sexta-feira, 26 de setembro de 2014


Tentativa, mera tentativa. 
A Nação só muda lentamente, caso contrário......


E na média chegamos, então, ao que queriam, o cidadão padronizado, seguidor, tarefeiro, sem opinião ou silenciado por falta de interlocutor?

Dia a dia segue a rotina montada para pessoas tornadas vazias, cuja conversa é tipicamente composta do relato de ações e reações operacionais. O relacionamento esvazia e a conversa não passa de um “será que vai chover?”

Triste é a prática de meros seres levados a não ter espírito crítico, levando a vida sem muito assunto, esvaziados, alimentados por coisinhas do dia a dia, sem muito além de futebol, comida e bebida, medos e aberrações do dia que convergem para a banalização de fatos absurdos. Nem se sonhe com a Nação de filósofos e intelectuais ou cientistas. Sonhe-se pelo menos com uma Pátria de pessoas que possam ser livres e possam ter as chance de se tornarem mais esclarecidas e conscientes. A Nação é construída de etapas, muito trabalho e esforço do povo, isto não implica ignorância, escravidão e cegueira programada, a menos que isto seja interessante para grupos que se apossaram do Poder e alimentam tais deficiências humanas a seu favor. Somos um gigante territorial com cérebro ainda em crescimento. Levaremos muitas gerações para passar pelo desfiladeiro que nos separa do futuro melhor para todos.

Teremos que construir com muito trabalho e suor a ponte para esta realidade. Por força da História não ficaremos ricos com ouro e prata e pedras preciosas roubadas de outros países, não teremos prêmios de  guerras de conquista, não teremos piratas a nosso favor. Teremos nosso território, nossa gente, nossa produção e nossas vendas. E estes aspectos movem-se lentamente em evolução histórica. Não haverá milagre.     

Após várias décadas de pregação insistente e perdulária, a realidade nacional produziu o cidadão médio, de todas as classes econômicas, sem muita conversa relevante, sem muita opinião, com medo de expressar, ou pior, sem palavras para expressar o que sente, se é que sente algo de bom para falar.

Mas mesmo nesta situação a que estamos todos submetidos, só há uma sensação dentro de cada indivíduo de que algo está errado e vem crescendo ao longo das décadas. Até o mais alienado cidadão sabe que algo não vai bem. Todavia, qualquer explosão não será coletiva, uniforme e ao mesmo tempo, pode até ser que em casos pontuais como na carestia, mobilidade urbana e saúde ocorram exemplos mais freqüentes de revolta coletiva, mas nada e nunca teremos uma voz só, no mesmo momento envolvendo o país inteiro. A revolta pintada de fatores pessoais e individuais será provavelmente sempre individual, a qualquer momento e voltada para o outro cidadão, numa fila, num hospital, na rua, em casa, no trabalho, na direção do carro. O desabafo do sentimento de frustração, o vulcão interno pode explodir em qualquer lugar de modo violento ou não. Trará conseqüências e tudo será considerado um episódio individual, pessoal, isolado. Dirão sempre “ o cara tinha problemas”, evitando sempre conectar o fato a qualquer problema social, nacional e consequência do que estamos vendo  formar-se já em grau mais grave. Lembrando que a depressão, o abandono pessoal, a desistência da profissão ou da vida econômica, a aposentadoria precoce e outras reações são também um modo de desistência pacífica, mas igualmente danosa para a Pátria. Se um jovem desiste do Brasil, ninguém se apercebe da sua relevância .

Dificilmente o aumento de bêbados e drogados, o aumento de acidentes do trabalho, a desistência do estudar, o abandono do curso superior etc é entendido como um problema de deterioração da malha social por influência do individualismo e do materialismo egocêntricos em que estamos sendo metidos. A falta de sensibilidade, a personalidade fria e calculista não está sendo corretamente avaliada. Sua já visível manifestação através de crimes hediondos é tida como problema individual e de família.

A maioria das ações e reações individuais não contribuem em nada para a Pátria e só criam medo e dificilmente são vistas como denunciadoras de que algo muito mais grave vem se formando e é errado. O desrespeito às características da Nação, promovido por interesses econômicos, só cria confusão de valores na mente do cidadão. Por bens materiais, as decisões passam por cima do humano. Querer implantar valores do individualismo aqui e tão rapidamente, gera aberrações em forma de violência e produzem uma sociedade de conflitos, que nem a polícia nem o Judiciário serão suficientes para solucionar.
   
Violência, radicalismo, extremismo nunca serão a solução para esta crise sem precedentes. A única saída é velha e esquecida, é a educação, a boa formação, o esclarecimento, a discussão focada através dos meios formais. Todavia, a  população ordeira, trabalhadora, honesta, tornada seguidora e tareferia, foi condicionada a esperar soluções de cima para baixo, sem sua participação, põe fé no paternalismo e delega aos seus representantes as decisões. Fica mais fácil assim e tocar a vida. Assim nasceu esta espécie de corretores do poder, os políticos. Estes metidos agora na maior crise de credibilidade da história. Entre eles, face à diversidade e à pluralidade, muitos mergulham na variação de interesses, defendem casos de todo tipo, metem-se em corrupção e esquemas para garantir o Poder e a reeleição. Novamente a população comenta à boca pequena, que entre os candidatos a escolher, não há opção, pois todos roubam, todos nada fazem. Injustos comentários, pois bons políticos os há, mas estes são boicotados porque os demais querem preservar seus esquemas dentro do poder. Serão reeleitos e tudo continuará. Os honestos entre os políticos não conseguem conter as exceções nos parlamentos e todo o legislativo é colocado em foco de exame. Mas quem são nossos políticos, senão a pura expressão do povo? Não são seres especiais, reais ou sobrenaturais, tem origem no povo, são povo, embora alguns pelo tempo de exercício político e a sua profissionalização, já   se achem reais, superiores e pertencentes, eles e suas famílias, a uma realeza virtual. Os nossos políticos são produto e correspondem à evolução do pensamento da Nação.
       
Nosso país já passou por várias crises políticas, todas teatralizadas por estudantes e algumas camadas sociais. Passaram. A crise atual é no entanto não só política, é social, econômica, e de vida em si, e tem conseqüências danosas na medida que apresenta  a perda de identidade, a fragmentação, a dissipação e substituição de valores e princípios nossos, gerando antes de tudo uma crise pessoal para cada cidadão. É esta a célula mater da Nação e dela depende tudo. Se o indivíduo enfraquece, enfraquece sua família e a Nação. Um filho drogado, um pai ou mãe bêbados, um irmão deprimido, um primo preso ou em vias de o ser, um parente que pertence ao crime desestruturam tudo e fazem a vida perder o rumo certo.

Evidentemente que nestas circunstâncias, a prática das máximas cristãs, berço de nossa civilização, tornam-se mais desacreditadas. Some a cordialidade, a educação etc e o  relacionamento entre as pessoas vai às favas. Cada indivíduo afunda num emaranhado de decepções e frustrações que o acompanham no caminho da vida, buscando uma fuga , um desabafo ou o silêncio e a desistência em suas mais amplas  formas de manifestação.

No início de nossa abrupta industrialização, São Paulo e Rio esboçaram reações à forte invasão e transformação da vida. Surgiram as gerações de 50 a 70 que iam mudar o mundo. Hoje pergunta-se o que deu daqueles jovens hippies, dos PTs de primeira hora, etc? Não deu em nada? Conseguiram o diploma ou um cargo público e engajaram-se no mesmo sistema que condenavam? Seguiram a mesma ideologia que agora vemos não dar em nada? De estudantes rebeldes passaram a ocupantes de cargos de decisão, políticos, juízes, advogados, administradores, médicos etc e sua geração tem protagonizado o pior que o país já viu , modelos destestáveis e exemplos abomináveis. 

Todos venderam seus sonhos, nada fizeram de novo e criativo, só copiaram, seguiram e ganharam posição, dinheiro, sei lá, mas nada ou muito pouco mudaram.  Isto porque o sistema é muito maior e os planos de manipulação ultrapassam o tempo de vida de um simples indivíduo. Assistiremos agora e doravante o resultado de décadas de descura, negligência e falta de patriotismo de todos que viraram corruptos, gananciosos, egoístas, materialistas e individualistas egocêntricos cuidando do umbigo em detrimento do país. As conseqüências de terem se vendido a interesses de piratas estrangeiros já são  sentidas por todos.

Foram décadas de gerações mal conduzidas, gerações enganadas, falsos modelos e ideologias erradas. Hoje quando um moleque de rua mata um empresário, altamente qualificado e responsável, já vemos que as conseqüências estão chegando à porta de casa.  Quando vemos que bárbaros depredam lojas e bancos, estamos vendo que as conseqüências estão na rua.   As ações e reações estão aí e são proporcionais ao descuido com as coisas e a alma da Nação.

Em ideologias mensais e modismos de momento, as pessoas foram sendo condicionadas, escoladas, conduzidas a substituição de sua educação em nome de um maior consumo de coisas que poderiam dar mais imposto e adoção de comportamentos doentios. Todas estas ideologias cabem hoje numa caixa de fósforo que pode explodir. Não bastou o acúmulo desvairado de Poder, dinheiro, o império político com carros, casas, fazendas e gado. Agora há um Brasil aberto e explosivo, prestes a dar frutos da plantação de todas as épocas passadas, prestes a falar sem ter palavras para exprimir o que sente, mas cujo comportamento é violento, hediondo como o do bruto bárbaro.

Estamos a conhecer a barbárie antes de conhecer a plena civilização porque todos os dias os meios de comunicação, tão úteis para todos os sistemas de marketing que condicionaram o povo, mostram quão frias, calculista e insensíveis estão as pessoas. Qualquer cidadão olha o Próximo com medo, desconfiança, procurando ali descobrir segundas intenções, que preencham seus medos. Os lares se fecham atrás de alarmes, muros, cercas elétricas, etc. As empresas gastam cada vez seu bom recurso na proteção de seus produtos, sistemas de informática e em treinamento para desfazer os comportamentos dos jovens que entram no mercado de trabalho, onde não encontram muito que corresponda a seus modos de vida e intelecto.

Se o silêncio como modalidade de reação ou ação, contra tudo isto, não explode no coletivo, na rua, o faz no relacionamento com o Próximo, no desamor, na negligência, no relaxo com tudo e todos. O comportamento indiferente ao humano reflete-se nos projetos de obras públicas, nas decisões das autoridades, nas decisões das empresas, no relacionamento entre as pessoas, na gestão privada e pública. Há um descaso como futuro, uma despreocupação com as conseqüências. Vale o aqui-agora, a transitoriedade em detrimento da vida humana e sua verdadeira consideração e qualidade. Valoriza-se a cultura baseada no hedonismo em graus jamais vistos. Vale o bem-estar e mais nada. As mensagens subliminares são: a vida é curta, curta!; não vale a pena entregar-se a nada e a ninguém; para que estudar e ser alguém; o resultado tem que ser para já.
O materialismo oficial é algo chocante e manifesto e é ele que sustenta a mídia para garantir receita tributária. Nem se duvide que o sistema capitalista é o melhor e não há outra alternativa, todavia, há selvageria quando o consumo é forçado e baseia-se em produtos desnecessário, de pouca qualidade e causa problemas de endividamento e de saúde. Como exemplo clássico, que pode demonstrar muito bem o esquema a que estamos submetidos, o cigarro com fonte de tributos  na década de 50 e o descaso com os jovens e as pessoas da época que foram levadas ao vício porque na época a mídia era paga para mostrar o charme e elegância do fumante em filmes e revistas. Décadas depois, estes fumantes morrem nos hospitais e o custo para o país é alto e coloca em crise o sistema de saúde. O fumante morre deixando sua família, seu emprego, seu futuro na Nação. Há inúmeros exemplos idênticos e nada aconteceu ou acontece aos políticos e gerações deles que ficaram ricos ao votar leis e ressalvas em textos de leis para favorecer este sistema daninho. A impunidade é algo estabelecido, pois corvo não come corvo. E hoje quantos produtos estão à venda e farão malefícios em 10 ou 15 anos? O Governo é cediço aos interesses privados, que muitas vezes não passam de atos inconseqüentes de pirataria. A lição nunca é aprendida. A Copa de 2014 revelou isso com clareza. Os pífios investimentos, inócuos para a população, nulos para a saúde, segurança e educação, só arruinaram o comércio local e causaram uma queda no PIB do trimestre, agravando o problema econômico. É assim. Não adianta avisar. Querem pagar para ver. Alguém fica rico , o Brasil mais pobre. 
           
Tudo se passa subliminarmente, enquanto o cidadão é mantido na baia de condicionamento com uma rotina estressante para tentar conseguir manter a vida e seu sustento. Um cegueira alienante.

É o fruto de uma plantação de há muito iniciada e que vem sendo irresponsavelmente mantida e alimentada com distrações promovidas pelo mundo oficial em conluio como grandes promotores da vida nacional, que manipulam e orquestram os dias como bem entendem. Haverá conseqüências maiores do que seres cegos e inconscientes como pilares da Nação?  A robotização, a perda da sensibilidade humana, o comportamento frio e calculista, o menosprezo pela vida e pelos seres humanos já tem apresentado  seus resultados danosos para todos. Ou colocar formol no leite e outras substâncias, falsificar medicamentos etc, esquartejar o marido, matar os filhos   não quer dizer nada?



A falta de crítica, a falta de criatividade, o descaso com tudo e a falta de motivação estão em todos os lugares, em casa e nas empresas. Mas como ser diferente, se o cidadão é mantido na dúvida, na rotina estafante de trabalho e apreensões, inclusive financeiras? Como querer que alguém não se concentre senão no seu próprio umbigo como última fortaleza, diante de uma permanente instabilidade? Esta lida, difícil, controlada e mantida dura, sepulta também muito talento, muitas pessoas inteligentes do país e que nunca tiveram lugar, destaque, nada, a não ser o trabalho duro. A vida, como está sendo conduzida aqui, devora muitos talentos, sepulta sonhos e mata seu futuro melhor; sacrifica a ética, a moral e faz valer o ganha-ganha a qualquer custo. O cidadão comum é colocado como adversário, inimigo comercial ou não, de seus semelhantes. 

Há um desprestígio do mérito, há o nivelamento por baixo. Uma das conseqüências imediatas é que a conversa entre as pessoas torna-se rala, vazia, cheia de mera descrição das coisinhas rotineiras e operacionais, sem muita reflexão, sem conteúdo crítico. A pá de cal em qualquer comentário mais aprofundado é dada  com a frase “ você está filosofando”, nada mais triste. Poucos são os grupos de pessoas que conversam algo com substância. Impera a mediocridade, a visão curta e o hedonismo. Tudo é voltado ao bem estar físico, a pouco fazer, ao nada pensar, à proteção do ganhar sem muito esforço, sem trabalho. Se há alguma opinião mais abalizada, é porque o umbigo está envolvido,o interesse pessoal e raramente decorre de uma visão mais geral, sistêmica, afastada dos pequenos interesses .

Este é o ambiente gerador e que vai dando exemplos à geração dos que nem trabalham, nem estudam nem nada fazem de produtivo. Que país subsiste com isto? Por quantas décadas ainda? O que dará dos cursos técnicos vazio, dos cursos de engenharia abandonados? 

Continuam a prevalecer as máximas do individualismo e do materialismo egoístico,fazendo valer o transitório, o pensar descontraído, o resultado imediato, o ganhar por ganhar, a ideologia do vagabundo hedonista, o reino da mediocridade. Tudo sob o domínio e controle de poucos grupos de Poder que em tudo mandam e programam para a já desmiolada geração de cidadãos vazios, casuais, procurando fugas e alegrias passageiras que os afastem de uma realidade triste e massacrante.

Culpado o cidadão? Culpados esses tarefeiros e seguidores? Seria leviano dizer que a culpa é totalmente da vítima e com isto excluir os idealizadores de tudo isso que os condicionam e os tornam preza fácil de uma idéia para criar facilidades de domínio e de Poder, para com isso fazer prevalecer o maior consumo de inutilidades, a aceitação popular inconteste das decisões e de tudo que lhes convier, a cegueira e a anestesia coletiva, a massificação, a robotização e o condicionamento com padrões, modelos e modas de momento em prol de comandos interesseiros , aventureiros e de piratas estrangeiros.

O cidadão comum, mesmo sob o julgo de tal situação, inconsciente parcial ou totalmente, pode não ter palavras para expressar sua indignação ou sua realidade, mas pensa. Não tem como conversar. Engole seus problemas, sufoca suas reclamações, sabendo que nada ou muito pouco acontecerá sobre os assuntos ou soluções que levantar. Silencia. Explode quando tiver oportunidade,  preferencialmente em situações que possam preservar seu anonimato. Reage assim em situações talvez bem distintas das que originaram sua revolta, ao que as ditas autoridades de momento reagem e não hesitam em caracterizar o evento como vandalismo, terrorismo ou falta de democracia.

No mais, a Nação foi mesmo condicionada a viver alienada, deixando a discussão e a solução dos temas locais e nacionais para os políticos, esperando soluções do alto. Tal aspecto cultural veio pela religiosidade e não desgruda do modo de pensar do povo, o qual fica cego e anestesiado perante o mando e o desmando das soluções descuradas. Nada ajuda. O Judiciário atolado, burocrático, ineficiente, parcial em certos casos e altamente remunerado; o Legislativo em todos os níveis confuso e sem norte; o Executivo incoerente, estrombólico, gastador e ilógico; uma classe política corrupta nadando em um sistema defasado, complexo e cheio de acordos e ajustes ; a vida social dando sinais de falta de boa referência, crescimento dos problemas de relacionamento entres as pessoas, violência familiar, dúvida dos pais sobre o que é certo ou errado neste mundo, aumento dos crimes hediondos inéditos no mundo, aumento da criminalidade e do império da droga, acúmulo de problemas que se entrelaçam dando às cidades o aspecto de falta de governabilidade e condições de vida sustentável. Os crimes domésticos e de rua já caracterizam pela quantidade uma guerra civil.

É visível que o caminho está errado. É o que resultou de décadas desse domínio inconseqüente, da falta de estudo, da falta de cultura geral, da desinformação, da guerra de mentiras virtuais, da falta de educação , da falta de esclarecimento, da falta de verdade, da falta de discernimento, da manipulação de informação, da inconsequente manipulação da mente popular,  da ignorância e do nivelamento por baixo, dos defeitos de avaliação, da falta de ciência, da falta de visão sistêmica para entender e dominar a conjuntura, o que dificulta e não facilita a vontade do cidadão de participar.  

Não há entre os cidadãos o clima para uma conversa particular para pensar, filosofar, trocar idéias, pois o que temos são cidadãos atormentados, inseguros, doentes, instáveis. Não há cultura e sapiência para isto e nem Português para expressar corretamente os sentimentos. O que impera é a conversa operacional de pessoas acostumadas ao fazer por fazer, à prática das coisas do dia a dia. Nesse ambiente nacional, não se dá valor nem se acredita mais numa conversa mais estruturada que leve as pessoas a entender nem que seja parte da  conjuntura. E mais,  há medo de saber, de estar consciente, pois se o cidadão souber onde está metido, não terá como consertar, como se livrar de tal domínio, o que poderá simplesmente redundar no fato de perder fé no que tem e nada ter em troca como alternativa de solução. Dar esclarecimento e consciência a quem está no eito pode acabar em algo mal feito. A preferência é pela ignorância e pelo não-saber como alienação consciente, inocente e pacífica para viver bem com o que tem.  A capacidade de reação positiva, a adoção de novo pensar e agir , novos caminhos, é mínima. Não há reação contra o que está ocorrendo com a Nação.  Isto dá carta branca para que se continue a fazer o que vem sendo feito. Não há mudança nenhuma a vista. Eleições vêm e passam e nada muda para melhor em termos de comportamento. Talvez surja alguma obra nova, aqui , ali, um serviço melhor por enquanto, mas isto não é mais suficiente para preencher o vazio do cidadão, o qual só pensa em fugir. Por isso para muitos continua a haver escuridão nos dias de sol. Há falta de luz interna, há dúvidas e pouca solução humana.

O Estado e seus políticos continuam a crer que as soluções materialistas e suas obras são a solução única de progresso pessoal; acreditam que uma ponte nova, uma avenida ou um estádio de futebol podem mudar o mundo e ser fonte de progresso. Mas então porque tanta violência, tantos problemas humanos nos centros urbanos? Por que só aumenta a criminalidade na industrialização? Por que as pessoas entram em depressão e deixam de estudar, trabalhar e produzir? Por que há tantos casos de conflitos pessoais e matrimoniais? Por que a família não é mais a prioridade? Não se pode entender, pois a rua está limpa, o prédio é novo, o carro é O KM e de luxo, a avenida foi inaugurada ontem, a praça está iluminada, todos têm televisão e celular. O mundo  material está uma beleza, mas o cidadão por dentro......  .

Já nota-se a desqualificação de mão de obra, a falta desta, a falta de técnicos , de engenheiros projetistas, estudantes abandonando o curso de Engenharia porque não acompanham o cálculo, a má qualidade de médicos e advogados etc; a educação nunca como prioridade, os altos índices de reprovação, a evasão escolar etc. E mais, medidas dos Governos para escamotear e tapear tais realidades. Isto tudo então não vai dar em nada, não vai trazer consequências para o  país? È necessário ler entre as linhas e ler os sinais dados pela realidade bem como o intangível que ali existe. Mas quem consegue, com tantas fontes programadas de distração? É necessário que o cidadão consciente saiba, nas entrelinhas do dia a dia, ler e estressar os cenários para ver as tendências que estão nos levando para o futuro. A Copa do Mundo, por exemplo, foi um verdadeiro celeiro desse exercício. Foi possível ver a Nação, o país e o povo agindo. 

Cansado e assustado o cidadão tentam buscar proteção. Bons profissionais abandonam a profissão, aposentam-se antes da hora, desistem e sua substituição é precária. Há vagas que necessitam ser preenchidas, isto ocorre com qualquer um, não importa  mais a qualificação.  Dane-se o curriculum, o que importa é que é “gente nossa”, eis o lema de muitas administrações.

Os seguidores e tarefeiros de todos os níveis sociais são mantidos nesta lida, controlados em seus desejos mais íntimos, em suas vontades, em seus gostos, em seus objetivos. A toda hora há anúncios e comerciais mexendo no intelecto do cidadão de todas as idades. São levados a pensar que o problema é geral, uma situação para a qual o Ser Humano mostra-se impotente em controlar, pois é o progresso, a modernidade, o avanço dos tempos. Todos são mantidos em seu nível econômico e cultural, amarrados as suas características tradicionais, forçados diariamente a  acreditar que não podem fazer nada, que o problema é dos outros e a solução deve ser dada pelos outros. E mais, pensam que o que está ocorrendo é comum a todos os países. Esperar, olhar para cima, ter fé e esperança que alguém irá resolver tudo.

É que o objetivo sempre foi o domínio, o controle de muitos por poucos. A cultura política é autoritária, antidemocrática, violenta na reação e tem sucesso à mediada em que o cidadão de todas as idades é silenciado, manipulado, sem recursos e mantido de cabeça baixa, aceita , vota fácil e segue e faz suas tarefas sem muito protesto a não ser por mínimas questões básicas de vida como transporte no bairro, atendimento no posto de saúde, falta de creche, uma rua sem asfalto. Nunca veremos na rua uma passeata por temas de fundo e de mais filosóficos e existenciais, apesar de serem estes os pontos cruciais para a Nação do modo como a mesma está sendo conduzida e manipulada. Nem a religiosidade está dando conta do problema atual.

Assim, de resto, tudo continua dominado e controlado, com a população em silêncio ensurdecedor e poucos usufruindo de benefícios do Poder quase absoluto, face o quase perfeito entrelaçamento garantido pela troca de favores, alianças políticas etc. A população, origem de todos as autoridades e políticos, vota como massa de manobra, vota por critérios que refletem o nível intelectual, ou seja, porque o candidato é bonitinho, simpático, carismático, fala e se veste bem, é rico e não precisa roubar, etc. Não se vota em idéias e propostas nem ideologia.  Vota-se em quem aparecer mais e tiver mais dinheiro e a melhor propaganda. Vota-se emocionalmente. Por falta de critério que leve em conta o espírito público e os interesses do país, esclarecimento, visão geral ou discernimento não há garantia alguma que por muito tempo a população ainda continuará votando nas eleições pelo faro, com o umbigo, visando o seu microcosmo, seus benefícios pessoais. Continuaremos a decidir em quem votar pegando “santinho” no chão no dia da eleição. A alienação é total durante a campanha e em 2014 nunca foi tão explícita. Os candidatos não comovem.   

Entre os políticos o debate de temas nacionais de fundo é marcado pela polarização e pelos interesses partidários e suas alianças comprometidas. Se existir proposta ou ideologia, valem só para a eleição, depois são esquecidas, pois o “jogo” é outro e o mundo político engole o mais puro e sincero político.

Ainda veremos muito nesta vertente, com a evolução da história de todos os casos chegando a um agravamento de uma crise sem precedentes. Quando o homem–comum efetivamente notar que seus sonhos básicos de ter uma casa, um carro e uma aposentadoria, talvez uma família e filhos, foram traídos, haverá uma reação sua ou de seus descendentes.

A quem querem os políticos e governantes enganar com este jogo teatral de direita e esquerda, enquanto se sabe que são todos pertencem à mesma cultura , ao mesmo saco de farinha e desejam o Poder com a mesma intenção predatória? Ademais, neste teatro de sessão contínua, o cenário econômico é que está  comprometido depois de tantas décadas  de espoliação do país, de modo que os políticos que vierem a serem empossados em 2015 nada poderão fazer na fazenda do Brasil, com sua limitação de pessoal, produção e cultura. Ainda demoraremos tempo para crescer porque é a forja do tempo que constrói a Nação, embora sua destruição possa ser feita em poucas décadas.  Infelizmente a rapidez no crescimento econômico não pode acompanhar o avanço tecnológico e a mudança de vitrines na feirinha de informática e eletrônicos . No momento há mais fatores de destruição do que construção.

Os políticos prometem, mostram planos bisonhos e depois nada fazem a não ser mudança de gestão, modos de administração na  mesma coisa, dão maior ou menor divulgação de seus atos na imprensa mais ou menos e todos agem do mesmo modo porque têm pouco espaço para manobras. Ademais, os políticos hoje estão profissionalizados, tal a complexidade do mundo que montaram em seu clube fechado. Só eles entendem dos entrelaçamentos, jogos e amarrações da vida política, de modo que se tornou difícil a participação de qualquer cidadão ,por mais idealista que seja. Eleitos novatos, estes perdem pelo menos 2 anos para entender a dinâmica do legislativo e suas entranhas.                              

Desde a menor Câmara Municipal, espalhando-se por todos os níveis de poder, a intenção básica inicial é “ agora eu vou me fazer”, querendo  dizer, vou fazer tudo para me aproveitar e ficar rico. E neste caminho, a venda da alma é o passo mais corriqueiro. A imprensa por sorte tem mostrado muito da realidade do mundo político. A transparência hoje é uma conquista da sociedade, todavia, pode também acarretar o desinteresse dos cidadãos honestos em participar da política face a sujeira da politicagem. O preço é muito alto para participar, talvez isto já explique o porquê de sempre os mesmos estarem disputando cargos eletivos, da falta de opções e da escassez de bons líderes. O individualismo tem também este efeito de fazer o cidadão não se interessar pelo todo e pela coisa pública.

Enquanto isso, o cidadão comum dá tudo de si para conseguir sobreviver, manter sua honestidade pagando impostos, segue sua vida e tem fé e esperança. O país, apesar de tanto esforço pessoal, atola seu futuro na burocracia, na falta de moralidade, pudor e encoberta ilegalidade de seus dirigentes. As gerações atuais não sentem que quem está tendo a vida futura comprometida são elas mesmas.  Elas é que pagarão pelo que está sendo feito. Enfrentarão resultados de decisões erradas e danosas, tomadas a longo tempo atrás e também agora. Verão consequências quentes de soluções aplicadas para satisfazer o imediatismo politiqueiro.  

O cidadão esvaziado em conceitos e formação, sem cultura, insensível, robotizado, massificado, condicionado é o ápice de sucesso de tudo isto, ao passo que o domínio do medíocre estabelece-se para controlá-lo e conduzí-lo ao bel prazer de seus interesses apátridas.

Na permanência da evolução dos problemas cruciais que afetam a Nação e a irresponsabilidade das decisões políticas, o país tem perdido e perderá mão de obra e produtividade para a violência em suas mais variadas modalidades do dia a dia, para a depressão pessoal, para os que se abandonam, para os cidadãos que emigram. O país envelhece, quem e como vai se trabalhar e produzir com qualidade e segurança?

O país foi construído pela iniciativa privada, por empreendedores, investidores que acreditaram em suas idéias e empresas, sem as quais não há impostos. Sem tributos como viverá o Governo de todas as épocas e sua ideologia desconexa? Sem trabalho não há casa, carro, viagens, alimentos, saúde etc. A Nação empobrece. O povo adoece.

A falta de recursos cria a dependência. Fica fácil que o Poder e seus habitantes transitórios de cada momento tornem-se falíveis, cediços aos interesses externos, de modo que tal proceder faça o país se ajoelhar às instituições externas, sem nada opor. Altera-se a legislação, os costumes, os comportamentos para acomodar interesses de piratas. São os poderes superiores, as forças terríveis, das quais falou Jânio Quadros ao renunciar à Presidência da República, deixando o país sem entender o que isto significava naquela época. Estes poderes agem no escuro, através de políticos, mudam as leis, pintam e bordam e o povo segue sua lida honesta, dedicando-s à luta perpétua pela melhor condição de vida. 

Ao longo de décadas e décadas, independentemente do governo, só pode-se notar o avanço de um a implantação adversa que reforça cada vez mais enfaticamente princípios do individualismo egoístico e tal força pressiona governos e o “establisment”, de modo que até mesmo partidos fortes em ideologia quando eleitos mudam de orientação, tal a pressão vinda de fontes de Poder que desejam preservar seus interesses e lucros. Inegável que o Brasil de hoje distanciou-se materialmente do Brasil de 1945, surgiram muitas cidades, muitos produtos e facilidades, mas a que custo humano? Poderia ter sido diferente se o progresso fosse qualitativo. Hoje a degradação do tecido social em suas milhares de faces ameaça o uso de muitas conquista materiais. Empreendimentos não saem de projeto porque não há mão de obra.

As conseqüências estão aí no dia a dia e sua influência maior ataca subliminarmente o cidadão, a base da Nação, tornando-o alienado, vazio, insensível, condicionado, frio, calculista e forçado; como última saída, a solução é cuidar de seu umbigo, algo bem individualista e egoístico, tutelado pelo materialismo desenfreado, baseado no consumo de bens na maioria inúteis. “ Danem-se os outros! Quero salvar a minha parte! Não tenho nada a haver com isto! Etc, são frases comuns que explicitam o que está acontecendo.

Apesar das qualificações e posições que cada um possa ter na sociedade, somos todos um só povo. Ninguém que pense que não é. Somos povo e povão. O mais alto funcionário do Poder Judiciário ao sair do cargo não é mais nada, a não ser cidadão e povo. Da mais alta autoridade ao mais desprotegido cidadão, sem título algum, todos somos cidadãos e povo. Podemos ter diferenças quanto ao preparo para a vida funcional, mas no básico somos seres humano, todos passíveis de condicionamento, de uniformização, o que pode diminuir em intensidade de acordo com o esclarecimento e consciência, mas seja lá como for somos todos responsáveis pela nossa casa, o Brasil de todas as vilas e cidades e suas realidades. Ninguém que se ache pior ou melhor, por seus bens materiais e posições transitórias, porque a Nação é o barco onde estamos e somos responsáveis pelo seu navegar. Todos os cidadãos têm valor, não podem ser reduzidos a meros tarefeiros sem importância. Na luta contra o assalto a empresas públicas e aos megas esquemas para garantir o financiamento de campanha ou seja lá o que for, todos devemos acordar e votar com consciência .

Nas eleições de 2014, votarão cidadãos de todo o país nos lugares mais  distantes, exercendo sua fé na democracia e na vontade de participar. Apesar do cidadão estar atordoado, desmotivado, cansado de sua lida dura; apesar de todo dia receber uma chuverada de notícias ruins e pessimistas, é necessário votar e mostrar ao pensamento político dominante, que continuar como vem conduzindo nos últimos 50 anos a coisa-pública não está certo. A esperança é que tanto o cidadão comum quanto o empreendedor, o empresário pequeno grande, não sejam afetados pelo pessimismo orquestrado e possam continuar lutando e construindo , gerando empregos, caso contrário  teremos o algo muito pior.

A grande maioria das pessoas é afetada grandemente pelo clima que é emprestado ao país através da mídia ou da percepção de que na sua rotina algo está errado. Cidadãos continuam a luta diária pela manutenção de seus sonhos de vida, todavia, numa vida produtiva que os agride e diminui, emburrece, bitola e condiciona, fazendo-os perder algum talento, o potencial e a inteligência criativa por mau uso de suas capacidades. A limitação intelectual de um povo é praga que marca gerações por muitas décadas. A cegueira decorrente só favorece a alguns e por algum tempo. Já é um mal sinal quando pessoas graduadas não tem criatividade, tornam-se tecnocratas e tarefeiros sem opinião e mesmo assim têm a falsa sensação de estarem progredindo funcional e profissionalmente. O próprio mau uso do dinheiro público já não seria a demonstração da falta de criatividade que esconde a verdade feita de incompetência e falta de horizontes mais largos?  Não seria o nosso modo de gestão pública e as idéias de interesse público de dirigentes no país inteiro, um sinal do cidadão vazio e alienado, eleito para o  exercício de um cargo público, embora sempre colocando sua omissão na falta de recursos.

Mantendo o cidadão atordoado, endividado, condicionado e cego, fica tudo mais fácil, pois neste quadro o cidadão fica vulnerável, eis que fragilizado e dependente de sua abatida economia pessoal; é mais fácil tê-lo por manipulável e manobrável. Mega interesses podem esmagar um cidadão, como uma pulga, se for necessário aos seus superiores interesses, pois compram a todos e a tudo se for o caso. São brasileiros que se acreditam bem superiores, que com seus descendentes vivem do Estado e acreditam ter direito absoluto de usufruir e usar o Estado para seus interesses, pois dedicaram a vida inteira a ele. São brasileiros que atuam a seu favor e tudo por dinheiro, fazem negócios pagos com 30 moedas apátridas e milhares de euros e dólares. Ao primitivo tempo de Jânio Quadros, as ditas forças terríveis eram uma ou poucas, hoje são plurais e de fontes diversas, internas e externas, mas todas perversas , apátridas e sem compromisso com a Nação. Ninguém atreve-se a contrariar seus interesses. A grande massa nem desconfia que é simples massa de manobra no dia a dia de suas rotinas mantidas tresloucadas, feitas para ocupar-lhes a existência e distrair-lhes a mente.   
              
Em eventos nacionais e internacionais, mostramos a nacionalidade acima de qualquer governo. Temos o Brasil na veia, mas forças superiores fazem com que o cidadão fique cego, condicionado e tal cegueira é danosa. Vota por critérios emocionais já antes mencionados, mas na  hora da falta de hospitais e equipamentos de saúde, educação, segurança etc, todos sofrem por igual. A responsabilidade é de todos.

Se no futebol e nos esportes torcemos pelo Brasil, por que nas eleições o mesmo sentimento não é  tão forte e consciente?

A Nação mora em um país de uma diversidade enorme. Temos no mesmo tempo, realidades do 1º ao 4º mundo. Por maiores as previsões, análises, projeções, adivinhações e chutes sobre os caminhos da Nação e do Brasil, economistas, sociólogos, psicólogos, políticos, filósofos não conseguem lidar com nossa imensa idiossincrasia, nossa mistura nacional, que de certo modo prejudica mas também protege o país contra ações e planos radicais.  Aqui nada dá certo como planejado pelas tais forças superiores porque tudo tem que ser adaptado as nossas múltiplas realidades e facetas. Nossa diversidade e diferenças regionais, sociais , culturais etc, impedem qualquer regime do mal de ter sucesso prolongado.

Com corrupção, com farra de dinheiro público, com mau uso de recursos, com obras públicas sem necessidade, com planejamento voltado para interesses de quem está no poder em qualquer governo e em qualquer época, nada consegue ser fórmula, regra, panacéia para o país inteiro, todavia, pelo meio de tudo, tem avançado as tendências e a implantação do individualismo pernicioso e danoso para a Nação. Como pano de fundo do teatro nacional, há o desenvolvimento de algo mais grave, de algo mais triste que afeta o modo de ser do cidadão, seu comportamento, sua espiritualidade e acaba enfraquecendo-o e ao mesmo tempo facilitando a implantação de interesses da tais forças superiores.  A população distraída pelo cenário aparente não nota que estão lhe sabotando a mente e de seus descendentes, sob a desculpa de que é o progresso, os novos tempos, a modernidade.

Dos que ainda usam arco e flechas até o astronauta brasileiro, da miséria existente em seu grau mais acentuado até o mais alto intelectual, encontramos de tudo e tal quadro é difícil de ser pintado numa tela só, de modo que teremos que conviver com muitas realidades por muitas gerações para ver no que vai dar na sucessão dos anos, regimes, governos que ainda vamos enfrentar, mas fica cada vez mais certo que cidadãos individualistas, materialistas, insensíveis, frios e calculistas só irão piorar o quadro ou quadros futuros a serem pintados.

No teatro montado, todos nós somos distraídos para eventos tais que não permitem ver o pano de fundo, o cenário permanente que está sendo mudado subliminarmente. A praga do individualismo está sendo disseminada través de propaganda publicitária, onde se vê exemplos tais de descaso ao amor ao Próximo, à renúncia, ao perdão, à solidariedade e outros itens que compõem a base espiritual da Nação.  Com tal praga o cidadão e seus jovens pensam ser auto-suficientes, um todo que se auto basta, vivem numa fantasia até que  precisem do todo e quando isto acontecer verão que o todo não corresponde a seu umbigo. Deste ponto em diante ficará reforçada a vida sem equipe, sem convivência, sem necessidade do todo e a derrota do Ser será inevitável.

O Brasil que acorde logo de seu berço esplêndido porque o futuro está sendo comprometido e em alto grau.   Quem bolou e vive deste esquema , não quer saber disso; depois da terra arrasada parte para outras terras em outro continente ou para nos nossos vizinhos. É o futuro de gerações que estão nascendo que estão tendo seus dias comprometidos.

Que não se brinque de votar, que não se brinque com nada, a Nação está correndo o sério risco que vai muito além de uma derrota no futebol, da falta de estradas e hospitais , de falta de segurança etc.

Infelizmente, por muitas gerações ainda veremos o que temos visto. Esta não é felizmente uma Nação que verá revoluções armadas e guerra civil militarizada, mas cada cidadão terá que enfrentar seus inimigos com o voto. Sua única chance de participação. O voto é a arma mais democrática para liquidar com o corrupto, como representante dos interesses superiores, com as forças terríveis, com o ladrão, com o mau político, com o mau gestor do dinheiro público, do campeão da imoralidade .

Não é luta fácil, é trabalho lento. Não haverá nova nação, nem Brasil diferente, nem país novo. É luta do tempo e muitos votos ainda serão gastos até que seja o Brasil de todos da Nação preservada em suas melhores bases espirituais .

Já será um começo, o voto certo, justo, honesto e também será um ato bom que cada pai, cada mãe poderá fazer para começar a cuidar da célula mínima da Nação, a sua casa, a sua própria família e sua própria vida e ali restabelecer os princípios perenes da vida e da convivência.

Se não fizermos nada para acabar ou diminuir a força das tendências do individualismo, não haverá vencedores nem individuais nem coletivos. Nenhuma Nação subsistirá que possa valer à pena e poderemos ver muitos jovens desistindo do Brasil.  A persistirem as tendências atuais, pode-se prever que todo o entrelaçamento e o jogo dos políticos será tão somente mais um dos emaranhados burocráticos do país e não dará bons resultados. E ficamos todos pasmados, vendo a parte comer o todo, acreditando cegamente que tudo isto é “progresso”.

Uma vez o Contra- Almirante Saldanha da Gama em 1893 em seu manifesto disse: “ Compatriotas! Os povos que abdicam de seu direito não podem queixar-se dos seus opressores....Mostrai que não somos um povo conquistado,mas um povo livre e cônscio dos seus destinos”.  Mal sabia Saldanha da Gama no começo da República quanto e o que ainda ocorreria  nesta temática.


Odilon Reinhardt.   
  


terça-feira, 12 de agosto de 2014



Advogado e Justiça.

Impossível desassociar o advogado, aqui considerados os homens e as inúmeras mulheres, da luta do cidadão contra as incongruências da vida. O eterno porta-voz entre o povo e o Estado, entre o cidadão e seus pares. Em suma, o carregador de problemas com o compromisso de resolvê-los.
No dia a dia, na solidão da vida intelectual, há a procura de argumentos, de palavras, de prejulgados e de clientes. Estes não descem do céu. Alguém diria que advogados são masoquistas, pois caminham na contramão da vida, procurando problemas para resolver e disso tirar seus honorários. Advogados, seres de cabeça baixa, carrancudos, severos, preocupados, parecendo já não sorrirem mais, tendo perdido a sensação de poder viver a vida.
Então, o que moveria tais seres, senão a vontade de ver a Justiça realizada e a paz social bem serem restabelecidas?
Tal idealismo hoje está cada vez mais difícil de ser mantido face o sistema gerado que favorece o materialismo e o individualismo em nosso despreparado país de origem cristã. Já se pode antever que clientes não vão faltar, pois a sociedade norteada por tais princípios gera cada vez mais conflito entre as pessoas, quer seja no campo pessoal, profissional quer seja no comercial. Com a diminuição da sensibilidade e da prática dos princípios cristãos de amor ao Próximo, perdão, renúncia etc, é de se ver que os conflitos já fazem o Judiciário, abarrotado de processos, buscar modos de agilização.
Outro aspecto que dificulta a manutenção do idealismo do advogado são as tendências atuais numa sociedade ainda marcada pelos traços da mudança do agrário para o urbano. Neste sentido as falsas mensagens dadas direta e indiretamente de que tudo é transitório, de que nada é para sempre, de que a decadência dos objetos materiais também existe para os valores humanos de convivência, de que a vida é curta etc. Tais mensagens criam ações e reações motivadas pela ansiedade, pela impaciência e intolerância e acabam tornando as pessoas atormentadas e instáveis.
O estudante de direito, o advogado, o Juiz, o promotor não estão imunes a tal orquestrada e proposital propaganda, pois quem não quer bons salários, bons carros , boas casas, férias e viagens para fugir do corroído centro urbano? O erro é aceitar que tais desejos sejam instigados com ansiedade, competição e comparações. O erro é pensar que tudo virá como passo de mágica e da noite para o dia, sem esforço, sem o necessário tempo e sem sacrifício do lazer e conveniências pessoais. A sensação de incompetência, de insatisfação, de frustração parecem ser a consequência espelhada na depressão e no vazio do cotidiano. Isto leva a atitudes bem comuns como a do estudante de Direito, que querendo valorizar a prática desdenha a teoria, o advogado e outros que se metem em causas e defesas de esquemas imorais, querendo obter riqueza que o livre de vez do penoso trabalho judicial do dia à dia.
A vida, como ela está sendo transformada no nosso país, não favorece muito o trabalho intelectual, a vida dedicada aos livros, o esforço pessoal para chegar a objetivos de longo prazo e a vida regrada por princípios cristãos da convivência. Surge assim para o advogado o desafio maior que é o de vencer as más tendências da sociedade e persistir numa profissão que exige dialética, argumentação, intelectualidade, horas de estudo e concentração, paciência e persistência, burocracia e muitas horas de procedimentos em pesados processos.
Não esqueçamos que o cliente, já condicionado pela mídia e pressionado pelas tendências impostas, exige rapidez também. Seja ele pessoa jurídica ou física, o seu problema demanda uma solução rápida, pois sua vida não pode ficar parada.
Está visível que o desafio posto é para super pessoas, algo como fazer alguém se confessar em pleno salão de baile. Navegar contra o vento. Somente com estudo, inteligência, persistência, força moral, poderão os novos e antigos advogados vencer este desafio.
E ainda temos, apesar de todas as dificuldades, o Poder Judiciário já dando sinais de fracasso total. Hoje está se tornando uma estrutura cara para o contribuinte e ineficiente para atender a sociedade. Passa a ser questionado e ridicularizado. Com o aumento de conflitos, ainda temos o sistema arcaico de um Juiz por Vara. Pretende-se buscar a agilização através da informática, mas isto só sobrecarrega cada Vara e seu escravizado Juiz e encarece o exercício da advocacia exigindo um caro aparelhamento dos escritórios de advocacia; através de arbitragem, a qual tem se revelado insuficente para muitas causas; através de soluções de Direito Processual, o qual está cansado com o cipoal que criou ao longo dos anos.
Assim, quando chega o 11 de Agosto de cada ano, vemos cada vez menos júbilo e motivo para satisfação, isto porque a classe dos advogados está gasta, está cansada e cada vez mais preocupada.
Resta apostar no talento, na vitória de cada um em vencer os desafios da vida como ela está se transformando e num tremendo esforço pessoal para prosseguir no estudar e buscar cada vez mais esclarecimento para vencer.
Desistir jamais. Tenhamos como exemplo o fato que durante a Ditadura Militar de 1964 a 1981, quando muitos dos direitos constitucionais foram suspensos, os advogados não desistiram. Continuaram batendo na rocha até que ela esbugalhou-se. Hoje não há um regime militar, há algo muito pior e cabe a cada advogado estar alerta, buscar ar novo de cada manhã e esperança dentro de si mesmo para continuar exercendo esta nobre profissão, que muitos a querem apagada e inoperante.
Salários e honorários incompatíveis com a responsabilidade assumida, faculdades sem condições de funcionamento, produzindo bacharéis enganados, um Judiciário de estrutura arcaica, forças sociais de tendências bastante fortes, atuando sobre os desejos individuais e o comportamento social, são desafios da vida atual, mas isto parece ser nada perante a vontade determinada pelo desejo de ver a Justiça prevalecer como ideal humano.
Nada será pior do que chegar a ver um advogado que tenha deixado de lutar e que passe a viver com sua alma amputada, vendida e corrompida pelo vazio de uma vida vulgar sem ideias, um mero e cego seguidor, descomprometido com seu contínuo aprimoramento, enfim um tarefeiro.
Odilon Reinhardt.

quarta-feira, 30 de julho de 2014



Cantareira. Um aviso.
 
Ano de 2025. O cenário tornou-se deserto. Acabou a água. São Paulo, arremedo de cidade americanizada, chega a seu limite. A companhia fornecedora de água vai a pique. Aviso ignorado. A Natureza chega ao limite. A população se apavora. Correm os políticos. Justificativas. Promessas de recursos.  Obras. Mas não tem mais água.

Em 2014, houve medidas tímidas como racionamento ao início, para não afetar a imagem política. Logo surgiram campanhas de redução de consumo. Restrições. Consumo em dias alternados. Depois não tinha mais água e apesar de toda a tecnologia e informática, não havia quem inventasse água. Faltou visão, planejamento, controle, investimentos. Houve excesso de ganância ? As atitudes foram sempre para garantir a receita crescente para garantir os acionistas? Sabe-se lá. Não havia  mais água.

Apesar de a falta de água ser um conhecido caos para todos, o foco neste texto é mais amplo. O caso leva mesmo a outra realidade. O limite da cidade. Esgota-se o espaço, já verticalizado ao extremo. Esgotam-se as alternativas de  mobilidade. O humano não entende, pois tinha tudo por eterno e infinito.

Foi assim que nos idos de 2014, o caso Cantareira foi um gravíssimo aviso para as cidades, todas de portas abertas para todos, concedendo alvarás de construção e ocupação, permitindo tudo que a iniciativa privada e pública desejasse no campo imobiliário. A moda era garantir o “progresso”. Mega prédios, mega loteamentos, sem olhar os verdadeiros recursos e o meio ambiente. Valia o aqui-agora, a política do momento, o progresso, a garantia de expansão do consumo como fonte de impostos, as eleições. Uma corrida tresloucada que logo encontraria limites mais graves.

As cidades, já tornadas em centros de adoecimento da população, verdadeiros centros de psicopatia, preocupavam-se com o material, com a mobilidade urbana, ganhava o candidato que tiver melhores alternativas para o transporte, para o trânsito, para assuntos que ainda podiam ser melhorados, mas chegou o momento em que tudo estará esgotado. Ignoravam o limite do que ilusoriamente tinham por ilimitado.

Exploradas pela ganância de novos negócios e um idiótica modernidade,  as cidades ficavam na mão de interesses de momento, eleitoreiros ou não. O relevante é colocado de lado, em último plano, não rendia votos. Prevalecia a insensatez, o planejamento desconexo e a arquitetura chã e vazia de eufóricos arquitetos sem gosto nem prazer. 

Os sinais de esgotamento aparecem aqui e acolá. O caso Cantareira era grave, mas passou com pouca expressão, eis que misturado a notícias outras do dia a dia. Fazia parte das preocupações para o futuro, mas no momento somava-se ao  caldeirão de notícias, todas fracionadas e diversificadas, colaborando assim falsamente para a amenização dos impactos de certos assuntos graves na população, que inconsciente, seguia sua rotina cega e inconseqüente. 

É assim que a persistirem as tendências atuais e seu persistente agravamento, sem que se observe nenhuma mudança na condução da gestão pública e nos hábitos da população, as cidades terão que fechar suas imaginárias portas e viver entre seus virtuais muros, face o esgotamento de seus limites geográficos e recursos naturais. Ficarão cada vez mais discriminatórias e desiguais, cada vez mais insustentavelmente caras para o ser humano.

Ocorrerá a resultante de imposições não democráticas, do uso da máquina pública para atender interesses privados e públicos  de duvidosas pretensões, da implantação de interesses de balcão e sua manipulação no legislativo, da ausência de decisões para beneficiar o povo em câmaras municipais inoperantes e alienadas, dá má aplicação dos recursos públicos, dos desvios, das maracutaias etc. Teremos, então, enfim, a cidade contra seus cidadãos; um amontoado de prédios dependentes, no limiar da falta de luz e água.

Já temos, hoje em 2014,  exemplos em cidades do interior, onde por vezes só há água transportada de outros lugares. É só o começo. Cantareira é um sinal grave a ser lido.

É mesmo incrível pensar que com tantos rios indo para o mar, vai faltar água em muitas cidades e será muito caro levar água para muitos lugares. O transporte e o tratamento ficarão cada vez mais caros. Mesmo em Curitiba com tantos mananciais, já vimos a estiagem e a ameaça de ficar sem água. Uns milhões a mais na população e estaremos em outra realidade.   

No espaço urbano já estão surgindo limites antes tidos por inexistentes. Políticos só têm a visão umbilical de 4 anos e não enxergam limites para seus interesses de reeleição. O futuro a Deus pertence.

No espaço mundial, há exemplos copiosos da limitação em vários setores. A  China não quer mais gente, estimula a saída de sua população para outros lugares do mundo, cobra imposto sobre crianças nascidas; Israel vai acabar com seus rios e assim por diante. O Japão recicla todos os tipos de materiais. A cidade de Caracas na Venezuela, diante da pane governamental, mandou os cidadãos tomar meio banho e se possível só aos sábados. Curitiba quer mais barragens para garantir o futuro. Adeus Parque Bariguí, pode virar reservatório. 

O uso da água será cada vez mais seletivo, caro. Sua produção exigirá mais custos de operação. O reuso aumentará e será obrigatório dentro das residências e fábricas. O uso da água da chuva aumentará e esta água, poluída,  não servirá só para limpeza, será para beber. Ninguém ousará restringir diretamente o ir e vir como direito constitucional, mas por outros meios haverá restrições de alvarás para construção e ocupação urbana, barreiras tributárias etc. Mudar para a cidade ficará mais difícil e caro; mesmo a  periferia terá seu espaço esgotado.

Talvez a cidade cobrará uma tarifa extra por consumo de água além de uma certa cota por pessoa. Lavar calçadas e carros só com água da chuva. Haverá restrições sérias ao despejo de certas substâncias no esgoto doméstico que possam encarecer o tratamento. A Indústria terá que rever seus produtos químicos utilizados para reduzir o veneno de hoje. Curioso será se surgirem medidas proibitivas e restritivas como a de lavar roupas mais do que duas vezes por semana; haverá para esta regra e outras tantas os fiscais de uso d´água com poder de autuação e aplicação de multa. Aumentará o furto de água. 

O cidadão urbano que se prepare, viver na cidade será caro e restritivo a muitos hábitos de hoje. Hoje a cidade já não resiste a 1 semana de greve  no serviço de coleta de lixo. Após esgotarem os estoques, não resiste a 3 dias sem água, 2 dias sem luz, 2 dias sem produtos da horta, leite e carne. Isto mostra que a cidade depende de uma regularidade, um equilíbrio e já está vivendo no limiar deste. Um fantasma que mora nas suas entradas. 

Pode ser que a Cantareira não seque por completo, mas já serviu para encher o futuro de grandes sinais de aviso e alerta, como os que arriscamos prever para o ano de 2025,no início do texto.

Neste sentido, - Psiu! Garçon! Por favor um copo de água! - Perdoe senhor: água potável só nos sábados e domingos! Tem da chuva de ontem, serve?!

Odilon Reinhardt.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Sementes da nacionalidade.

Copa do mundo. Evento histórico, nacional. Fato histórico, nacional e inesquecível. Para uma criança, iniciando sua vivência no país onde nasceu, no pré-escolar, nos primeiros anos de compreensão, sem entender de nada, já viu a escola em festa para os dias das mães, entendeu o que é ter mãe, para o dia dos pais, entendeu o que é ter pai e família; de repente, a escola enche-se de festa, um clima sem igual, onde impera o verde e o amarelo em bandeirinhas, fitas, bolas e tudo mais, com as tias usando camisetas de igual cor; há festa para um tal “Brasil”. A criança vê o arredor se preparando, escuta nomes novos como Copa do Mundo, Brasil, brasileiro e mais, espera com certo ar de surpresa a chegada do tal “ Brasil”, que a tia fala, deixando no ar uma mística enevoada coberta de alegria e festa. A criança vai para casa, cheia de coisas para contar.

A festa na escolinha empolga, a criança vibra de euforia e tenta contar aos pais o que viveu, o que a tia disse e seu relato é de enorme animação.

No outro dia, chega a hora de ir para a escolinha e a mãe diz à criança que não tem escolinha hoje. A criança, com o choro meio que parado nos olhos, diz” mas a tia disse que lá vai ter “Brasil”. Aqui em casa não tem Brasil. Quero ir na escolinha....”.

A mãe e o pai acodem como salvadores da pátria e dizem ” aqui vai ter Brasil, ele vai chegar hoje, pode esperar!” A criança sossega, acredita nos pais, pois quer ver o “Brasil” chegar, como na escolinha.
Na azáfama diária da vida brasileira, o pai e a mãe se desdobram na tarde de trabalho normal, dão um jeito, compram camisetas, bandeirinhas, bexigas, fitas e tudo mais, tudo para levar o Brasil da criança para casa.

À noite tudo já estava instalado, a casa estava em festa; a criança, cheia de alegria infantil, disse: “ agora aqui tem Brasil, mãe, como o da tia! “

Escutei este relato numa mesa cheia de processos e coisas para fazer, mas entendi, de pronto, sua simples, mas intensa significação.

Na frase “Quero ir na escolinha, lá tem Brasil!” , apareceu na criança um sentimento novo, o aspecto essencial para a nacionalidade, o amor à pátria, que jamais será tirado, esquecido. Nasce um valor superior a tudo.

E este valor permanecerá por toda a trajetória da criança, como pano de fundo, para sua vida num Brasil enorme, cheio de oportunidades, aberto ao mundo, terra de Deus, onde ela deverá viver e conviver durante sua existência. Não importando o governo, a qualidade dos políticos e sua cultura, as crises econômicas e os erros e acertos das autoridades, o sentido de nacionalidade será completado e permanecerá intacto como sentimento, que acaba da nascer naquela criança, que ainda não entendeu bem o que é o Brasil ,o país, o Paraná, Curitiba e seu bairro, etc, mas já tem dentro de si a semente, a marca para ser brasileira.

Eis a importância unificadora do esporte, do futubol no caso. É por isso que a “ Copa do Mundo” é uma festa da nacionalidade, da criança que quer ver o “Brasil” como na escola, do menino que faz seu gol no jogo de rua onde ainda é Pelé, é Neymar, é Huck, da adolescente que usa a camisa da seleção, dos adultos que enfeitam sua casa para mostrar aos filhos que ali tem “Brasil”, dos idosos que já cansados, ainda olham cada jogo como se fossem eles cada jogador brasileiro, esperando a hora do gol.

Assim, nesta história familiar da minha colega Dra. Lorena Moro Domingos, de seu marido Ricardo e da pequena Gabriela, nasceu um dos aspectos da nacionalidade, pura, colorida, cheia de alegria, como a do momento de Gol.

Eu escreveria páginas e páginas sobre isto, mas não vou massar ninguém com isto, embora o tema seja atraente. Basta desejar à Gabriela muitas alegrias em sua nacionalidade brasileira, sentimento marcante que será independente das vitórias e derrotas do futebol ou qualquer outro esporte, pois viverá alimentado por uma diversidade de outros aspectos do país, de sua gente e sua cultura, fazendo a Nação brasileira.

No povo brasileiro, há um sentimento arraigado de nacionalidade, nascido possivelmente na vida de cada criança, numa vitória no futebol, na fórmula I, no volleyball, num desfile de sete de setembro etc, etc. Sentimento inalienável, insubstituível, de modo que nenhum obtuso partido político, governo, grupo de arruaceiros, platéia de falsos revoltados, a título nenhum, tem o direito da afastar o povo deste sentimento, mormente numa Copa do Mundo de Futebol.

Se no Brasil, o futebol é expressão da nacionalidade, o Governo , os políticos, os blackblocks etc que respeitem o povo e sua festa de nacionalidade. Problemas políticos, econômicos, graves problemas sociais, a luta entre situação e oposição, sendo todos os políticos farinha do mesmo saco, compõem problemas que se arrastam há décadas e afetam diretamente o povo, mas este agora, neste momento, quer pausa, quer viver sua nacionalidade em termos concretos. Sua festa de alegria e cores, seja na mansão do mais rico seja nos barracos da família sem recursos, seja na empresa maior, seja na sapataria ou no chaveiro, é a mesma e vem de dentro onde há a nacionalidade, em qualquer circunstância, seja derrota ou vitória, permanece o valor maior. 
 
12/6/2014.
Odilon Reinhardt.

segunda-feira, 19 de maio de 2014





  

Perspectivas e Expectativas.

Em meio a uma desfiguração das imagens públicas e a enxurrada diária de casos adversos à vida que sonhamos ter no país, nasce a expectativa negativa, a perspectiva falseada baseada na  promoção de um cenário pretensamente desconexo. 

O ideário popular, atormentado pela insegurança em todos os aspectos e também pela violência com a qual os seres humanos brasileiros estão submetidos como hipótese diária de se tornar a próxima vítima, faz surgir uma expectativa nada positiva sobre o futuro imediato a partir de 12 de junho.

O que deveria ser um evento histórico e de grande fascínio torna-se um evento arriscado a ser pífio e sem cor alguma. A Nação empobrecida, desfigurada e com cara de bolacha quebrada não espera grandes coisas e nem tem mais a esperança costumeira.
A grande expectativa vai estreitando-se na boca pequena do cidadão comum e todos encontram-se apreensivos quanto às manifestações populares que poderão unir e desafogar todas as insatisfações acumuladas. 

Estaria a causa da grande insatisfação no drama da vida de cada um; na impotência para mudar; na falsa visão proporcionada pelo jogo do  mutante cenário político; na incompetência para preencher com atividades e pensamentos positivos; na frustração particular e coletiva; no vazio existencial, que as luzes e coisas dos produtos materiais não conseguem preencher no “progresso” errado num mundo do “ter” e que não respeitou, desde sua concepção, o mundo do “ser”; no uso da Tv e dos momentos diários gastronômicos para preencher o dia, aliás comida toda errada e que tem deixado doente o povo a altos custos para os cofres públicos? 

Talvez estaria então no jogo competitivo da mídia com seu misto de sensacionalismo,  verdade  e falsas verdades; na péssima índole dos que desembarcaram das caravelas; nos limites de nossa intelectualidade umbilical e tacanha; nas tendenciosas análises de certos economistas e observadores políticos e sociais; no catastrofismo; na falta de utilidade de certas teses jurídicas e seus mestrados e doutorados ineficientes; na cultura acadêmica abstrata, formal e carreirista; nos partidos políticos com a ideologia de conseguir  poder.

Talvez então na direita e na esquerda de interesses pessoais; na falta e compreensão da evolução da História e de que algumas gerações passadas, presentes e futuras estão mesmo presas numa etapa do desenvolvimento nacional; nas consequências históricas da burocracia oficial e do paternalismo que nos condicionaram; na incompreensão dos vários sistemas que compõem a vida de um país, dificultando assim a visão sistêmica, mas favorecendo a conveniente alienação do povo; nos desacertos e imprecisões do sistema educacional e nos modelos adotados;na intolerância e impaciência já manifestas; nas consequência da informática, que trouxe avanço fantástico, mas criou comportamentos adversos, gerando operadores de máquinas sem criatividade para elaborar um texto com mais de cinco linhas, sem copiar e colar; na sensação de que tudo é transitório e não vale a pena doar-se a nada e ninguém. 
    
Só em pensar em causas que se acumularam para produzir a vida e o momento atual, já se fica alarmado quanto ao que possa continuar   acontecendo  na sequência histórica.

Entre causas a enumerar ainda temos os erros do passado coletivo, fazendo opções muito ruins e que permitiram a instalação e o realce do individualismo egoísta no materialismo selvagem. Cria-se o ambiente e a mentalidade apropriada para o abandono do coletivo e a inconsequente valorização do umbigo de cada. Tudo repercute na vida do cidadão, na sua família e no seu relacionamento, hoje ameaçado pela necessidade de proteção de si mesmo como última saída, já que reina mesmo a desconsideração do respeito ao Próximo, face o processo já adiantado de individualização e retirada da sensibilização. Há a perigosa substituição da afetividade pelos interesses e conveniências materiais na relação entre pessoas; a decadência do amor e a supervalorização do racional, pratico, imediato, frio e calculista. Sobressai o medíocre, o incompetente, o experto, o aproveitador, o oportunista e o apaniguado político, enquanto os honestos se retiram; os princípios e valores perenes são atacados e suplantados por usos e costumes de modinha; as mudanças e o sentido de obsolescência emprestada as coisas materiais é transposta ao mundo do relacionamento humano gerando muitos conflitos. Soma-se ainda o processo de robotização, massificação e condicionamento para retirar do cidadão o poder de crítica e assim facilitar sua manipulação.

A Nação tem sido submetida, há décadas, a tais causas e as muitas estruturas e instituições oficiais tornam-se obsoletas e local onde poucos trabalham e muitos esperam a aposentadoria. Há uma propagada imagem de descura e negligência com abusivo uso de dinheiro dos impostos numa gestão sem objetivos positivos.

Aumenta a violência como reação e nas cidades o cidadão tranca-se entre grades,senhas e alarmes. As cidades tornam-se caldeirões de maldade e reunião de males contra seus habitantes, gerando sociopatias irreversíveis, em certo ponto geradas pela mídia ilusória e fantasiosa, por vezes demais realista, por vezes fascista, dependem do interesse.

A lista vai longe e mistura-se à sensação de mau gosto de concluir que algo está muito errado.  

O certo é que o evento máximo do esporte nacional, tradicionalmente o circo autêntico e eficaz, está ameaçado pela sua descoloração e falta de luz. O que poderia ser uma vitrine para um país honrado e feliz , vive agora sob a expectativa do que poderá acontecer ou não. Espera-se o negativo. Nada mais significativo e impressionante.

Estaríamos todos sofrendo danos resultantes da mistura e confusão de causas mal avaliadas e consequência que já viraram causas? Pergunta-se se a situação atual não é decorrente do planejamento público e privado , míope e mal pensado;  se o culpado é o semi-analfabetismo; a crença de que temos que ter menos Estado e mais Privado, o hedonismo cultivado pelo consumo a qualquer custo; nossa  preferência pelas férias e feriados ao invés do trabalho e nossa eterna luta contra este último; nas novelas da TV e nas subliminares frases que tendem a veicular a mudança cultural de modo pernicioso para manipular a mente da população; no tráfico de drogas que preenche o vazio dos adolescentes de até 30 anos; pela cultura de corrupção e na intenção de tirar vantagem e fazer-se sem trabalhar; no gigantismo do país onde moram povos em várias etapas de evolução; na simples falta de recursos, na adoção do estilo “aqui-agora é o que interessa”; na implantação de medidas para assegurar o mandato de cada político; no autoritarismo e na anti-democracia dos líderes.
Nosso analfabetismo de mais de 4 séculos e o semianalfabetismo de menos de um século certamente contribuíram em muito para a alienação nacional, o que sempre favoreceu os ocupantes do Poder, os quais que poderiam ter feito uma Nação forte e não uma que vive de crises e segue alienada de uma realidade que não é criticada de modo que tal ignorância leva à banalização e vulgarização das consequências que vão brotando para a atualidade. As soluções são esperadas ainda que surjam de cima para baixo, que os políticos solucionem.

Cada cidadão consciente deve estar perguntando em seu já malhado foro íntimo, quando tudo isto vai estourar? Na Copa, depois da Copa? Onde e quando?

Eis então uma Nação embalada pela negatividade, perdendo sua graça.  Aliás a opção pelo negativo já foi feita há muito tempo. Olhe-se a preferência pelos comentários sempre destacando o pior, as tatuagens com figuras do submundo e do obscurantismo, a abordagem sempre decadente dos fatos nacionais pela mídia, dando a impressão de um todo alquebrado, sem bom futuro desconexo. 
Poderia ser tudo diferente em qualidade, otimismo e alegria coletivo, mas todos e qualquer um construímos isto direta ou indiretamente e hoje estamos diante da expectativa negativa do que pode acontecer daqui para frente.

No silêncio barulhento de seus pensamentos, nossas gentes andam de cabeça baixa, ruas e calçadas são sua via dolorosa. O cidadão tem a cara triste e preocupada e a visão embaralhada para que continue a pensar que ele mesmo é o culpado e a vítima de sua história, sempre marcada pela baixa-estima e pouco futuro. Permanece a síndrome  do cão-viralata, de que somos os últimos na ordem das coisas, de que nada dará certo e não adianta mais nada porque o mundo vai acabar no fim de cada rua.

Seja lá o que esteja para acontecer no cenário imediato, as consequências de tudo já estão ocorrendo há muito tempo e fazem um processo sociológico de difícil reversão. Talvez isto explique porque os protestos da juventude em 2013 eram mesmo para baixar a tarifa de ônibus, embora tenha-se, só no meio dos dias de confusão, dado conotação política quanto aos problemas nacionais de momento.

Nada mudou a não ser o fato de a juventude saber que pode protestar, pois é o futuro dela que está sendo comprometido. Mesmo assim os protestos assumiram depois clara motivação de baderna e vandalismo, como reação de baixa qualidade. 
Mas tudo continuou na sequência evolutiva das consequências já instaladas. Depois de 2013, quantos já foram os escândalos divulgados ? E assim será.

Infeliz a realidade feita de causas e consequências que se cruzam e formam um Brasil grave e pesaroso, onde a vontade Constitucional de  promover o bem de todos, até agora como objetivo nacional tem sido dificultado.

A aparência momentânea de consumo, bens de luxo e gente ascendendo no poder aquisitivo, tem o condão de iludir e camuflar, engando a quem pensa que o material tem o poder absoluto de apagar a miscelânea de realidades intangíveis que têm estado em franco desenvolvimento, preparando armadilhas para a Nação. A insatisfação é silenciosa, individual, perturba a ricos e pobres.

Infeliz verdade de que tudo isto está em evolução e as verdadeiras consequências estão aparecendo lentamente e estarão acumuladas, esperando solução. O entrelaçamento dos problemas nacionais será o visível e será um nó górdio ou para o cidadão, numa linguagem mais moderada, a tal sinuca de bico; para poucos, será a idiossincrasia impiedosa das filosofias menores e maiores, utilizadas inescrupulosamente  há anos por interessados em promover a implantação da manipulação comercial e cultural, que estão afastando os cidadãos, desacreditando as instituições e os bons costumes, provocando o lento processo de desfiguração nacional, mas insistindo que é o “progresso”. As perspectivas de médio e longo prazo preocupam e contaminam as expectativas de curto prazo.

Falta reação positiva, patriótica, amor ao país e ao Próximo, as crianças que serão as gerações futuras, a consideração do futuro da juventude, hoje guiada por modelos errados e de baixa qualidade. Falta pudor, boa fé, solidariedade, virtude, honestidade, ideal e planos construtivos e legítimos. Falta moralidade não só a oficial mas a de muitos cidadãos em seu dia a dia. Falta heroísmo e sacrifício das conveniências pessoais em nome do coletivo. Que se abra mão do conforto pessoal, do favoritismo, das vantagens do nepotismo , da falta de transparência etc.    

Na falta de algo positivo, aguarda-se a “mobilização “, um monstro de mil interesses que estará oculto como sempre esteve. O pensamento é pouco animador. Mas com Copa ou sem Copa tudo que tem caracterizado o país continuará a existir e surtirá efeitos danosos, se não houver reação positiva. Continuaremos a ver a ignomínia, as injustiças e iniquidades, as grandes manobras políticas para encobrir escândalos denunciados, tudo encoberto por assuntos eleitos a dedo e que são colocados na mídia , sendo usados como bois de piranha para distrair a atenção popular, enquanto muito passa desapercebido.

Por hora “o evento”  tem recebido até manifestação contrária, há gente torcendo para que nada dê certo, para que tudo seja um vexame internacional.  A Nação será obrigada a ficar em casa na frente da TV, o grande retângulo, hoje Deus dos lares, fonte de felicidade e prazeres.  Com ou sem repressão policial e militar durante  o evento, continuaremos vendo acontecer crimes hediondos que assustam o mundo, continuaremos a ver a corrupção , a má gestão, a falta de planejamento sério, os desacertos da política. Continuarão a guerra do trânsito e a guerra civil noturna nos bairros da periferia.

Infelizmente, guardadas as proporções, a História do Brasil já viu realidade igual no passado. Não será de espantar se em alguma folha do livro desta História, for registrada o ressurgimento de uma reação conservadora, a radicalização e o autoritarismo com última alternativa para garantir a disciplina, o respeito , ordem e o progresso.    

Observe-se que até a mídia está contida, talvez para não criar uma euforia tal que possa tornar-se  mais uma decepção, caso o Brasil não seja campeão ou seja mesmo desclassificado logo, dando pretexto para manifestações de rua inócuas. 

Será que não teremos mais a oportunidade de viver o verdadeiro Brasil em seus bons aspectos de terra maravilhosa e focar a vida em planos futuros positivos? Cansa viver no negativo e na realidade deteriorada com gente cada vez pior.

Como Nação, poderíamos estar vivendo momentos de uma grande expectativa mundial positiva, uma fonte de alegria num magnífico evento que coloca o Brasil em evidência, mas momentos de jubilo ficam só para a hora fugaz dos gols, mas depois.......

Odilon Reinhardt.                

quinta-feira, 3 de abril de 2014




Ver com transcendência.

É mesmo muito difícil de escapar das condicionantes de momento na vida, porque elas embaçam a visão, perturbam a mente e impedem a consciência.

Por trás de poderosos condicionantes, há um pano de fundo, um cenário verdadeiro, onde está sendo registrado o real progresso individual de cada um e também o da própria Pátria.

Todavia, é exigido um olho especial, o olhar da alma, para filtrar a realidade, despojar-se de todos os aspectos momentâneos, passageiros e perfunctórios do dia a dia para efetivamente ver o pano de fundo. 

Assim é que facilmente temos a visão invadida e distraída para que ela se mantenha turva quando da tentativa de leitura da realidade. Impedidos de ver com nitidez, nossa atenção é voltada para distrações que nos impedem de ver o que interessa, o que é relevante e essencial para a vida.

Diariamente, notícias tendenciosas, plantadas pela guerra do Poder no mundo político e comercial, polarizada entre situação e oposição, tendem a ocupar o noticiário, fazendo o momento, gerando a realidade aparente. O noticiário invade a casa do cidadão, já preocupado com sua vida, seus afazeres e contas; ajuda a construir uma colcha de retalhos de um quadro difícil de ser visto em sua integralidade. A visão da realidade é perturbada pelo caleidoscópio criado; vem cheia de falsas imagens, falsas retas e esquinas, falsas cores etc.

Assim torna-se cada vez mais fácil controlar a opinião, o senso comum, o ideário popular à base de tal fragmentação, gerando uma realidade aparente pulverizada, cheia de factóides, falsos valores, prioridades, cronogramas, falsos prazos em eventos mantidos pelo sistema de pão e circo.

Com esta visão dificultada, difusa, confusa, fica o cidadão perplexo e facilmente é acometido da síndrome de cão vira-lata, com baixíssima autoestima. Sua visão é dispersiva, sem boas perspectivas, é a do agente do caos e da ideia de que tudo esta perdido, desconexo e sem esperança. Exatamente como desejado por seus manipuladores.

O cidadão, já atordoado, foca na sua vida, desliga-se do geral, despreocupa-se com o todo, delega o coletivo para os outros, afasta-se do interesse público geral, guardando para si somente o amarelado sentimento de que algo ou tudo está errado.

Esta ideia de abandono, de desligamento é a chamada alienação. Esta realidade favorece a manipulação à base de propaganda e contra-propaganda, veiculando falsos propósitos e interesses objetivos de momento que o cidadão recebe na sala de sua casa junto a seus familiares, sem saber do que se trata e a onde tudo pode ser encaixado, enquanto na tela de fundo algo está sendo registrado em definitivo. Há um inquietante silêncio, mas na primeira oportunidade criada no dia estoura em violência e represado protesto.  

O cidadão mantido dentro de uma imagem fragmentada fica retido no momento, no passageiro, na onda da moda do dia; é condicionado a acompanhar notícias sem pé nem cabeça e acaba por modelar seu comportamento dentro de planos pessoais igualmente passageiros numa vida dita de curto prazo, de curto pensar e de passageiro existir, preferindo nem pensar na falácia espiritual em que está se metendo. A preferência é pela vida aqui-agora, sem nada de mais aprofundado, para não dizer filosófico.

É a visão que se pode ter, por exemplo, do sobe e desce dos preços anunciados no dia a dia, deixando-se de observar a Economia, a origem e qualidade dos produtos etc. Na variedade e mutação dos eventos e programas que são impostos à visão, não se nota que é a própria vida é que está sendo mal usada. Equivale a dizer que no sobe e desce do dia a dia, deixa-se de observar que a escada está gasta e pode quebrar. São só exemplos para acordar a mente e mostrar que a distração de todos pode ter consequências desastrosas para a vida pessoal e para a Nação.

Cidadãos cegos e destemperados, não conseguem filtrar a realidade aparente e ler o que está sendo escrito no pano de fundo, no cenário da vida, a fim de verificar o comprometimento da própria existência.

Sabedores da presença usual dos mecanismos de dispersão, fragmentação e pulverização da realidade, confundindo o discernimento e o espírito crítico do cidadão, a existência do semi-analfabetismo e uma já criada cegueira coletiva, os interessados em tirar proveito de tudo, intensificam o poder de manipulação e neste sentido impõem modas, hábitos de consumo, agendas e modos de pensar nem sempre de modo tão subliminar. Criam um novo modo de ser, um novo e mágico existir que só contenta aos incautos e inexperientes. Manipulam o país como querem e quando querem e seguem uma linha já há muito tempo traçada.

Assim, fica fácil dizer que “está tudo bom”, “que a vida é assim mesmo”, que “as coisas são assim”, que “ nada se pode fazer”, que “ terra ” é bom para a pele do nariz, etc e os seguidores cegos e contentes, eufóricos e distraídos acreditam em tudo e compram terra etc e assim passam o dia como se o seu tempo de existência de vida não estivesse diminuindo dia a dia bem como suas energias para melhorar. 

Mas como tudo tem um limite, logo a falácia é descoberta, não porque o seja pelo conceito, mas porque outros interessados querem impor sua mentira e precisam de espaço para isto. Os novos brigam para impor aos cidadãos que a terra cria câncer e o bom mesmo é “areia”. O cidadão, então, passa a comprar areia, até que a areia seja suplantada pelo “pó de asa de borboleta” numa próxima campanha publicitária.  

E por consequência, usando terra, areia e pó de asa de borboleta a  vida do cidadão é preenchida no dia a dia, esquecendo que o nariz em nada mudou, continua nariz, mas agora já está em outra idade. A vida passou e a Nação já está com outra tela de realidade, escrita sem a participação dos seus distraídos cidadãos.

Considerando que uma Nação é feita de pluralidade e diversidade de uma população composta de pessoas em idades e estágios de vida diferentes, será difícil imaginar que não existirão cegos e que poucos  enquanto poucos são os que podem ver o cenário de fundo e pensar. Isto porque só é possível ter consciência com educação da mente, experiência de vida, aprendizado pela dor ou amor, pelo pensamento.

Portanto, num cenário de pão e circo constante, haverá pão e haverá circo, platéia, animais e artistas e alguém estará querendo vender terra, areia ou pó de asa de borboleta e haverá compradores para tudo. Isto porque assim é a vida de teatro, enganação e um pouco de lucidez nacional.

Seguir a turma já não é mais seguro. É necessário acordar e ver não só o que estão oferecendo como alimento para comer no dia a dia mas também, e com muito mais importância, o que estão oferecendo para pensar. Com este sistema imposto de distração e manipulação estão mexendo com o Ser da Nação, como seu modo de existir e pensar.  

O desafio é que a esta altura, o individualismo egoístico e o materialismo já tornam quase impossível que o indivíduo comum, tão espezinhado e robotizado em suas tarefas e compromissos, desligue-se da visão curta e tente ver o transcendente quanto mais o futuro, mesmo que imediato.

Seria ideal que cada um tentasse filtrar a realidade presente, infiltrasse seu olhar pelo entrelaçamento das condicionantes atuais e conseguisse chegar à visão real do que está acontecendo com sua vida física e mental por consequência da sucessão repetida de ataques a sua liberdade e saúde.

E assim procedendo, que pudesse avaliar se sua vida futura não está sendo comprometida pelas ilusões atuais. Seria um ato de responsabilidade e carinho com sua própria vida e para com a Nação onde vive, a qual depende de indivíduos livres, pensantes, saudáveis e produtivos.

Odilon Reinhardt.