segunda-feira, 19 de maio de 2014





  

Perspectivas e Expectativas.

Em meio a uma desfiguração das imagens públicas e a enxurrada diária de casos adversos à vida que sonhamos ter no país, nasce a expectativa negativa, a perspectiva falseada baseada na  promoção de um cenário pretensamente desconexo. 

O ideário popular, atormentado pela insegurança em todos os aspectos e também pela violência com a qual os seres humanos brasileiros estão submetidos como hipótese diária de se tornar a próxima vítima, faz surgir uma expectativa nada positiva sobre o futuro imediato a partir de 12 de junho.

O que deveria ser um evento histórico e de grande fascínio torna-se um evento arriscado a ser pífio e sem cor alguma. A Nação empobrecida, desfigurada e com cara de bolacha quebrada não espera grandes coisas e nem tem mais a esperança costumeira.
A grande expectativa vai estreitando-se na boca pequena do cidadão comum e todos encontram-se apreensivos quanto às manifestações populares que poderão unir e desafogar todas as insatisfações acumuladas. 

Estaria a causa da grande insatisfação no drama da vida de cada um; na impotência para mudar; na falsa visão proporcionada pelo jogo do  mutante cenário político; na incompetência para preencher com atividades e pensamentos positivos; na frustração particular e coletiva; no vazio existencial, que as luzes e coisas dos produtos materiais não conseguem preencher no “progresso” errado num mundo do “ter” e que não respeitou, desde sua concepção, o mundo do “ser”; no uso da Tv e dos momentos diários gastronômicos para preencher o dia, aliás comida toda errada e que tem deixado doente o povo a altos custos para os cofres públicos? 

Talvez estaria então no jogo competitivo da mídia com seu misto de sensacionalismo,  verdade  e falsas verdades; na péssima índole dos que desembarcaram das caravelas; nos limites de nossa intelectualidade umbilical e tacanha; nas tendenciosas análises de certos economistas e observadores políticos e sociais; no catastrofismo; na falta de utilidade de certas teses jurídicas e seus mestrados e doutorados ineficientes; na cultura acadêmica abstrata, formal e carreirista; nos partidos políticos com a ideologia de conseguir  poder.

Talvez então na direita e na esquerda de interesses pessoais; na falta e compreensão da evolução da História e de que algumas gerações passadas, presentes e futuras estão mesmo presas numa etapa do desenvolvimento nacional; nas consequências históricas da burocracia oficial e do paternalismo que nos condicionaram; na incompreensão dos vários sistemas que compõem a vida de um país, dificultando assim a visão sistêmica, mas favorecendo a conveniente alienação do povo; nos desacertos e imprecisões do sistema educacional e nos modelos adotados;na intolerância e impaciência já manifestas; nas consequência da informática, que trouxe avanço fantástico, mas criou comportamentos adversos, gerando operadores de máquinas sem criatividade para elaborar um texto com mais de cinco linhas, sem copiar e colar; na sensação de que tudo é transitório e não vale a pena doar-se a nada e ninguém. 
    
Só em pensar em causas que se acumularam para produzir a vida e o momento atual, já se fica alarmado quanto ao que possa continuar   acontecendo  na sequência histórica.

Entre causas a enumerar ainda temos os erros do passado coletivo, fazendo opções muito ruins e que permitiram a instalação e o realce do individualismo egoísta no materialismo selvagem. Cria-se o ambiente e a mentalidade apropriada para o abandono do coletivo e a inconsequente valorização do umbigo de cada. Tudo repercute na vida do cidadão, na sua família e no seu relacionamento, hoje ameaçado pela necessidade de proteção de si mesmo como última saída, já que reina mesmo a desconsideração do respeito ao Próximo, face o processo já adiantado de individualização e retirada da sensibilização. Há a perigosa substituição da afetividade pelos interesses e conveniências materiais na relação entre pessoas; a decadência do amor e a supervalorização do racional, pratico, imediato, frio e calculista. Sobressai o medíocre, o incompetente, o experto, o aproveitador, o oportunista e o apaniguado político, enquanto os honestos se retiram; os princípios e valores perenes são atacados e suplantados por usos e costumes de modinha; as mudanças e o sentido de obsolescência emprestada as coisas materiais é transposta ao mundo do relacionamento humano gerando muitos conflitos. Soma-se ainda o processo de robotização, massificação e condicionamento para retirar do cidadão o poder de crítica e assim facilitar sua manipulação.

A Nação tem sido submetida, há décadas, a tais causas e as muitas estruturas e instituições oficiais tornam-se obsoletas e local onde poucos trabalham e muitos esperam a aposentadoria. Há uma propagada imagem de descura e negligência com abusivo uso de dinheiro dos impostos numa gestão sem objetivos positivos.

Aumenta a violência como reação e nas cidades o cidadão tranca-se entre grades,senhas e alarmes. As cidades tornam-se caldeirões de maldade e reunião de males contra seus habitantes, gerando sociopatias irreversíveis, em certo ponto geradas pela mídia ilusória e fantasiosa, por vezes demais realista, por vezes fascista, dependem do interesse.

A lista vai longe e mistura-se à sensação de mau gosto de concluir que algo está muito errado.  

O certo é que o evento máximo do esporte nacional, tradicionalmente o circo autêntico e eficaz, está ameaçado pela sua descoloração e falta de luz. O que poderia ser uma vitrine para um país honrado e feliz , vive agora sob a expectativa do que poderá acontecer ou não. Espera-se o negativo. Nada mais significativo e impressionante.

Estaríamos todos sofrendo danos resultantes da mistura e confusão de causas mal avaliadas e consequência que já viraram causas? Pergunta-se se a situação atual não é decorrente do planejamento público e privado , míope e mal pensado;  se o culpado é o semi-analfabetismo; a crença de que temos que ter menos Estado e mais Privado, o hedonismo cultivado pelo consumo a qualquer custo; nossa  preferência pelas férias e feriados ao invés do trabalho e nossa eterna luta contra este último; nas novelas da TV e nas subliminares frases que tendem a veicular a mudança cultural de modo pernicioso para manipular a mente da população; no tráfico de drogas que preenche o vazio dos adolescentes de até 30 anos; pela cultura de corrupção e na intenção de tirar vantagem e fazer-se sem trabalhar; no gigantismo do país onde moram povos em várias etapas de evolução; na simples falta de recursos, na adoção do estilo “aqui-agora é o que interessa”; na implantação de medidas para assegurar o mandato de cada político; no autoritarismo e na anti-democracia dos líderes.
Nosso analfabetismo de mais de 4 séculos e o semianalfabetismo de menos de um século certamente contribuíram em muito para a alienação nacional, o que sempre favoreceu os ocupantes do Poder, os quais que poderiam ter feito uma Nação forte e não uma que vive de crises e segue alienada de uma realidade que não é criticada de modo que tal ignorância leva à banalização e vulgarização das consequências que vão brotando para a atualidade. As soluções são esperadas ainda que surjam de cima para baixo, que os políticos solucionem.

Cada cidadão consciente deve estar perguntando em seu já malhado foro íntimo, quando tudo isto vai estourar? Na Copa, depois da Copa? Onde e quando?

Eis então uma Nação embalada pela negatividade, perdendo sua graça.  Aliás a opção pelo negativo já foi feita há muito tempo. Olhe-se a preferência pelos comentários sempre destacando o pior, as tatuagens com figuras do submundo e do obscurantismo, a abordagem sempre decadente dos fatos nacionais pela mídia, dando a impressão de um todo alquebrado, sem bom futuro desconexo. 
Poderia ser tudo diferente em qualidade, otimismo e alegria coletivo, mas todos e qualquer um construímos isto direta ou indiretamente e hoje estamos diante da expectativa negativa do que pode acontecer daqui para frente.

No silêncio barulhento de seus pensamentos, nossas gentes andam de cabeça baixa, ruas e calçadas são sua via dolorosa. O cidadão tem a cara triste e preocupada e a visão embaralhada para que continue a pensar que ele mesmo é o culpado e a vítima de sua história, sempre marcada pela baixa-estima e pouco futuro. Permanece a síndrome  do cão-viralata, de que somos os últimos na ordem das coisas, de que nada dará certo e não adianta mais nada porque o mundo vai acabar no fim de cada rua.

Seja lá o que esteja para acontecer no cenário imediato, as consequências de tudo já estão ocorrendo há muito tempo e fazem um processo sociológico de difícil reversão. Talvez isto explique porque os protestos da juventude em 2013 eram mesmo para baixar a tarifa de ônibus, embora tenha-se, só no meio dos dias de confusão, dado conotação política quanto aos problemas nacionais de momento.

Nada mudou a não ser o fato de a juventude saber que pode protestar, pois é o futuro dela que está sendo comprometido. Mesmo assim os protestos assumiram depois clara motivação de baderna e vandalismo, como reação de baixa qualidade. 
Mas tudo continuou na sequência evolutiva das consequências já instaladas. Depois de 2013, quantos já foram os escândalos divulgados ? E assim será.

Infeliz a realidade feita de causas e consequências que se cruzam e formam um Brasil grave e pesaroso, onde a vontade Constitucional de  promover o bem de todos, até agora como objetivo nacional tem sido dificultado.

A aparência momentânea de consumo, bens de luxo e gente ascendendo no poder aquisitivo, tem o condão de iludir e camuflar, engando a quem pensa que o material tem o poder absoluto de apagar a miscelânea de realidades intangíveis que têm estado em franco desenvolvimento, preparando armadilhas para a Nação. A insatisfação é silenciosa, individual, perturba a ricos e pobres.

Infeliz verdade de que tudo isto está em evolução e as verdadeiras consequências estão aparecendo lentamente e estarão acumuladas, esperando solução. O entrelaçamento dos problemas nacionais será o visível e será um nó górdio ou para o cidadão, numa linguagem mais moderada, a tal sinuca de bico; para poucos, será a idiossincrasia impiedosa das filosofias menores e maiores, utilizadas inescrupulosamente  há anos por interessados em promover a implantação da manipulação comercial e cultural, que estão afastando os cidadãos, desacreditando as instituições e os bons costumes, provocando o lento processo de desfiguração nacional, mas insistindo que é o “progresso”. As perspectivas de médio e longo prazo preocupam e contaminam as expectativas de curto prazo.

Falta reação positiva, patriótica, amor ao país e ao Próximo, as crianças que serão as gerações futuras, a consideração do futuro da juventude, hoje guiada por modelos errados e de baixa qualidade. Falta pudor, boa fé, solidariedade, virtude, honestidade, ideal e planos construtivos e legítimos. Falta moralidade não só a oficial mas a de muitos cidadãos em seu dia a dia. Falta heroísmo e sacrifício das conveniências pessoais em nome do coletivo. Que se abra mão do conforto pessoal, do favoritismo, das vantagens do nepotismo , da falta de transparência etc.    

Na falta de algo positivo, aguarda-se a “mobilização “, um monstro de mil interesses que estará oculto como sempre esteve. O pensamento é pouco animador. Mas com Copa ou sem Copa tudo que tem caracterizado o país continuará a existir e surtirá efeitos danosos, se não houver reação positiva. Continuaremos a ver a ignomínia, as injustiças e iniquidades, as grandes manobras políticas para encobrir escândalos denunciados, tudo encoberto por assuntos eleitos a dedo e que são colocados na mídia , sendo usados como bois de piranha para distrair a atenção popular, enquanto muito passa desapercebido.

Por hora “o evento”  tem recebido até manifestação contrária, há gente torcendo para que nada dê certo, para que tudo seja um vexame internacional.  A Nação será obrigada a ficar em casa na frente da TV, o grande retângulo, hoje Deus dos lares, fonte de felicidade e prazeres.  Com ou sem repressão policial e militar durante  o evento, continuaremos vendo acontecer crimes hediondos que assustam o mundo, continuaremos a ver a corrupção , a má gestão, a falta de planejamento sério, os desacertos da política. Continuarão a guerra do trânsito e a guerra civil noturna nos bairros da periferia.

Infelizmente, guardadas as proporções, a História do Brasil já viu realidade igual no passado. Não será de espantar se em alguma folha do livro desta História, for registrada o ressurgimento de uma reação conservadora, a radicalização e o autoritarismo com última alternativa para garantir a disciplina, o respeito , ordem e o progresso.    

Observe-se que até a mídia está contida, talvez para não criar uma euforia tal que possa tornar-se  mais uma decepção, caso o Brasil não seja campeão ou seja mesmo desclassificado logo, dando pretexto para manifestações de rua inócuas. 

Será que não teremos mais a oportunidade de viver o verdadeiro Brasil em seus bons aspectos de terra maravilhosa e focar a vida em planos futuros positivos? Cansa viver no negativo e na realidade deteriorada com gente cada vez pior.

Como Nação, poderíamos estar vivendo momentos de uma grande expectativa mundial positiva, uma fonte de alegria num magnífico evento que coloca o Brasil em evidência, mas momentos de jubilo ficam só para a hora fugaz dos gols, mas depois.......

Odilon Reinhardt.                

quinta-feira, 3 de abril de 2014




Ver com transcendência.

É mesmo muito difícil de escapar das condicionantes de momento na vida, porque elas embaçam a visão, perturbam a mente e impedem a consciência.

Por trás de poderosos condicionantes, há um pano de fundo, um cenário verdadeiro, onde está sendo registrado o real progresso individual de cada um e também o da própria Pátria.

Todavia, é exigido um olho especial, o olhar da alma, para filtrar a realidade, despojar-se de todos os aspectos momentâneos, passageiros e perfunctórios do dia a dia para efetivamente ver o pano de fundo. 

Assim é que facilmente temos a visão invadida e distraída para que ela se mantenha turva quando da tentativa de leitura da realidade. Impedidos de ver com nitidez, nossa atenção é voltada para distrações que nos impedem de ver o que interessa, o que é relevante e essencial para a vida.

Diariamente, notícias tendenciosas, plantadas pela guerra do Poder no mundo político e comercial, polarizada entre situação e oposição, tendem a ocupar o noticiário, fazendo o momento, gerando a realidade aparente. O noticiário invade a casa do cidadão, já preocupado com sua vida, seus afazeres e contas; ajuda a construir uma colcha de retalhos de um quadro difícil de ser visto em sua integralidade. A visão da realidade é perturbada pelo caleidoscópio criado; vem cheia de falsas imagens, falsas retas e esquinas, falsas cores etc.

Assim torna-se cada vez mais fácil controlar a opinião, o senso comum, o ideário popular à base de tal fragmentação, gerando uma realidade aparente pulverizada, cheia de factóides, falsos valores, prioridades, cronogramas, falsos prazos em eventos mantidos pelo sistema de pão e circo.

Com esta visão dificultada, difusa, confusa, fica o cidadão perplexo e facilmente é acometido da síndrome de cão vira-lata, com baixíssima autoestima. Sua visão é dispersiva, sem boas perspectivas, é a do agente do caos e da ideia de que tudo esta perdido, desconexo e sem esperança. Exatamente como desejado por seus manipuladores.

O cidadão, já atordoado, foca na sua vida, desliga-se do geral, despreocupa-se com o todo, delega o coletivo para os outros, afasta-se do interesse público geral, guardando para si somente o amarelado sentimento de que algo ou tudo está errado.

Esta ideia de abandono, de desligamento é a chamada alienação. Esta realidade favorece a manipulação à base de propaganda e contra-propaganda, veiculando falsos propósitos e interesses objetivos de momento que o cidadão recebe na sala de sua casa junto a seus familiares, sem saber do que se trata e a onde tudo pode ser encaixado, enquanto na tela de fundo algo está sendo registrado em definitivo. Há um inquietante silêncio, mas na primeira oportunidade criada no dia estoura em violência e represado protesto.  

O cidadão mantido dentro de uma imagem fragmentada fica retido no momento, no passageiro, na onda da moda do dia; é condicionado a acompanhar notícias sem pé nem cabeça e acaba por modelar seu comportamento dentro de planos pessoais igualmente passageiros numa vida dita de curto prazo, de curto pensar e de passageiro existir, preferindo nem pensar na falácia espiritual em que está se metendo. A preferência é pela vida aqui-agora, sem nada de mais aprofundado, para não dizer filosófico.

É a visão que se pode ter, por exemplo, do sobe e desce dos preços anunciados no dia a dia, deixando-se de observar a Economia, a origem e qualidade dos produtos etc. Na variedade e mutação dos eventos e programas que são impostos à visão, não se nota que é a própria vida é que está sendo mal usada. Equivale a dizer que no sobe e desce do dia a dia, deixa-se de observar que a escada está gasta e pode quebrar. São só exemplos para acordar a mente e mostrar que a distração de todos pode ter consequências desastrosas para a vida pessoal e para a Nação.

Cidadãos cegos e destemperados, não conseguem filtrar a realidade aparente e ler o que está sendo escrito no pano de fundo, no cenário da vida, a fim de verificar o comprometimento da própria existência.

Sabedores da presença usual dos mecanismos de dispersão, fragmentação e pulverização da realidade, confundindo o discernimento e o espírito crítico do cidadão, a existência do semi-analfabetismo e uma já criada cegueira coletiva, os interessados em tirar proveito de tudo, intensificam o poder de manipulação e neste sentido impõem modas, hábitos de consumo, agendas e modos de pensar nem sempre de modo tão subliminar. Criam um novo modo de ser, um novo e mágico existir que só contenta aos incautos e inexperientes. Manipulam o país como querem e quando querem e seguem uma linha já há muito tempo traçada.

Assim, fica fácil dizer que “está tudo bom”, “que a vida é assim mesmo”, que “as coisas são assim”, que “ nada se pode fazer”, que “ terra ” é bom para a pele do nariz, etc e os seguidores cegos e contentes, eufóricos e distraídos acreditam em tudo e compram terra etc e assim passam o dia como se o seu tempo de existência de vida não estivesse diminuindo dia a dia bem como suas energias para melhorar. 

Mas como tudo tem um limite, logo a falácia é descoberta, não porque o seja pelo conceito, mas porque outros interessados querem impor sua mentira e precisam de espaço para isto. Os novos brigam para impor aos cidadãos que a terra cria câncer e o bom mesmo é “areia”. O cidadão, então, passa a comprar areia, até que a areia seja suplantada pelo “pó de asa de borboleta” numa próxima campanha publicitária.  

E por consequência, usando terra, areia e pó de asa de borboleta a  vida do cidadão é preenchida no dia a dia, esquecendo que o nariz em nada mudou, continua nariz, mas agora já está em outra idade. A vida passou e a Nação já está com outra tela de realidade, escrita sem a participação dos seus distraídos cidadãos.

Considerando que uma Nação é feita de pluralidade e diversidade de uma população composta de pessoas em idades e estágios de vida diferentes, será difícil imaginar que não existirão cegos e que poucos  enquanto poucos são os que podem ver o cenário de fundo e pensar. Isto porque só é possível ter consciência com educação da mente, experiência de vida, aprendizado pela dor ou amor, pelo pensamento.

Portanto, num cenário de pão e circo constante, haverá pão e haverá circo, platéia, animais e artistas e alguém estará querendo vender terra, areia ou pó de asa de borboleta e haverá compradores para tudo. Isto porque assim é a vida de teatro, enganação e um pouco de lucidez nacional.

Seguir a turma já não é mais seguro. É necessário acordar e ver não só o que estão oferecendo como alimento para comer no dia a dia mas também, e com muito mais importância, o que estão oferecendo para pensar. Com este sistema imposto de distração e manipulação estão mexendo com o Ser da Nação, como seu modo de existir e pensar.  

O desafio é que a esta altura, o individualismo egoístico e o materialismo já tornam quase impossível que o indivíduo comum, tão espezinhado e robotizado em suas tarefas e compromissos, desligue-se da visão curta e tente ver o transcendente quanto mais o futuro, mesmo que imediato.

Seria ideal que cada um tentasse filtrar a realidade presente, infiltrasse seu olhar pelo entrelaçamento das condicionantes atuais e conseguisse chegar à visão real do que está acontecendo com sua vida física e mental por consequência da sucessão repetida de ataques a sua liberdade e saúde.

E assim procedendo, que pudesse avaliar se sua vida futura não está sendo comprometida pelas ilusões atuais. Seria um ato de responsabilidade e carinho com sua própria vida e para com a Nação onde vive, a qual depende de indivíduos livres, pensantes, saudáveis e produtivos.

Odilon Reinhardt.



quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Espaço de Meditação Corporativa. Algo positivo.


 
No mundo corporativo com sua rotina e tarefas diárias sem muita chance de abstração há algumas e poucas Unidades que procuram promover sessões mensais de grande proatividade com o objetivo de integração pessoal de sua equipe. A DF tem promovido desde há muito tempo reuniões mensais com palestras ora com especialistas em áreas diversas, ora com religiosos, ora com psicólogos , todos com o intuito de provocar a ampliação de conhecimentos, auto- desenvolvimento e reflexão pessoal. Tem sido comprovadamente uma oportunidade para humanizar as relações de trabalho. Em 18-2-2014, Dom Pedro Fedalto, veio mais uma vez pela manhã dar sua mensagem com sucesso e boas palavras. Assim, disse: “ Alegro-me por ter água.”

Eis a síntese do agradecimento humano expressado por Dom Pedro Fedalto, mais uma vez entre nós, trabalhadores da água. Com sua sabedoria de 88 anos, memória incomparável, histórico de muitas décadas de sacerdócio, paranaense da Colônia Antonio Rebouças fundada em 1878, conhecedor de vários países , inclusive da África, Dom Pedro Fedalto veio a nós ressaltar a importância da água no Planeta, recurso vindo do Espaço, quando a Terra foi bombardeada por milhares de anos por meteoritos. É recurso finito. Vai acabar. Há sinais disto. O Paraná está ainda cheio de rios, tem água, mas já há rios secando e regiões sem água. Água para os humanos e para os animais. “ Alegro-me por ter água “disse Dom Pedro Fedalto.

Aumenta diariamente a consciência ecológica preservacionista porque o Planeta já dá sinais de seu caráter finito e de sua solidão no Espaço. Não temos vizinho para pedir água. A água é bem sagrado, dádiva divina, elemento essencial para todos e tudo.

Trabalhadores da água que somos, devemos ter orgulho de contribuir para uma empresa que tem um objetivo limpo, relevante e essencial, que serve à Humanidade, aqui neste cantinho chamado Paraná. Contribuímos com nosso trabalho e nossa existência, assim como fizeram várias gerações de saneparianos dos anos 60, 70 e 80, já aposentados e anônimos.

A água é produto universal, é água em qualquer lugar, é item valioso em todo lugar. Todos somos responsáveis pela sua preservação. Mesmo assim as cidades despejam na rede de esgoto milhares de litros de venenos, líquidos de diversa natureza química, óleo de cozinha etc, cabendo à Sanepar purificar a água, sendo-lhe cobrada a eficiência total na devolução aos rios e ao meio ambiente. Não há ainda consciência para se olhar o que todo e qualquer cidadão e empresa está consumindo e despejando na rede de esgotos. Cabe à nossa empresa limpar o líquido da cidade , veneno, e fazê-lo menos nocivo ao ambiente. Órgãos ambientais nos fustigam com multas etc sem olhar a causa maior que é o uso da água e o que a cidade está fazendo com ela.

A nós todos com base na frase de Dom Pedro Fedalto , vale pensar que :

Água de origem estelar,
que veio a nós
para nos fazer viver e andar.

Do rio no meio da floresta,
vem à cidade como presente,
da natureza no que resta.

Líquido de origem sem igual,
única, corre entre os minerais,
é especial.

Água que limpa, que purifica,
que batiza e lava,
água do poço, do rio onde Deus fica.

Na névoa, no orvalho, na neblina,
extratos do lago e do rio,
em sua porção mais fina.

Água, vida,
do nascimento à partida,
água, uma dádiva repartida.

Na nuvem passageira,
a chuva traz água,
água para a cidade inteira.

Água doce, água salgada,
o ser humano que a preserve,
sua vida está nesta fatal jogada.

Água que é bem ou mal utilizada,
água que é jogada fora,
sempre água benta para a gente educada.

No arroio no meio da mata,
aflora a água pura e cristalina,
água que nos abastece até esta data.

Num copo cristalino
o líquido da vida,
nada é mais fino.

A limpidez ,
pronta para se tomar,
a água e sua fluidez.

Metal em líquido,
essência do planeta,
refresco a ser bebido.

Um copo de água ,
vindo do fundo da terra,
do rio que no mar deságua .

Nada mais sublime,
puro, fino, suave, rara,
nada que com ela rime.

A água numa jarra, gelada ,
encima da mesa no dia de calor,
produto da natureza abençoada.

Agradeço por ter água na minha casa,
trabalho de muitos trabalhadores anônimos,
com orgulho temos Sanepar lá em casa.


Odilon Reinhardt.  

Mais uma vez agradeçamos a Dom Pedro Fedalto pela sua visita matinal à reunião do mês, em 18 de fevereiro, promovida pela DF/USFI.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Honorário para advogados públicos é aprovado pela Câmara dos Deputados

O presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho saudou na noite desta terça-feira (04) a decisão do plenário da Câmara dos Deputados, que acolheu no texto do Novo Código de Processo Civil a destinação dos honorários de sucumbência aos advogados públicos.
“Defendemos desde o início da nossa gestão que o advogado valorizado significa o cidadão respeitado”, afirmou Marcus Vinicius.

O presidente destacou ainda que a decisão da Câmara “representa uma enorme conquista para os advogados públicos brasileiros, e reafirma o compromisso da OAB com a advocacia pública, em igual medida com a advocacia privada”.

“O Estatuto da Advocacia e da OAB estabelece expressamente que a prestação de serviço profissional assegura aos inscritos na OAB o direito aos honorários de sucumbência. Os advogados públicos são titulares dos direitos e prerrogativas”, destacou o dirigente.
A medida foi aprovada por 206 votos a 159, mantendo no texto do Novo Código de Processo Civil a destinação dos honorários de sucumbência aos advogados públicos. Esses honorários são devidos à parte que ganhar um processo na Justiça e são pagos por quem perdeu a causa.

O texto-base ao projeto de lei do novo CPC, aprovado em novembro do ano passado, é uma emenda substitutiva do relator Paulo Teixeira (PT-SP) ao PL 8046/10, apensado ao PL 6025/05.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Sinais e Sementes




Há sinais no presente que não estão sendo lidos nem percebidos adequadamente. A banalização e a vulgarização tornam-se hábitos em decorrência da pluralidade e repetição diária. A violência diz mais do que a simples dor da vítima e denuncia um futuro que pode ser comprometedor.
Algo está profundamente errado. Os tecnocratas de todos os governos pensam em saídas materialistas e apresentam soluções inúteis, transitórias e que sirvam tão somente para diminuir o risco de desprestígio político e as consequências eleitoreiras. Contudo, leva-se ao pressentimento de que o Estado brasileiro como instituição, independentemente do governo/inquilino do Poder, está perdendo o controle e dá ao país e seus estados um panorama de avacalhação nos serviços públicos e no papel de regulação dos setores da vida, com reflexo no tecido social, onde o cidadão sofre a penúria do dia a dia.
A cidade já virou um problema. Concentra o ser humano. Vira uma armadilha em cada esquina. O cidadão vive com medo.Medo disso e daquilo. Medo de viver, de conviver, de ser feliz, de falar. Sofre duramente o sistema urbano que ele mesmo ajudou a alimentar, resultante do individualismo e do materialismo que geram sonhos e frustrações em incautos cérebros abandonados, tal a impotência de participar na constante competição e no jogo de comparações entre os seres. A fuga surge como um instrumento útil para desaquecer a pessoa e assim a cidade vive de oportunidades de fuga. As causas para a fuga são desconsideradas, pois as consequências rendem mais necessidades e consumo
Muito tem ocorrido. Se todos os fatos acontecessem no mesmo dia ou semana e na mesma cidade, teríamos o caos humano. Felizmente a violência é diversificada e ocorre em lugares diversos e ainda é uma exceção. Todavia, há sinais de que o Ser Humano não está aguentando o tranco.
No dia a dia e todos os dias somos surpreendidos com eventos chocantes e até inacreditáveis, que nos fazem pensar sobre a natureza humana e sua maldade. Recebemos em casa através de jornais e Tv o relatório diário das barbaridades cometidas de cada Ser contra Ser. Uma chuverada de pessimismo e incredulidade, mesmo que tudo seja ainda exceção. A tendência assusta.
Se observarmos bem as atitudes do Ser Humano na cidade tem evoluído do simples ladrão de galinha, do conto do paco etc,para ações inusitadas à busca de coisas materiais e agressões ao Próximo como: uma escalada de andares de um edifício para furtar ou roubar; formação de gangues para assaltar condomínios verticais e horizontais; sequestros relâmpagos;falsificação de cartões de crédito e de conta corrente bancária; a montagem de estruturas comerciais para fraudar licitações e contratos, assaltando o Poder Público; o furto com substituição de peças novas por usadas em carros deixados para conserto; a entrega de pizza ou flores como meio de assaltar residências e empresas; o golpe do falso taxista; o exercício ilegal da medicina por falsos médicos; o atendimento médico por profissional que engravidava pacientes; a aplicação no corpo de produtos de má qualidade ou de validade vencida; o reaproveitamento de acessórios hospitalares.
O Ser Humano tem agido como um ente perverso, desesperado, tendo perdido o senso de ética e moral diante das dificuldades da vida. Vários têm sido os casos de golpistas que enganam aposentados em empréstimos e no INSS; traficantes acumulam bens de forma surpreendente, ultrapassando as necessidades normais de um Ser Humano e sua possível e natural ganância, num hedonismo exagerado e com evidente vontade de Poder; pessoas comuns cometem atos, que podem causar grandes consequências como o borracheiro que vende pneus frisados; a gangue que vende o gabarito de respostas de provas de concursos; os vândalos que roubam cabos elétricos; as gangues que assaltam escolas para roubar computadores e fazer depredação; o traficante que oferece drogas a estudantes na frente das escolas; os grupos que assaltam ônibus de turismo, fazendas e chácaras; os que se ocupam com esquemas de corrupção de jovens e aliciamento de moças para exportação; contrabandistas de cigarro; os falsificadores de diplomas de graduação; as faculdades que vendem diplomas de profissão; os policiais que assaltam traficantes.
Esta corrida para ficar rico, para ter dinheiro, para não ter que trabalhar, para ter tudo, para ficar “numa boa”, só pode decorrer da falsa visão sobre o valor do trabalho e desenvolvimento pessoal. Algo que desembarcou junto com as caravelas. Aqui, muito tempo depois, trabalhar ainda é sacrifício, é punição. Lutar contra o trabalho é quase uma atitude comum. Trabalha-se aqui com o sentimento de revolta pessoal, de estar preso, esperando a hora de libertar-se . Em vez de trabalhar como atividade integrada à harmonia do dia, muitos lutam contra si e contra o trabalho. A cultura é de ficar numa boa o mais rápido possível.
Há estímulos constantes ao comportamento egoístico e pessoas cultuam um hedonismo exagerado. Cheias de vontades materiais para preencher seus hábitos de conforto e bem estar pessoal, os desejos de consumo não tem limites, deixam de lado o respeito e os escrúpulos quando há qualquer contrariedade, o que gera conflito com o Próximo, pois é levado pelos mesmos interesses pode agir ou reagir. Já é um efeito do individualismo egoístico que está sendo reforçado subliminarmente pelos meios comerciais. Pode tornar-se comum a selvageria do egoísmo de sobrevivência, referenciado pelo medo de perder ou não ganhar e pelo medo de perder o domínio.
Todos os dias escutamos aberrações de comportamento que afogam a solidariedade e a fraternidade, atacam o Próximo e quebram o senso comum. Há gente que desvia donativos destinados a pessoas vitimadas por fatos de calamidade pública; pessoas que fazem ligações ilegais de TV a cabo; escritórios de advocacia para defender traficantes e fazer planejamento tributário no mal sentido de enganar o Fisco; pessoas que dão cursos de como fraudar a fiscalização de obras públicas; hospitais que fraudam o sistema público de saúde; contadores que são especializados em fraudar o INSS; contador que autentica falsamente as guias de tributos; há os que fazem escritórios para captar pornografia infantil; os que fazem redes de pedofilia; padres que se tornam pedófilos; o juiz e o seu assessor que vendem decisões; o cartorário de imóveis que se apossa de terras alheias; o fiscal que vende alvarás; o fiscal de obras que faz uma rede de corrupção; o construtor que usa materiais baratos e areia imprópria para a construção; o vendedor de produtos naturais a granel que só vende produtos vencidos; o funcionário responsável pela coleta do caixa dois; o político que barganha votos e recebe mensalidade para isto; os funcionários fantasmas; a TV denunciando que um cantor famoso em sua turnê pelo Brasil tinha escolta de dois policiais ao pichar muros da cidade. A Juventude deve perguntar porque ela não pode pichar se seu ídolo pode.

Em cada ato, em cada fato do dia pelo país, há sinais de uma insensibilidade crescente, de um abandono do respeito ao Próximo e o sinal maior de que o indivíduo, já condicionado, manipulado e robotizado, está perdendo o controle e dando vazão à sua raiva, ira, ódio ao semelhante. Ainda é uma exceção, mas assusta. Também na década de 1960 eram poucas as pessoas que usavam barbituricos, bolinhas, anfetaminas para sair da realidade como simples diversão. Ninguém dava bolas para isto. Mas a cantora Elis Regina, famosa e rica morreu disso, e foi uma grande perda para a música nacional. Hoje o império da droga está em todo lugar.
Há atos inusitados que vem de indivíduos assombrados por fantasmas internos. Assim, há o jovem que dispara o revólver na frente do bar e mata alguns de seus semelhantes; o namorado que mata a ex-namorada por ciúme; jovens que jogam ácido ou álcool no rosto e corpo da namorada ou o jovem que manda docinhos envenenados para a festa de aniversário da ex- namorada; o violador de crianças e jovens; o grupo que aplica o golpe do boa-noite cinderela etc, etc; o padrasto ou companheiro que mata as crianças da mulher por ciúme; marido que mata esposa e filhos sem explicação alguma; a mulher que coloca fogo no marido para livrar-se se surras diárias; o filho que coordena o assalto à casa dos pais adotivos; existe o bullying nas escolas e a invasão do domicílio através dos computadores domésticos, violando a vigilância dos pais; há falsas babás que adormecem crianças com gás; a cuidadora que maltrata idosos; gente faz redes de exploração sexual da infância e juventude. Mas tudo é entendido como um problema pessoal, uma reação individualizada e nunca um problema social consequente de um sistema de vida inadequado que todos alimentam e levam em frente. O descaso levará a algo pior. A convulsão social seria o caos e o pior caminho para a Nação.
A Cidade dos Homens afunda em atos desesperados e nenhuma autoridade assume a responsabilidade de atacar o problema, pois afinal, a culpa é jogada para os governos anteriores e a um sistema que aparentemente ninguém mais controla. Dizem comumente como justificativa “ é o progresso”, “é a vida moderna” e todos se calam como se nada pudessem fazer. A preocupação é com o dinheiro, com as coisas, tidas como geradoras de sentimentos e emoções. Há os que se ocupam com a falsificação de dinheiro; com a falsificação de CD´s e DVD´s; há os da fábrica de produtos piratas onde relógios e roupas de marca são produzidos; a oficina de clonagem de veículos; o eletricista que faz “gato”, de ligação de luz ilegal; a gangue que frauda a loteria, passaportes etc; há os que falsificam ou contaminam o leite das crianças; há empresas para falsificar gasolina etc. Não há escrúpulo algum. Surgem os canalhocratas que de longe já esqueceram o que é respeito, dignidade, competência, mérito. Difícil deixar de pensar, por um só instante, que tudo isto não vá trazer consequências graves a curto , médio e longo prazo.

É assim o que está ocorrendo no país diariamente. Assustador. O cidadão vive com medo. A cidade exige muito discernimento, o que não existe. O stress social já não é mais desaquecido pelo sistema oficial de “pão e circo”. Há grupos armados de radicais que matam gente de cor, homossexuais, mendigos, prostitutas a título de limpeza; há grupos dos chamados pit-boys que atacam pessoas nas festas e bares sem qualquer critério, só pelo esporte de atacar o Próximo; pessoas são caçadas em arrastões; motoristas são assaltados nos sinaleiros, no portão de casa, no estacionamento; há pessoas ocupadas em usar nomes de pessoas humildes para alimentar esquemas fraudulentos; pessoas que usem nome de falecidos para praticar crimes. A população vive atrás de grades, alarmes, cercas elétricas, senhas e câmaras de filmagem. Já há na cidade lugares chamados cracolândias , ocupados por drogados permanentemente e locais em cidades onde à noite o cidadão comum não pode mais passar. O cidadão tem medo de chamar a atenção, até mesmo de mostrar suas conquistas e seu suposto sucesso material  num sistema cuja finalidade é premiar o vencedor, o campeão.
A mediocridade toma conta e nivela a vida nacional. O normal é orientado pelo padrão medíocre. Não há mais confiança no Próximo. O indivíduo recolhe-se, isola-se. Isto é bom? A desconfiança é geral. A alienação social é consequência obrigatória para que o indivíduo possa concentrar-se na vida do dia a dia, onde pais e mães precisam cuidar da família, colocar comida na mesa. Isto é bom para quem lidera, para quem gerencia o país, pois nada melhor do que um povo forçosamente alienado, deixando de olhar o que acontece, criticar e falar em política.
Mas as consequências não são silenciosas. O Estado está enfermo e a pátria também. Cresce o número de desajustados, deformados, revoltados e segregados. Há violência motivada pelo rancor social das diferenças. A juventude está acordando e vê a discriminação econômica. O que quase todos os materialistas esquecem é que estradas e pontes caídas fazem dano material que pode ser solucionado com a reconstrução, mas quanto custa a recuperação de uma alma amputada, de uma vida morta-viva, etc? A Nação não tem problema de quantidade de terra, riquezas materiais. Seu ponto de descuido, seu ponto fraco é a mente de sua gente, sua educação e formação. É necessário ajustar o nosso capitalismo, porque sem ele, tudo é pior. As cadeias estão cheias. Há impunidade. Pessoas não se amedrontam mais com condenações e prisões horríveis, pois no desespero, o cidadão pressionado busca recursos ou já jogou tudo às favas e parte para a alienação ou para a revolta.
A criatividade e a liberdade de fazer o negativo é impressionante. Denota que o chamado “jeitinho brasileiro” é na verdade uma subutilização de mentes altamente inteligentes. Capazes de montar esquemas e bolar golpes inéditos. e se ocupam também com a falsificação de identidade, cartão de crédito, conta corrente, cheques, assinatura de cheques, clonagem de celular, invasão de contas correntes bancárias; há um verdadeiro telemarketing do crime que vive de golpes por telefone etc.
Há as pessoas que fabricam carrocerias de fundo falso para o transporte de drogas e contrabando; há os vendedores de armas e munição contrabandeada; os lavadores de dinheiro em restaurantes de alto padrão, lojas de luxo etc; há os que montam redes de prostituição nacional e internacional; há o médico que ataca as clientes; o empregado que planeja o assalto à empresa em que trabalha; os empregados que furtam; os porteiros que facilitam assaltos a prédios e condomínios; os que vendem carteira de habilitação para dirigir; os velhinhos que dão golpes; os que corrompem e fraudam a todos; o supermercado que vende carga roubada; o comércio que vende produtos a granel sem controle de validade de prazo para consumo; os que dirigem torcidas organizadas para a violência entre torcidas; a seitas e igrejas onde os pastores corrompem as fiéis.

Onde se pode imaginar, há jeitos de burlar, enganar, ludibriar, tirar vantagem, procurar brechas. No fundo um esquema, uma vontade de ir contra a lei, de fazer tudo para ganhar dinheiro fácil. Montam esquemas complexos que já justificariam uma estrutura empresarial, só que é para o crime, para o negativo. Pergunta-se qual a razão e a causa para o exercício de tal desvio? Por que não se preocupam em fazer o mesmo para o lado positivo? O crime passou a compensar?
As origens de tais mentes dizem uns, que vieram nas caravelas portuguesas, quando Portugal limpou suas cadeias e começou a exilar e punir os criminosos de sua sociedade. O Brasil era o destino para a punição. Nunca se falou em trabalhar, em valorizar o trabalho. Nos trópicos ao sul, o negócio sempre foi enganar a Coroa, ter vida abastada sem muito trabalho, viver na sombra e água fresca a custas do Governo. Realidade bem diferente da trazida pelos imigrantes do século dezenove, que tiveram que trabalhar para vencer. Mas está explicação, usada por alguns não resume toda a origem do sério problema nacional referente a seus recursos humanos. Ademais já estamos há mais de 400 anos dos tempos das caravelas. Aceitar tal explicação seria negar a possibilidade de refinamento do ser humano e da evolução social.
O caso é que aqui parece uma terra de ninguém, arrasada pela selvageria pontual e pela barbárie. As lições cristãs da civilização ocidental parecem ir falhando em preencher a espiritualidade das pessoas. As consequências já são visíveis. Há sinais em toda parte. Pessoas atiram a esmo em restaurantes e bares; pessoas são observadas no comércio, no facebook , no banco, supermercado, aeroportos e são assaltadas logo após; pessoas aliciam menores para o crime; pessoas são explodidas com dinamite, corpos são esquartejados e colocados em malas abandonadas na rua; há os que colocam fogo em ônibus coletivo; usam seus cargos para favorecer o crime; transportam drogas ou fazem contrabando em veículos oficiais; chefes de polícia comandam o crime, jogos, assaltos etc; grã-finos possuem cassinos em casa; policiais roubam e assaltam; pessoas com acesso de fúria saem agredindo e matam na rua; irmãos planejam a morte dos pais; irmãos matam familiares pela herança; pessoas assaltam taxistas; o professor abusa dos alunos, a editora e gráfica são feitas para lavagem de dinheiro, com edições que nunca existiram; funcionários públicos certificam faturas de obras e serviços que nunca existiram; há os falsificadores de bebidas alcoólicas; a gangue de desvio de merenda escolar; a gangue do roubo de carros e motos; o receptador de coisas roubadas; o soldado que furta munição e armas do exército; o fiscal da alfândega que deixa passar; a gangue que assalta cemitérios, a que rouba hidrômetros de água, a que promove arrastão em restaurantes, praias e bares, a que explode caixas eletrônicas em bancos; o padre pedófilo; o dono da panificadora , de restaurante que lava dinheiro; o ferro-velho que compra fios de luz e cabos furtados; a oficina de desmanche de carros.
Ser ou não ser uma vítima é uma questão de sorte. A qualquer momento qualquer um pode estar sendo alvo de algum planejamento criminoso em algum lugar.
Tal cenário desfigura o conceito até hoje de que uma Nação é feita de cultura, de gente, de vida social, etc e depende da saúde física e mental de seus indivíduos, pessoas com planos positivos, projetos saudáveis de vida, dos quais possam se orgulhar e juntar-se ao esforço para valorizar o coletivo. Aqui, pessoas sem objetivos, drogados, bêbados, sem ideias, pessoas sem interesse em progredir, desacreditadas, forçadas à miséria intelectual, doentes, preguiçosas por doença que empobrecem a Nação e a rebaixam entre as demais no mundo. A quem interessa isto? O dia a dia no país gera vítimas sociais de um sistema que todos nós contribuímos para montar. A responsabilidade é direta ou indiretamente de todos.
É isto que assusta em todos os sentidos e cria perspectivas sombrias que levam a crer que ruas limpas, parques novos, portos e rodovias em nada melhoraram o futuro, pois na história do Brasil a miséria material pode estar sendo melhorada mas os crimes hediondos e todos o até aqui mencionados são bem modernos e nunca foram praticados nos séculos precedentes, o que demonstra a desconexão entre condição material e o comportamento. Tanto é que o número de pessoas que mora em áreas menos privilegiadas, pequenas vilas e cidades do interior que comete crimes é mínimo, ficando o crime para o trafico de drogas, políticos e suas redes de influência e avulsos. A grande parte da população vive do trabalho e da fé e esperança, mas é cada vez mais colocada em tentação e risco, pois por natureza uma das necessidades humanas é a de se adaptar, seguir o bando.
Há os que em desespero fazem esquadrões da morte, não se sabe se para matar quem sabe de mais, seus comparsas, negando a instituição da Justiça. O fato é que não acabariam mesmo com os pichadores do patrimônio; com os que promovem arruaças e quebra-quebras do comércio; com os ateliers de fabricação de produtos e roupas com mão de obra escrava; com as redes de lanchonetes e restaurantes da máfia estrangeira no país; com os assaltos a banco com reféns; com o suicídio de jovens em desespero; com a rua de bairros controlados pelo tráfico de drogas; com avisos de bomba em prédios públicos e na Justiça; com as empresas de fachada que foram montadas com empréstimos oficiais; com os apartamentos e casas onde há fabricação de CDs piratas, preparo de drogas etc; com os escritórios de captação de escravas para a prostituição; com os rackers que elaboram planos para invasão de sites e computadores; com a fábrica de selos falsos de correio; com o contador que faz recibos falsos para abater no imposto de renda; simulam acidentes de trânsito para assaltar motoristas; traem a confiança de clientes e usam seus dados para fins de tirar vantagens; vendem cadastro de usuários para telemarketing do crime; usam armas de fogo com se fossem brinquedos; líderes comandam criminosos de dentro da cadeia; invadem hospitais para matar adversários; fazem bailes funk movimentados a drogas, crimes de arruaça, arrastões, depredações e pichações; em assaltos a ônibus prendem as pessoas no bagageiro sem se preocupar com a saúde.
A cada dia o cidadão comum leva seus sustos, mas acaba sendo levado a banalizar e vulgarizar a violência tal é a rotina e a repetição. Pessoas criminosas colocam fogo em ônibus coletivo com gente dentro; atropelam e não dão socorro à vítima afrontando as lições de solidariedade e fraternidade ; pessoas raptam crianças para adoção ou venda de órgãos; pessoas põem fogo em mendigos que dormem nas ruas; pessoas adentram maternidades para roubar recém-nascidos; matam para cobrar dívidas; pagam gente para matar gente por causa de Poder e terras; carteiros jogam cartas e cartões de Natal na rede pluvial ou terrenos baldios; pessoas usam disfacr de papi-noel ou policial para roubar residências; matam em série crianças e mulheres e enterram no quintal. Pessoas continuam bebendo muito antes de dirigir. Mulheres estão bebendo mais que os homens. O trânsito mata mais que uma guerra civil. Não é este um sinal de menosprezo do Próximo e com a própria saúde? Quem bebe e se expõe a isto está desrespeitando seus familiares, seus amigos. No fundo o que está gerando esta necessidade de fuga e de auto-expiação?
Em todos os atos deste naipe, vemos o desrespeito ao Ser Humano, ao Semelhante. Aos poucos cresce a insensibilidade, pessoas tornam-se frias e calculistas, sem escrúpulos e respeito até consigo mesmo. O umbigo assume o local da mente. O que podemos concluir ? Já estamos vivendo as consequências de um capitalismo que não soubemos implantar; já estamos adotando o individualismo egoístico como referência. É visível que indivíduos educados em gerações passadas estão perdendo a identificação com a sociedade para a qual foram preparados, já que os padrões de comportamento estão sendo degradados. Observa-se que as gerações Xuxa , Vídeo-game e celular não aguentam o tranco e estão estourando, deixando de corresponder às necessidades de mão de obra qualificada ou não. Sua atitude mais criticável é a de delegar a educação dos filhos à escola, demonstrando que não sabem como educar e que não possuem tempo para isto. Os modelos a serem seguidos estão podres. A juventude debate-se entre a falta de ordem e disciplina e está interpretando mal a liberdade. Impera a licenciosidade, que parece ser a regra. Com medo de perder eleitores,é proibido proibir. Será que a polícia será suficiente para ensinar pela força?
Como resistência formal, a Constituição da República, o Código Civil e o Código do Consumidor preservam princípios de uma sociedade humana com referência cristã. Solidariedade, fraternidade, perdão, respeito ao Próximo, dignidade etc, ainda são princípios informadores da lei e sua interpretação e representam travas para que tudo não vire uma selvageria. Ainda há na mente das pessoas muito de respeito a tais princípios, mas quando prevalecer o contrário, esta legislação cairá em desuso e uma nova ordem social estará vigendo, a pior delas, a da anarquia e da selvageria pessoal. As exceções criminosas de hoje poderão ir crescendo até serem a realidade comum e usual. Lamentável que o lema “respeite o próximo “ esteja passando a ser “ use o Próximo como desejar”.
O desuso é possível, pois o Direito evoluí e é feito por cada época como arcabouço formal. O perigo é a evolução para o mal e as novas gerações forem tomando a realidade como modelo de ação e reação, tudo contra os princípios cristãos do Ocidente. A imprensa livre tem o dever de divulgar tudo, mostra comportamentos de todo tipo, todos os crimes e barbaridades do dia, cabendo a cada cidadão discernir entre o bem e o mal; para os jovens se não houver alguém para explicar a conduta mostrada, criticando-a, corre-se o risco da banalização e cópia do comportamento. A mesma necessidade ocorre diante de certos comerciais de televisão que põem em evidência a atitude do “experto”, da falta de ética, que traem a confiança e a cordialidade como meio para se obter vantagem. Sem orientação, o que é comercial, filme ou notícia pode virar aula, proposição para ser imitado pela mente em formação ou desavisada, mormente quando o cinema abandonou o lema ”o crime não compensa” como mensagem final. Isto tudo não é feito por máquinas ou vai surgindo sem controle. Material audiovisual é feito por gente, por profissionais. A quem estão servindo estas cabeças?
Com todo este panorama aqui composto, feito de notícias ruins que chovem na casa de todos ao anoitecer, que aparecem nas páginas dos jornais, que são faladas em programas de rádio e que são vividas pessoalmente por tantas famílias dos envolvidos, forma-se a realidade. Facilmente, os fatos de todo dia podem gerar o mergulho do cidadão comum num negativismo de terra arrasada, de tudo perdido etc. Isto convém a alguém, é realismo, é teatro, é sensacionalismo, é oposição política? Tudo em conjunto. Mas apesar dos percalços do caminho espiritual da Nação, materialmente os governos de todas as gerações tem feito a diferença de um Brasil de 1853 para 1954 e para 2014. Poderíamos ter prosseguido mais. No campo emocional, ruas e avenidas novas, obras necessárias e desnecessárias pouco afetam ou melhoram a cabeça do cidadão, tomada pelo stress, pela angústia, pela indignação, pela revolta e por um barulho atormentante no espírito. O país que tem obrigado as pessoas a uma rotina operacional enorme, pesada, pouco se dedica à busca das verdadeiras causas, sendo que as consequências viram causas e marcam uma roda viva que mascara as primeiras razões e causas originais, tornado cada vez mais difícil achar soluções realmente relevantes e eficazes. A visão curta das decisões é inconsequente, voltada para eleições. Grupos eleitos não se desvencilham da cultura de “agora vamos nos fazer”, “ eis a nossa grande chance” e apoderam-se do Poder para fazer seus “jardins encantados”, onde criam tudo para um mundo de ilusões, salários e dias de vitória material e sucesso só para si mesmo.
Como cidadãos pouco podemos fazer, pois temos um voto e podemos, no meio social restrito de nosso relacionamentos, provocar o debate e divulgar críticas. No dia a dia de nossos atos de convivência, temos que estar conscientes de que toda uma realidade está se formando, crescendo e haverá consequências. Temos que diariamente levar em consideração em nossas avaliações que o Próximo está com problemas, anda pela ruas em silêncio, mas tem um furacão dentro de si prestes a explodir. Explode no trânsito, no campo de futebol , num fila de ônibus, na praça, na escola, em casa. O cidadão não está só de “cara cheia”, está de “mente saturada”. Montesquieu ensinou à civilização que o sistema tem que ser construído para que nenhum cidadão tenha medo do outro. Estamos diariamente contrariando esta lição. Estamos criando psicopatas, sociopatas, megalomanos, esquizofrênicos e revoltados sociais. A juventude está captando rapidamente e protesta ainda que inconscientemente. Os protestos de rua e o agora chamado “rolezinho” indicam que há um forte potencial de mobilização que pode sair fora do controle facilmente.
Nesse cenário fica fortalecido o individualismo egoístico, começam a valer mais as frases “quero salvar o meu, o resto que se dane”, citação esta feita aqui com bom Português para não manchar o texto com a verdadeira língua das ruas.
Infelizmente é este o país que estamos todos fazendo no dia a dia. O crime de todo dia ainda é uma exceção. Aparece em locais e tempos diversos , espalhados pelo país, mas está insuflando a instabilidade social e a insatisfação pessoal.
Em cada indivíduo há uma bomba com potencial de exteriorização. Quantos criminosos há que ainda não se manifestaram? Quantos ainda não perderam o controle? Quantos estão esperando a oportunidade de dar vazão a sua ira ?
Se todas as situações mencionadas neste texto acontecessem numa mesma cidade e mês, o que teríamos? As manifestações de rua de 2013 foram um aviso negativo com sinais perigosos. Por sorte e mostrando que há sempre um contrapeso, nas mesmas ruas de revolta, pessoas se aglomeraram aos milhões para ver o mensageiro de bons princípios passar. Mas este mensageiro inspirador não passa pelo Brasil todo dia e é na rotina diária que muitos estão sofrendo. O resultado é que o indivíduo está se encolhendo, ficando com medo e adotando o pensamento negativista. O horizonte fica menor. A Nação encolhe. Qualquer Governo enfrenta problemas graves de recursos humanos. No geral a pessoa retira-se do coletivo, deixa de preocupar-se com a rua e seus sinais, desinteressa-se pelo que não for de seu umbigo. Isto só ajuda a favorecer as minorias que controlam o Poder, tornando-os mais fortes na medida que manipulam as massas, condicionam as mentes e dão a direção errônea do norte na medida em que tornam-se elementos operacionais e meros seguidores. Não que o país viva de filósofos e pensadores, mas é imprescindível que cada cidadão tenha seu espírito crítico livre e seja forte para termos uma Nação forte. Ao contrário, o que temos são cidadãos fracos, negativos, de criatividade conduzida e seguidores de falsos líderes e poderes. A criatividade então passa para o submundo, para a maldade, para o crime, desperdiçando talentos para o positivo.
Assim, aos poucos pode ser que estejamos permitindo a sub-limiar instalação ou já confirmação de uma sociedade baseada na cultura de estelionatários, do tirar vantagem, do enriquecer sem trabalhar, do espoliar o Próximo, do ganha-ganha, da má-fé, de descordialidade etc.
O que será que vai nas mentes de tanta gente, o que será que andam planejando, o que será que todos os sinais não vão evitar? O que será que todos os livros não estão ensinando, que as teses de mestrado e doutorado não estão tratando, que todos juízes não vão consertar, que todos os discursos empolados não vão dizer, que todo os políticos não pensam nem vão pensar?
Em cada indivíduo da Nação em ruas e vielas, em cidades e vilas, há um Ser pensante com uma mente. O que será que ali corre e que nenhum material vai aliviar, que nenhuma coisa vai preencher, que nenhum dinheiro vai comprar, que nenhuma obra pública vai solucionar, que o carro novo não vai trazer, que as viagens não vão solucionar, que as ciências, inclusive o Direito, não vai resolver? É só começar a pensar sobre isto.
O que será que carregam nossos cidadãos trabalhadores, honestos, cumpridores do dever e da rotina que aflige, que comprime, que queima por dentro? O que será que já saiu do limite, não tem governo, não tem escrúpulo, não tem respeito e talvez já nunca terá?
Sinais os há por aí, por todo lugar, por todas as vilas e cidades.

Odilon Reinhardt.