independência”, mas que não passa de camuflado egoísmo e expressão da frieza da materialização e coisificação do Próximo.      

Com maior possibilidade de discernimento advindo dos estudos, haverá para cada um mais crítica, auto-crítica e possibilidades de estar consciente da realidade e dos rumos a tomar. As tarefas da empresa nunca serão feitas só para contentar o chefe e colegas, mas para a empresa em si, porque esta está acima de todos seus passageiros no tempo. Não é uma empresa de embalagens, bebidas e veneno etc, é empresa de saúde, de bem–estar, de redução da miséria, doenças e mortalidade infantil. Vale a pena dedicar-se a isto com qualidade pessoal.  

E é bom lembrar que a Sanepar está no limiar de enfrentar uma das suas maiores evasões de capacidades técnicas e pessoais, pois a partir possivelmente de 2015, muitos profissionais de experiência poderão se aposentar e surgirá um gap técnico e gerencial. Haverá uma grande oportunidade para a gente nova que permanecer na empresa.

É bom se manter acordado. O mundo não pára e a empresa vai se ajustando às necessidades do setor de saneamento. Mira o futuro e vive do presente. Muitas oportunidades serão criadas, mas haverá exigência de qualificação e aprimoramento técnico.  Não haverá lugar para incompetentes e protegidos políticos que não correspondam com trabalho e qualidade.

Cada um que se preocupe em fazer a diferença, chocar o senso comum instalado e mudar o ambiente de trabalho para um novo clima de progresso pessoal e coletivo. Cada um pode ser um bom agente de mudança positiva para acabar com as forças da mesmice e da monotonia de gastar horas cheias olhando o computador com coisas vazias. 

Em todo local de trabalho há sempre uma coleção de tipos humanos. Haverá os tarefeiros, seguidores e haverá os pensadores e idealizadores. Há problema quando o equilíbrio é ameaçado e os tarefeiros conseguem dominar o ambiente e estabelecer padrões medíocres de relacionamento, quase sempre voltados à proteção de seu umbigo e status quo, o qual desejam seja imutável, impedindo o  desenvolvimento das ideais de crescimento coletivo e individual. É certo que pessoas sem cultura geral, sem uma visão ampla do processo humano de civilização, meras seguidoras, têm muita dificuldade em desconectar o umbigo na hora de fazer sua análise da conjuntura no mundo que as cercam. Predomina a visão fisiológica, voltada à satisfação do básico na rotina de vida. Ganha chance o individualismo, fica difícil o trabalho em equipe e também ver a empresa como um esforço conjunto para obter resultados para a sociedade.               

Odilon Reinhardt.