terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Sinais e Sementes




Há sinais no presente que não estão sendo lidos nem percebidos adequadamente. A banalização e a vulgarização tornam-se hábitos em decorrência da pluralidade e repetição diária. A violência diz mais do que a simples dor da vítima e denuncia um futuro que pode ser comprometedor.
Algo está profundamente errado. Os tecnocratas de todos os governos pensam em saídas materialistas e apresentam soluções inúteis, transitórias e que sirvam tão somente para diminuir o risco de desprestígio político e as consequências eleitoreiras. Contudo, leva-se ao pressentimento de que o Estado brasileiro como instituição, independentemente do governo/inquilino do Poder, está perdendo o controle e dá ao país e seus estados um panorama de avacalhação nos serviços públicos e no papel de regulação dos setores da vida, com reflexo no tecido social, onde o cidadão sofre a penúria do dia a dia.
A cidade já virou um problema. Concentra o ser humano. Vira uma armadilha em cada esquina. O cidadão vive com medo.Medo disso e daquilo. Medo de viver, de conviver, de ser feliz, de falar. Sofre duramente o sistema urbano que ele mesmo ajudou a alimentar, resultante do individualismo e do materialismo que geram sonhos e frustrações em incautos cérebros abandonados, tal a impotência de participar na constante competição e no jogo de comparações entre os seres. A fuga surge como um instrumento útil para desaquecer a pessoa e assim a cidade vive de oportunidades de fuga. As causas para a fuga são desconsideradas, pois as consequências rendem mais necessidades e consumo
Muito tem ocorrido. Se todos os fatos acontecessem no mesmo dia ou semana e na mesma cidade, teríamos o caos humano. Felizmente a violência é diversificada e ocorre em lugares diversos e ainda é uma exceção. Todavia, há sinais de que o Ser Humano não está aguentando o tranco.
No dia a dia e todos os dias somos surpreendidos com eventos chocantes e até inacreditáveis, que nos fazem pensar sobre a natureza humana e sua maldade. Recebemos em casa através de jornais e Tv o relatório diário das barbaridades cometidas de cada Ser contra Ser. Uma chuverada de pessimismo e incredulidade, mesmo que tudo seja ainda exceção. A tendência assusta.
Se observarmos bem as atitudes do Ser Humano na cidade tem evoluído do simples ladrão de galinha, do conto do paco etc,para ações inusitadas à busca de coisas materiais e agressões ao Próximo como: uma escalada de andares de um edifício para furtar ou roubar; formação de gangues para assaltar condomínios verticais e horizontais; sequestros relâmpagos;falsificação de cartões de crédito e de conta corrente bancária; a montagem de estruturas comerciais para fraudar licitações e contratos, assaltando o Poder Público; o furto com substituição de peças novas por usadas em carros deixados para conserto; a entrega de pizza ou flores como meio de assaltar residências e empresas; o golpe do falso taxista; o exercício ilegal da medicina por falsos médicos; o atendimento médico por profissional que engravidava pacientes; a aplicação no corpo de produtos de má qualidade ou de validade vencida; o reaproveitamento de acessórios hospitalares.
O Ser Humano tem agido como um ente perverso, desesperado, tendo perdido o senso de ética e moral diante das dificuldades da vida. Vários têm sido os casos de golpistas que enganam aposentados em empréstimos e no INSS; traficantes acumulam bens de forma surpreendente, ultrapassando as necessidades normais de um Ser Humano e sua possível e natural ganância, num hedonismo exagerado e com evidente vontade de Poder; pessoas comuns cometem atos, que podem causar grandes consequências como o borracheiro que vende pneus frisados; a gangue que vende o gabarito de respostas de provas de concursos; os vândalos que roubam cabos elétricos; as gangues que assaltam escolas para roubar computadores e fazer depredação; o traficante que oferece drogas a estudantes na frente das escolas; os grupos que assaltam ônibus de turismo, fazendas e chácaras; os que se ocupam com esquemas de corrupção de jovens e aliciamento de moças para exportação; contrabandistas de cigarro; os falsificadores de diplomas de graduação; as faculdades que vendem diplomas de profissão; os policiais que assaltam traficantes.
Esta corrida para ficar rico, para ter dinheiro, para não ter que trabalhar, para ter tudo, para ficar “numa boa”, só pode decorrer da falsa visão sobre o valor do trabalho e desenvolvimento pessoal. Algo que desembarcou junto com as caravelas. Aqui, muito tempo depois, trabalhar ainda é sacrifício, é punição. Lutar contra o trabalho é quase uma atitude comum. Trabalha-se aqui com o sentimento de revolta pessoal, de estar preso, esperando a hora de libertar-se . Em vez de trabalhar como atividade integrada à harmonia do dia, muitos lutam contra si e contra o trabalho. A cultura é de ficar numa boa o mais rápido possível.
Há estímulos constantes ao comportamento egoístico e pessoas cultuam um hedonismo exagerado. Cheias de vontades materiais para preencher seus hábitos de conforto e bem estar pessoal, os desejos de consumo não tem limites, deixam de lado o respeito e os escrúpulos quando há qualquer contrariedade, o que gera conflito com o Próximo, pois é levado pelos mesmos interesses pode agir ou reagir. Já é um efeito do individualismo egoístico que está sendo reforçado subliminarmente pelos meios comerciais. Pode tornar-se comum a selvageria do egoísmo de sobrevivência, referenciado pelo medo de perder ou não ganhar e pelo medo de perder o domínio.
Todos os dias escutamos aberrações de comportamento que afogam a solidariedade e a fraternidade, atacam o Próximo e quebram o senso comum. Há gente que desvia donativos destinados a pessoas vitimadas por fatos de calamidade pública; pessoas que fazem ligações ilegais de TV a cabo; escritórios de advocacia para defender traficantes e fazer planejamento tributário no mal sentido de enganar o Fisco; pessoas que dão cursos de como fraudar a fiscalização de obras públicas; hospitais que fraudam o sistema público de saúde; contadores que são especializados em fraudar o INSS; contador que autentica falsamente as guias de tributos; há os que fazem escritórios para captar pornografia infantil; os que fazem redes de pedofilia; padres que se tornam pedófilos; o juiz e o seu assessor que vendem decisões; o cartorário de imóveis que se apossa de terras alheias; o fiscal que vende alvarás; o fiscal de obras que faz uma rede de corrupção; o construtor que usa materiais baratos e areia imprópria para a construção; o vendedor de produtos naturais a granel que só vende produtos vencidos; o funcionário responsável pela coleta do caixa dois; o político que barganha votos e recebe mensalidade para isto; os funcionários fantasmas; a TV denunciando que um cantor famoso em sua turnê pelo Brasil tinha escolta de dois policiais ao pichar muros da cidade. A Juventude deve perguntar porque ela não pode pichar se seu ídolo pode.

Em cada ato, em cada fato do dia pelo país, há sinais de uma insensibilidade crescente, de um abandono do respeito ao Próximo e o sinal maior de que o indivíduo, já condicionado, manipulado e robotizado, está perdendo o controle e dando vazão à sua raiva, ira, ódio ao semelhante. Ainda é uma exceção, mas assusta. Também na década de 1960 eram poucas as pessoas que usavam barbituricos, bolinhas, anfetaminas para sair da realidade como simples diversão. Ninguém dava bolas para isto. Mas a cantora Elis Regina, famosa e rica morreu disso, e foi uma grande perda para a música nacional. Hoje o império da droga está em todo lugar.
Há atos inusitados que vem de indivíduos assombrados por fantasmas internos. Assim, há o jovem que dispara o revólver na frente do bar e mata alguns de seus semelhantes; o namorado que mata a ex-namorada por ciúme; jovens que jogam ácido ou álcool no rosto e corpo da namorada ou o jovem que manda docinhos envenenados para a festa de aniversário da ex- namorada; o violador de crianças e jovens; o grupo que aplica o golpe do boa-noite cinderela etc, etc; o padrasto ou companheiro que mata as crianças da mulher por ciúme; marido que mata esposa e filhos sem explicação alguma; a mulher que coloca fogo no marido para livrar-se se surras diárias; o filho que coordena o assalto à casa dos pais adotivos; existe o bullying nas escolas e a invasão do domicílio através dos computadores domésticos, violando a vigilância dos pais; há falsas babás que adormecem crianças com gás; a cuidadora que maltrata idosos; gente faz redes de exploração sexual da infância e juventude. Mas tudo é entendido como um problema pessoal, uma reação individualizada e nunca um problema social consequente de um sistema de vida inadequado que todos alimentam e levam em frente. O descaso levará a algo pior. A convulsão social seria o caos e o pior caminho para a Nação.
A Cidade dos Homens afunda em atos desesperados e nenhuma autoridade assume a responsabilidade de atacar o problema, pois afinal, a culpa é jogada para os governos anteriores e a um sistema que aparentemente ninguém mais controla. Dizem comumente como justificativa “ é o progresso”, “é a vida moderna” e todos se calam como se nada pudessem fazer. A preocupação é com o dinheiro, com as coisas, tidas como geradoras de sentimentos e emoções. Há os que se ocupam com a falsificação de dinheiro; com a falsificação de CD´s e DVD´s; há os da fábrica de produtos piratas onde relógios e roupas de marca são produzidos; a oficina de clonagem de veículos; o eletricista que faz “gato”, de ligação de luz ilegal; a gangue que frauda a loteria, passaportes etc; há os que falsificam ou contaminam o leite das crianças; há empresas para falsificar gasolina etc. Não há escrúpulo algum. Surgem os canalhocratas que de longe já esqueceram o que é respeito, dignidade, competência, mérito. Difícil deixar de pensar, por um só instante, que tudo isto não vá trazer consequências graves a curto , médio e longo prazo.

É assim o que está ocorrendo no país diariamente. Assustador. O cidadão vive com medo. A cidade exige muito discernimento, o que não existe. O stress social já não é mais desaquecido pelo sistema oficial de “pão e circo”. Há grupos armados de radicais que matam gente de cor, homossexuais, mendigos, prostitutas a título de limpeza; há grupos dos chamados pit-boys que atacam pessoas nas festas e bares sem qualquer critério, só pelo esporte de atacar o Próximo; pessoas são caçadas em arrastões; motoristas são assaltados nos sinaleiros, no portão de casa, no estacionamento; há pessoas ocupadas em usar nomes de pessoas humildes para alimentar esquemas fraudulentos; pessoas que usem nome de falecidos para praticar crimes. A população vive atrás de grades, alarmes, cercas elétricas, senhas e câmaras de filmagem. Já há na cidade lugares chamados cracolândias , ocupados por drogados permanentemente e locais em cidades onde à noite o cidadão comum não pode mais passar. O cidadão tem medo de chamar a atenção, até mesmo de mostrar suas conquistas e seu suposto sucesso material  num sistema cuja finalidade é premiar o vencedor, o campeão.
A mediocridade toma conta e nivela a vida nacional. O normal é orientado pelo padrão medíocre. Não há mais confiança no Próximo. O indivíduo recolhe-se, isola-se. Isto é bom? A desconfiança é geral. A alienação social é consequência obrigatória para que o indivíduo possa concentrar-se na vida do dia a dia, onde pais e mães precisam cuidar da família, colocar comida na mesa. Isto é bom para quem lidera, para quem gerencia o país, pois nada melhor do que um povo forçosamente alienado, deixando de olhar o que acontece, criticar e falar em política.
Mas as consequências não são silenciosas. O Estado está enfermo e a pátria também. Cresce o número de desajustados, deformados, revoltados e segregados. Há violência motivada pelo rancor social das diferenças. A juventude está acordando e vê a discriminação econômica. O que quase todos os materialistas esquecem é que estradas e pontes caídas fazem dano material que pode ser solucionado com a reconstrução, mas quanto custa a recuperação de uma alma amputada, de uma vida morta-viva, etc? A Nação não tem problema de quantidade de terra, riquezas materiais. Seu ponto de descuido, seu ponto fraco é a mente de sua gente, sua educação e formação. É necessário ajustar o nosso capitalismo, porque sem ele, tudo é pior. As cadeias estão cheias. Há impunidade. Pessoas não se amedrontam mais com condenações e prisões horríveis, pois no desespero, o cidadão pressionado busca recursos ou já jogou tudo às favas e parte para a alienação ou para a revolta.
A criatividade e a liberdade de fazer o negativo é impressionante. Denota que o chamado “jeitinho brasileiro” é na verdade uma subutilização de mentes altamente inteligentes. Capazes de montar esquemas e bolar golpes inéditos. e se ocupam também com a falsificação de identidade, cartão de crédito, conta corrente, cheques, assinatura de cheques, clonagem de celular, invasão de contas correntes bancárias; há um verdadeiro telemarketing do crime que vive de golpes por telefone etc.
Há as pessoas que fabricam carrocerias de fundo falso para o transporte de drogas e contrabando; há os vendedores de armas e munição contrabandeada; os lavadores de dinheiro em restaurantes de alto padrão, lojas de luxo etc; há os que montam redes de prostituição nacional e internacional; há o médico que ataca as clientes; o empregado que planeja o assalto à empresa em que trabalha; os empregados que furtam; os porteiros que facilitam assaltos a prédios e condomínios; os que vendem carteira de habilitação para dirigir; os velhinhos que dão golpes; os que corrompem e fraudam a todos; o supermercado que vende carga roubada; o comércio que vende produtos a granel sem controle de validade de prazo para consumo; os que dirigem torcidas organizadas para a violência entre torcidas; a seitas e igrejas onde os pastores corrompem as fiéis.

Onde se pode imaginar, há jeitos de burlar, enganar, ludibriar, tirar vantagem, procurar brechas. No fundo um esquema, uma vontade de ir contra a lei, de fazer tudo para ganhar dinheiro fácil. Montam esquemas complexos que já justificariam uma estrutura empresarial, só que é para o crime, para o negativo. Pergunta-se qual a razão e a causa para o exercício de tal desvio? Por que não se preocupam em fazer o mesmo para o lado positivo? O crime passou a compensar?
As origens de tais mentes dizem uns, que vieram nas caravelas portuguesas, quando Portugal limpou suas cadeias e começou a exilar e punir os criminosos de sua sociedade. O Brasil era o destino para a punição. Nunca se falou em trabalhar, em valorizar o trabalho. Nos trópicos ao sul, o negócio sempre foi enganar a Coroa, ter vida abastada sem muito trabalho, viver na sombra e água fresca a custas do Governo. Realidade bem diferente da trazida pelos imigrantes do século dezenove, que tiveram que trabalhar para vencer. Mas está explicação, usada por alguns não resume toda a origem do sério problema nacional referente a seus recursos humanos. Ademais já estamos há mais de 400 anos dos tempos das caravelas. Aceitar tal explicação seria negar a possibilidade de refinamento do ser humano e da evolução social.
O caso é que aqui parece uma terra de ninguém, arrasada pela selvageria pontual e pela barbárie. As lições cristãs da civilização ocidental parecem ir falhando em preencher a espiritualidade das pessoas. As consequências já são visíveis. Há sinais em toda parte. Pessoas atiram a esmo em restaurantes e bares; pessoas são observadas no comércio, no facebook , no banco, supermercado, aeroportos e são assaltadas logo após; pessoas aliciam menores para o crime; pessoas são explodidas com dinamite, corpos são esquartejados e colocados em malas abandonadas na rua; há os que colocam fogo em ônibus coletivo; usam seus cargos para favorecer o crime; transportam drogas ou fazem contrabando em veículos oficiais; chefes de polícia comandam o crime, jogos, assaltos etc; grã-finos possuem cassinos em casa; policiais roubam e assaltam; pessoas com acesso de fúria saem agredindo e matam na rua; irmãos planejam a morte dos pais; irmãos matam familiares pela herança; pessoas assaltam taxistas; o professor abusa dos alunos, a editora e gráfica são feitas para lavagem de dinheiro, com edições que nunca existiram; funcionários públicos certificam faturas de obras e serviços que nunca existiram; há os falsificadores de bebidas alcoólicas; a gangue de desvio de merenda escolar; a gangue do roubo de carros e motos; o receptador de coisas roubadas; o soldado que furta munição e armas do exército; o fiscal da alfândega que deixa passar; a gangue que assalta cemitérios, a que rouba hidrômetros de água, a que promove arrastão em restaurantes, praias e bares, a que explode caixas eletrônicas em bancos; o padre pedófilo; o dono da panificadora , de restaurante que lava dinheiro; o ferro-velho que compra fios de luz e cabos furtados; a oficina de desmanche de carros.
Ser ou não ser uma vítima é uma questão de sorte. A qualquer momento qualquer um pode estar sendo alvo de algum planejamento criminoso em algum lugar.
Tal cenário desfigura o conceito até hoje de que uma Nação é feita de cultura, de gente, de vida social, etc e depende da saúde física e mental de seus indivíduos, pessoas com planos positivos, projetos saudáveis de vida, dos quais possam se orgulhar e juntar-se ao esforço para valorizar o coletivo. Aqui, pessoas sem objetivos, drogados, bêbados, sem ideias, pessoas sem interesse em progredir, desacreditadas, forçadas à miséria intelectual, doentes, preguiçosas por doença que empobrecem a Nação e a rebaixam entre as demais no mundo. A quem interessa isto? O dia a dia no país gera vítimas sociais de um sistema que todos nós contribuímos para montar. A responsabilidade é direta ou indiretamente de todos.
É isto que assusta em todos os sentidos e cria perspectivas sombrias que levam a crer que ruas limpas, parques novos, portos e rodovias em nada melhoraram o futuro, pois na história do Brasil a miséria material pode estar sendo melhorada mas os crimes hediondos e todos o até aqui mencionados são bem modernos e nunca foram praticados nos séculos precedentes, o que demonstra a desconexão entre condição material e o comportamento. Tanto é que o número de pessoas que mora em áreas menos privilegiadas, pequenas vilas e cidades do interior que comete crimes é mínimo, ficando o crime para o trafico de drogas, políticos e suas redes de influência e avulsos. A grande parte da população vive do trabalho e da fé e esperança, mas é cada vez mais colocada em tentação e risco, pois por natureza uma das necessidades humanas é a de se adaptar, seguir o bando.
Há os que em desespero fazem esquadrões da morte, não se sabe se para matar quem sabe de mais, seus comparsas, negando a instituição da Justiça. O fato é que não acabariam mesmo com os pichadores do patrimônio; com os que promovem arruaças e quebra-quebras do comércio; com os ateliers de fabricação de produtos e roupas com mão de obra escrava; com as redes de lanchonetes e restaurantes da máfia estrangeira no país; com os assaltos a banco com reféns; com o suicídio de jovens em desespero; com a rua de bairros controlados pelo tráfico de drogas; com avisos de bomba em prédios públicos e na Justiça; com as empresas de fachada que foram montadas com empréstimos oficiais; com os apartamentos e casas onde há fabricação de CDs piratas, preparo de drogas etc; com os escritórios de captação de escravas para a prostituição; com os rackers que elaboram planos para invasão de sites e computadores; com a fábrica de selos falsos de correio; com o contador que faz recibos falsos para abater no imposto de renda; simulam acidentes de trânsito para assaltar motoristas; traem a confiança de clientes e usam seus dados para fins de tirar vantagens; vendem cadastro de usuários para telemarketing do crime; usam armas de fogo com se fossem brinquedos; líderes comandam criminosos de dentro da cadeia; invadem hospitais para matar adversários; fazem bailes funk movimentados a drogas, crimes de arruaça, arrastões, depredações e pichações; em assaltos a ônibus prendem as pessoas no bagageiro sem se preocupar com a saúde.
A cada dia o cidadão comum leva seus sustos, mas acaba sendo levado a banalizar e vulgarizar a violência tal é a rotina e a repetição. Pessoas criminosas colocam fogo em ônibus coletivo com gente dentro; atropelam e não dão socorro à vítima afrontando as lições de solidariedade e fraternidade ; pessoas raptam crianças para adoção ou venda de órgãos; pessoas põem fogo em mendigos que dormem nas ruas; pessoas adentram maternidades para roubar recém-nascidos; matam para cobrar dívidas; pagam gente para matar gente por causa de Poder e terras; carteiros jogam cartas e cartões de Natal na rede pluvial ou terrenos baldios; pessoas usam disfacr de papi-noel ou policial para roubar residências; matam em série crianças e mulheres e enterram no quintal. Pessoas continuam bebendo muito antes de dirigir. Mulheres estão bebendo mais que os homens. O trânsito mata mais que uma guerra civil. Não é este um sinal de menosprezo do Próximo e com a própria saúde? Quem bebe e se expõe a isto está desrespeitando seus familiares, seus amigos. No fundo o que está gerando esta necessidade de fuga e de auto-expiação?
Em todos os atos deste naipe, vemos o desrespeito ao Ser Humano, ao Semelhante. Aos poucos cresce a insensibilidade, pessoas tornam-se frias e calculistas, sem escrúpulos e respeito até consigo mesmo. O umbigo assume o local da mente. O que podemos concluir ? Já estamos vivendo as consequências de um capitalismo que não soubemos implantar; já estamos adotando o individualismo egoístico como referência. É visível que indivíduos educados em gerações passadas estão perdendo a identificação com a sociedade para a qual foram preparados, já que os padrões de comportamento estão sendo degradados. Observa-se que as gerações Xuxa , Vídeo-game e celular não aguentam o tranco e estão estourando, deixando de corresponder às necessidades de mão de obra qualificada ou não. Sua atitude mais criticável é a de delegar a educação dos filhos à escola, demonstrando que não sabem como educar e que não possuem tempo para isto. Os modelos a serem seguidos estão podres. A juventude debate-se entre a falta de ordem e disciplina e está interpretando mal a liberdade. Impera a licenciosidade, que parece ser a regra. Com medo de perder eleitores,é proibido proibir. Será que a polícia será suficiente para ensinar pela força?
Como resistência formal, a Constituição da República, o Código Civil e o Código do Consumidor preservam princípios de uma sociedade humana com referência cristã. Solidariedade, fraternidade, perdão, respeito ao Próximo, dignidade etc, ainda são princípios informadores da lei e sua interpretação e representam travas para que tudo não vire uma selvageria. Ainda há na mente das pessoas muito de respeito a tais princípios, mas quando prevalecer o contrário, esta legislação cairá em desuso e uma nova ordem social estará vigendo, a pior delas, a da anarquia e da selvageria pessoal. As exceções criminosas de hoje poderão ir crescendo até serem a realidade comum e usual. Lamentável que o lema “respeite o próximo “ esteja passando a ser “ use o Próximo como desejar”.
O desuso é possível, pois o Direito evoluí e é feito por cada época como arcabouço formal. O perigo é a evolução para o mal e as novas gerações forem tomando a realidade como modelo de ação e reação, tudo contra os princípios cristãos do Ocidente. A imprensa livre tem o dever de divulgar tudo, mostra comportamentos de todo tipo, todos os crimes e barbaridades do dia, cabendo a cada cidadão discernir entre o bem e o mal; para os jovens se não houver alguém para explicar a conduta mostrada, criticando-a, corre-se o risco da banalização e cópia do comportamento. A mesma necessidade ocorre diante de certos comerciais de televisão que põem em evidência a atitude do “experto”, da falta de ética, que traem a confiança e a cordialidade como meio para se obter vantagem. Sem orientação, o que é comercial, filme ou notícia pode virar aula, proposição para ser imitado pela mente em formação ou desavisada, mormente quando o cinema abandonou o lema ”o crime não compensa” como mensagem final. Isto tudo não é feito por máquinas ou vai surgindo sem controle. Material audiovisual é feito por gente, por profissionais. A quem estão servindo estas cabeças?
Com todo este panorama aqui composto, feito de notícias ruins que chovem na casa de todos ao anoitecer, que aparecem nas páginas dos jornais, que são faladas em programas de rádio e que são vividas pessoalmente por tantas famílias dos envolvidos, forma-se a realidade. Facilmente, os fatos de todo dia podem gerar o mergulho do cidadão comum num negativismo de terra arrasada, de tudo perdido etc. Isto convém a alguém, é realismo, é teatro, é sensacionalismo, é oposição política? Tudo em conjunto. Mas apesar dos percalços do caminho espiritual da Nação, materialmente os governos de todas as gerações tem feito a diferença de um Brasil de 1853 para 1954 e para 2014. Poderíamos ter prosseguido mais. No campo emocional, ruas e avenidas novas, obras necessárias e desnecessárias pouco afetam ou melhoram a cabeça do cidadão, tomada pelo stress, pela angústia, pela indignação, pela revolta e por um barulho atormentante no espírito. O país que tem obrigado as pessoas a uma rotina operacional enorme, pesada, pouco se dedica à busca das verdadeiras causas, sendo que as consequências viram causas e marcam uma roda viva que mascara as primeiras razões e causas originais, tornado cada vez mais difícil achar soluções realmente relevantes e eficazes. A visão curta das decisões é inconsequente, voltada para eleições. Grupos eleitos não se desvencilham da cultura de “agora vamos nos fazer”, “ eis a nossa grande chance” e apoderam-se do Poder para fazer seus “jardins encantados”, onde criam tudo para um mundo de ilusões, salários e dias de vitória material e sucesso só para si mesmo.
Como cidadãos pouco podemos fazer, pois temos um voto e podemos, no meio social restrito de nosso relacionamentos, provocar o debate e divulgar críticas. No dia a dia de nossos atos de convivência, temos que estar conscientes de que toda uma realidade está se formando, crescendo e haverá consequências. Temos que diariamente levar em consideração em nossas avaliações que o Próximo está com problemas, anda pela ruas em silêncio, mas tem um furacão dentro de si prestes a explodir. Explode no trânsito, no campo de futebol , num fila de ônibus, na praça, na escola, em casa. O cidadão não está só de “cara cheia”, está de “mente saturada”. Montesquieu ensinou à civilização que o sistema tem que ser construído para que nenhum cidadão tenha medo do outro. Estamos diariamente contrariando esta lição. Estamos criando psicopatas, sociopatas, megalomanos, esquizofrênicos e revoltados sociais. A juventude está captando rapidamente e protesta ainda que inconscientemente. Os protestos de rua e o agora chamado “rolezinho” indicam que há um forte potencial de mobilização que pode sair fora do controle facilmente.
Nesse cenário fica fortalecido o individualismo egoístico, começam a valer mais as frases “quero salvar o meu, o resto que se dane”, citação esta feita aqui com bom Português para não manchar o texto com a verdadeira língua das ruas.
Infelizmente é este o país que estamos todos fazendo no dia a dia. O crime de todo dia ainda é uma exceção. Aparece em locais e tempos diversos , espalhados pelo país, mas está insuflando a instabilidade social e a insatisfação pessoal.
Em cada indivíduo há uma bomba com potencial de exteriorização. Quantos criminosos há que ainda não se manifestaram? Quantos ainda não perderam o controle? Quantos estão esperando a oportunidade de dar vazão a sua ira ?
Se todas as situações mencionadas neste texto acontecessem numa mesma cidade e mês, o que teríamos? As manifestações de rua de 2013 foram um aviso negativo com sinais perigosos. Por sorte e mostrando que há sempre um contrapeso, nas mesmas ruas de revolta, pessoas se aglomeraram aos milhões para ver o mensageiro de bons princípios passar. Mas este mensageiro inspirador não passa pelo Brasil todo dia e é na rotina diária que muitos estão sofrendo. O resultado é que o indivíduo está se encolhendo, ficando com medo e adotando o pensamento negativista. O horizonte fica menor. A Nação encolhe. Qualquer Governo enfrenta problemas graves de recursos humanos. No geral a pessoa retira-se do coletivo, deixa de preocupar-se com a rua e seus sinais, desinteressa-se pelo que não for de seu umbigo. Isto só ajuda a favorecer as minorias que controlam o Poder, tornando-os mais fortes na medida que manipulam as massas, condicionam as mentes e dão a direção errônea do norte na medida em que tornam-se elementos operacionais e meros seguidores. Não que o país viva de filósofos e pensadores, mas é imprescindível que cada cidadão tenha seu espírito crítico livre e seja forte para termos uma Nação forte. Ao contrário, o que temos são cidadãos fracos, negativos, de criatividade conduzida e seguidores de falsos líderes e poderes. A criatividade então passa para o submundo, para a maldade, para o crime, desperdiçando talentos para o positivo.
Assim, aos poucos pode ser que estejamos permitindo a sub-limiar instalação ou já confirmação de uma sociedade baseada na cultura de estelionatários, do tirar vantagem, do enriquecer sem trabalhar, do espoliar o Próximo, do ganha-ganha, da má-fé, de descordialidade etc.
O que será que vai nas mentes de tanta gente, o que será que andam planejando, o que será que todos os sinais não vão evitar? O que será que todos os livros não estão ensinando, que as teses de mestrado e doutorado não estão tratando, que todos juízes não vão consertar, que todos os discursos empolados não vão dizer, que todo os políticos não pensam nem vão pensar?
Em cada indivíduo da Nação em ruas e vielas, em cidades e vilas, há um Ser pensante com uma mente. O que será que ali corre e que nenhum material vai aliviar, que nenhuma coisa vai preencher, que nenhum dinheiro vai comprar, que nenhuma obra pública vai solucionar, que o carro novo não vai trazer, que as viagens não vão solucionar, que as ciências, inclusive o Direito, não vai resolver? É só começar a pensar sobre isto.
O que será que carregam nossos cidadãos trabalhadores, honestos, cumpridores do dever e da rotina que aflige, que comprime, que queima por dentro? O que será que já saiu do limite, não tem governo, não tem escrúpulo, não tem respeito e talvez já nunca terá?
Sinais os há por aí, por todo lugar, por todas as vilas e cidades.

Odilon Reinhardt.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Ano novo. Tempo de Renovação.



Janeiro inicia um novo ciclo temporal, um novo ano do calendário romano ocidental. A festa, conhecida como "revéillon", tem na expressão francesa réveiller, o sentido de ‘despertar’, provocar algo novo neste momento de passagem para o novo ano que nasce. Data marcante, que em diversas civilizações representa um momento de renovação e de fazer novos votos, firmar compromissos e propósitos de vida para um novo tempo. 
 
Neste espírito de Novo Ano, Nova Vida, nós da Advesane recuperamos um curto e inspirador texto da imortal escritora Cecília Meireles, para desejar as melhores intenções neste 2014, que se apresenta imaculado,  a cada um de nós, com 360 e poucas oportunidades de fazermos dias melhores.
 

Cântico XIII

Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.

Cecília Meireles

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

11.12.13, o dia de cada dia



Mais uma data singular,
dá para imaginar 14.12.13
que é o futuro a visualizar.
 
Hoje não podemos ir a 14.12.13 no tempo adiantado,
mas lá poderemos pela mente voltar a 11.12.13,
data que estará no passado.

Isto mostra que o tempo não se pode adiantar,
pois o presente é o que nos resta
e nele fazemos o passado que poderá voltar.

É no presente, a cada dia,
que agimos e reagimos,
é a fonte de nossa energia.

Viver com qualidade cada dia ,
este 11.12.13, por exemplo,
é o que temos em sincronia.

Fazer o dia, o tempo único de viver,
sobreviver com qualidade,
eis o ponto a considerar para conviver.

Cada um que olhe neste dia,
se o conviver não está matando o futuro do viver
e tome atitudes para que o dia seja de harmonia.

Os vestígios deste 11.12.13 um dia
poderão aparecer no futuro
em simpatia ou antipatia.
 
Se o soubermos fazer ,
só consequências boas podem ser esperadas,
caso contrário as más vão aparecer.

E assim é o fluxo da vida,
nos dias do futuro tudo aparecerá,
o Bem ou o Mal marcará nossa ida.

Se 11.12.13 não for bom em parte
porque o passado apareceu trazendo más consequências ,
pergunte-se, quando foi feito este dia que hoje se reparte?

Cabe a cada um fazer cada dia,
Natal ou aniversário, Ano Novo, todos,
são dias que em cada dia podemos fazer harmonia.

Se cada um fizer sua parte,
o 11.12.13 como qualquer outro dia
será de alegria e harmonia em grande parte.

 
Odilon Reinhardt.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A nossa República do Atlântico Sul



Nascida de dentro da Monarquia como concessão desta e também da esperança de pequenos grupos de intelectuais para novos tempos e do atingimento da liberdade do cidadão ou talvez de seus desejos pessoais de obter cargos de autoridade e poder político, a República surgiu, fazendo desaparecer da noite para o dia o antigo e secular regime monárquico. Numa noite de quartelada, desaparece o Império e surge a República no Rio de Janeiro, sem que o povo soubesse do que se tratava e quais seriam as vantagens e desvantagens de tão radical mudança. O povo, alienado, ignorante e analfabeto dormia. As províncias nem sonhavam com tal alteração da ordem e viviam isoladas no meio do mato. Em alguns lugares do sertão verde, imigrantes italianos, alemães e poloneses já existiam em colonias e tentavam montar sua estrutura de sobrevivência sem qualquer auxílio oficial. Para eles como para o povo em geral, Monarquia ou República não alteraria em nada a necessidade de construir e progredir. Não se importavam com o poder e tinham que prosseguir para se livrar da miséria.

O Brasil acordava tonto e despreparado. Só conhecia a Monarquia, nada sabia do que e como seria a República. Barões, Duques, Viscondes e suas famílias perdiam seus títulos, ruas trocavam de nome, surgia toda uma nomenclatura diferente para órgãos públicos. A mudança era radical e feita sem qualquer planejamento. O Brasil dormiu na Monarquia e acordou para uma República improvisada.

O país, gigante em território, tinha uma Nação pobre, pequena, analfabeta, com muitas realidades em formação. O tempo era agora para ser outro, novo, e a sociedade civil estava no comando. A transição e a consolidação foi feita com luta e sangue, por conta do sanguinário Floriano Peixoto. Surgem partidos políticos, a luta pelo poder se instala, ocorre a revolução dita federalista. O ser humano, entre eles escravos e cidadãos, no entanto, ainda tinham a postura de uma vida monárquica e um pequeno grupo de descendentes de portugueses no poder era quem se apoderava das oportunidades econômicas e comerciais. O povo continuava ignorante e alienado. Quem se beneficiou da Monarquia agora era dono da República.

Com os primeiros anos do novo regime, surgem os desacertos econômicos, nem Rui Barbosa livra o Brasil do caos do marcado financeiro, é feito o loteamento do Brasil para investidores estrangeiros extrativistas, há a adoção de modelos alienígenas por pura macaquice eufórica, a máquina do Estado brasileiro já torna-se gigante, toma o mesmo lugar do Império e cria e atola-se numa burocracia ainda maior e dispendiosa, deixando surgir a corrupção. O Presidente era tomado por verdadeiro imperador, só que mais nervoso, mais agitado, preocupado com a política e a reeleição no jogo de partidos ainda dominados por antigos coronéis de terra, barões e outros membros da nobreza imperial.

Ao início, a República ocupa-se ainda com o poder dos coronéis de terra nos Estados, o que só diminui com o sepultamento da República Velha. Em 1922, a Semana de Arte Moderna é expressiva; marca o rompimento dos intelectuais do Rio de Janeiro e São Paulo com o velho, em troca de sinais de um Brasil mais moderno, rompendo com a influência europeia até então. O Brasil quer ser Brasil, que se livrar do francês e do inglês. Dez anos após surge a Ditadura de Getúlio Vargas que fez o Brasil popular do século 20, com implantação de reformas, leis e códigos. O Ditador não deixava de ser o Imperador moderno, militaresco, fascista, mas aclamado e festejado pelo povo.

A luta da Nação era reduzir o analfabetismo, reforçar a qualidade do cidadão, acabar com os resquícios da escravidão e do servilismo doméstico e sua força de trabalho. O cidadão tinha que ser produtivo em nome do Brasil. O país era católico e a família era o seu centro. A vida era regida pelo Código Civil de 1916 e não havia dúvida de quem era homem ou mulher.

Ao longo dos anos a República promoveu o progresso material do país. Extraordinário, inegável. Compare-se o Brasil de 1910 ao de hoje em termos materiais. Ocorreu a interiorização, surgiram milhares de cidades no país, a economia cresceu, novas estradas, estradas velhas foram asfaltadas, desejo de ter luz e água para todos, indústria nacional, indústria rural, o Brasil livra-se de ter como únicos produtos de exportação a madeira, a erva mate, o café, a cachaça e o açúcar. Surgem as fronteiras agrícolas e a soja. Os minérios são fonte de riqueza a ser exportada. A Ditadura Militar de 1964 traz o militarismo, mas também o progresso na infra-estrutura. Mega investimentos, Itaipu. O Endividamento externo e o caos criado pelo Choque do petróleo e 1974, sepultaram os planos militares para o país que mergulha sua economia em uma grave crise até 1994, já sob a vigência da Constituição cidadã de 1988.

Na esteira do progresso material, no entanto, durante mais de 80 anos foi-se aceitando mentalidades diversas e daninhas fornecidas pelo individualismo egoístico e pelo materialismo como direção de decisões em detrimento do humano. A falta de uma orientação mais forte e de caráter favoreceu a entrada de modelos servis e contrários à Nação e suas características. O analfabetismo e o tendencioso interesse comercial de muitos visaram o imediatismo e esqueceram que o país é feito de gente e de uma Nação para sempre. Assim, interesses mesquinhos e de momento privilegiaram decisões estratégicas que repercutem até hoje. É visível que o de planejamento humano de longo prazo ficou prejudicado, afetou e afeta a vida do país por décadas e hoje temos o que temos, cidadãos em confusão e uma mão de obra precária e sem qualidade.

Assim, fica manifesta a consequência de o planejamento ter sido deixado ao sabor de cada Governo e suas prioridades partidárias ou até mesmo a falta de planejamento e da falta de democracia. Isto faz com que de certo modo a arrogância monárquica ainda exista, camuflada nas lideranças tradicionais e na mentalidade dos coronéis de partidos políticos em seus Estados. O autoritarismo sobrevive em cada Estado e o povo continua alienado, agora semi-analfabeto, mais exigente e mais insatisfeito. As pessoas não deixaram de ser autoritárias em seu comportamento em relação ao Próximo. É um autoritarismo do bronco, do semi-ignorante, do pouco esclarecido, do que não tem flexibilidade para mostrar ou aceitar alternativas. Qualquer tentativa de negociação descamba para demonstração de poder e autoridade. Grupos radicais proliferam em vários campos de atuação, tentando impor suas ideologias de controle de poder e domínio da sociedade. Algo arcaico. Através de modelos de gerenciamento em empresas privadas e públicas e na Administração Pública é possível ver o reflexo deste autoritarismo na postura gerencial e pessoal. Muito é gasto em treinamento nas empresas para mudar isto. Subsiste a postura imperial de poder, baseada em imposições de ideias e pela manipulação política a nível partidário ou pessoal. Isto sem esquecer que o elementos pinçados do povo pelo processo eleitoral passam a ocupar cargos públicos ou exercer o Governo com a mentalidade de “ agora eu vou me fazer” e com o interesse de garantir a reeleição. Não gostam de oposição nem qualquer tipo de transparência ou exposição que revelem seus planos. Nos órgãos públicos desde o início criou-se uma nobreza intocável mantida com altos salários, mordomias e uma casta nomeada sem concurso público, constituindo um exército de assessores e assistentes em cargos de confiança. E ainda há nas cidades o privilégio do sistema cartorial do Império, com oficiais de registro e tabeliães com seu loteamento invisível da cidade. Mencione-se também o sistema de escolha para nomeação de cargos no Governo e em empresas estatais e de economia mista. Há uma nobreza beneficiada e privilegiada ainda em o plena República. No Poder Público, muitas destas pessoas intocáveis, estáveis e irremovíveis declaram publicamente que não estão nem aí para o povo e a opinião pública.

Do índio na Amazônia ao mais preparado executivo financeiro na Avenida Paulista, há inúmeras realidades no país, o qual ainda vive em realidades diversas, muitas ainda de 1850, 1910, 1950 etc. No geral o país é rico, é maravilhoso em Natureza, um paraíso terrestre, um encontro de povos em uma idiossincracia de liberdade jamais vista na Terra. Todos que aqui vem elogiam o país e suas paisagens, a alegria e desprendimento do povo. A visão do Corcovado para a cidade é paisagem sem igual. É coisa de Deus. Mas lá embaixo, o berço da República mostra seus problemas no dia a dia. Problemas ali são exemplo do que ocorre em todas as cidades do país com maior ou menor intensidade. O Rio de Janeiro, capital da moda, é modelo hoje da problemática e da tendência nacional.

Ressalta-se a infraestrutura sempre feita com obras casca de ovo, fracas, sem durabilidade, fontes de desvio e superfaturamento, insuficientes para o longo prazo. Pontes e estradas para o agora eleitoreiro, não para o futuro planejado e consequente e muito menos para servir a pessoa adequadamente.

Se temos amor a nosso país e se queremos evoluir na República, como regime de liberdade do cidadão, temos que tomar providências para eliminar certas tendências e problemas essenciais. Neste sentido surge a educação, hoje bastante afetada pela troca de modelo feita pelo regime militar na ditadura. Acabou-se com o modelo enciclopédico francês de formação integral do aluno na ciências e sabedoria acumulada pela Civilização para dotar o curriculum mínimo de Português, Matemática, História e Geografia, sob a justificativa de democratizar o ensino. Nivelou-se por baixo. Acabou-se por 20 anos como o ensino da Filosofia, exterminando a educação baseada num espírito crítico e analítico, isto para que o regime militar não sofresse contestação. No mesmo sentido o controle de natalidade, já que o regime militar fechou o país e era necessário manter a população em certos números. Um erro essencial e que prejudica o país até hoje. Sempre o Brasil copiando modelos alienígenas, impostos ao povo e sem qualquer interesse humano.

Evidentemente que a histórica variação ou inexistência de planejamento tem suas consequência no indivíduo. Este pensa, reage, amolda-se ao momento, tornou-se um seguidor e um tarefeiro tocando a vida como ela vem. O individualismo e o materialismo que foi sendo intensificado dentro de um capitalismo desvirtuado tem consequências graves. O capitalismo tupiniquim, sem pé nem cabeça, é movido por pessoas comuns num sistema de oportunismo, de ganha-ganha, de vantagens sem ética nem moral positivas, com uso de má-fé, com práticas comerciais inescrupulosas e anti-éticas, perpetuadas pela própria população em seus negocinhos e empresas para sobreviver. O Poder Público, que ainda não é do público, não pode acolher a todos em seus quadros, embora haja quem assim deseje em sua fantasia.

Instalou-se um modo de vida e ser na República. Consequência ou causa de nossa negligência em permitir a descaracterização de certos princípios, inclusive cristãos, que norteavam a vida e que agora parecem estar desaparecendo, deixando a Nação atônita e sem boa referência. Todos somos culpados, mas ainda há tempo para definir rumos.

Evidentemente a situação agrava-se a cada dia quando pensamos em consequências outras como a dos erros do passado em termos de alimentação e hábitos de consumo impostos à população, hoje com reflexos nas contas públicas. É o caso do muito bem explorado charme de fumar que nos anos 40 e 50 fazia a cabeça de muitos e que agora gera uma conta enorme nos hospitais e a morte precoce de muitas pessoas. A dieta com base em açúcar, sal, leite e seus derivados e o trigo com consequências maléficas para tantos que hoje lutam contra a pressão alta e o diabetes. Tudo feito para beneficiar interesses de coronéis do gado, do sal ,do açúcar, do café que com seus recursos dominam o Congresso Nacional e a política. Mas é o cidadão que sofre e é o cidadão que diminui a força de mão de obra nacional. Sem espírito crítico, o cidadão vai ficando doente, gordo, e menos produtivo.

Militando contra tentativas de reação para melhora, encontramos as marcas da tendência filosófica do chamado pós-moderno que atingem em cheio a juventude atual e algumas gerações já passadas, fazendo-as crer que vale a pena não se entregar a causa ou instituição alguma; que tudo é passageiro e sujeito ao obsoletismo tanto no campo das coisas como no relacionamento pessoal; que nenhuma instituição atual merece crédito ou sua dedicação; que o passado deve ser contestado e nela não há nada para ser aprendido; que a vida é passageira e nada vale tanto a pena; que o Próximo é um concorrente e um rival; que o Estado é uma instituição para poucos e contra o povo etc, e que deve ser diminuído; que o ideal é cada um por si como um indivíduo que se gera e se basta sem precisar de ninguém; que não é preciso mais se aprofundar em nada, pois duas ou três linhas são já um livro suficiente sobre qualquer assunto.

Nesta vertente de pensamento encontramos também o império dos meios de comunicação, fazendo a cabeça da massa, pregando modelos negativos e contribuindo para estabelecer um quadro de coisa-perdida, sem solução. A TV, instrumento efetivo de comunicação, vem auxiliando no ensino da prática democrática, mas mostra a realidade, deixando que o cidadão tenha discernimento para pensar, todavia este, tornado um seguidor, pouco tem se dedicado aos estudos, tendo tornado-se uma vaca de presépio e quando não um mero consumidor condicionado e massificado, impossibilitado de agir e participar da democracia. Mas diga-se, alguém tem alto interesse nisso tudo e está focado em controlar, pensar e dominar por ele. Uma massa de manobra dos interesses do consumo e este colocado como o elemento central da economia e da vida nacional. Há gente muito inteligente por detrás de tudo isto, mas com referência ruim, norteada por valores ruins. Agora, até mesmo o elemento verde, o meio ambiente, é usado pelas empresas como elemento de atração para maior consumo. Só falta criarem a coca-cola verde.



É o elemento básico da República e da Nação que está sendo esquecido, maltratado e negligenciado: o ser humano brasileiro. Este é o verdadeiro centro de consideração, mas vem sendo negligenciado. Apesar de ainda sermos um país cristão, até a religião está sendo utilizada erroneamente como meio de fuga, do mesmo modo que as drogas, as diversões passageiras,inúteis e ineficazes em afastar o vazio que está tomando conta dos Seres. Bens materiais não mudam caráter e educação, caso contrário traficantes com suas mansões e carros de luxo seriam bons cidadãos e respeitados Seres. Na Nação tudo depende do indivíduo, seus princípios, seus valores, seu preparo e referência correta e útil para o país, mas isto parece não ter sido a prioridade no último século.

Diante do quadro resultante de décadas de devaneio e euforia, o indivíduo enfraquece pela mente a Nação, a qual vai perdendo sua identidade, fica para o joguete entre senhores interesseiros. Quem serve a Deus e ao Diabo ao mesmo tempo geralmente perde-se no vazio da indefinição de suas decisões. No afã de uma solução para o país, ressurge o autoritarismo monárquico, querendo impor soluções únicas e gerais, uma panaceia de solução salvadora e redentora. Inacreditavelmente, há quem defenda regimes de esquerda que descambam para a ditadura sem saber o que o comunismo ou o marxismo representam em termos de escravidão humana.

No fundo, os interesses imediatos, comerciais, políticos ou não, continuam a operar em detrimento de um planejamento mais duradouro, fruto de um pacto social e uma discussão mais democrática do que se pretende para a vida nacional. Sabemos o que não queremos: corrupção, desvios, vidas abandonadas nas ruas e em casas, adolescentes drogados, infância negligenciada etc, mas não sabemos claramente o que desejamos como povo, deixamos que as autoridades decidam por nós. Facilmente nos contentamos com o jogo de futebol, com carros novos, equipamentos novos de informática e comunicação, viagens ao exterior, mas nada disso nos satisfaz com duração. Voltamos ao vazio da dúvida quanto ao futuro pessoal e coletivo.

Enquanto isto, avançam tendência funestas com a fuga dos insatisfeitos. As drogas e o crime progridem mais que o Estado. Decisões públicas continuam a privilegiar o material em detrimento do humano e as pessoas vão se tornando mais calculistas, frias, insensíveis, intolerantes, impacientes, ansiosas, inseguras e insatisfeitas. O Poder Público pensa que pode resolver tudo com obras, esperando também que resolver tudo com obras,esperando também que elas rendam votos imediatos. Mas porque nas manifestações o povo quebra as obras?

Está certo que o trabalho social não rende tanto, é de longo prazo e os resultados só aparecem em outro governo. Os reflexos desse modo de pensar são visíveis, aumentam a violência, o tráfico de drogas aumenta, os crimes hediondos são cada vez mais inéditos, surgem estatísticas agressivas e surpreendentes. Pessoas põem fogo em pessoas, carros e comércio. Há um ódio crescente do Ser Humano contra o seu semelhante. O cidadão tem sua casa violada, suas coisas roubadas. Protestos quebram o comércio, bancos, e equipamentos públicos. Pais abandonam filhos, filhos matam a mãe, homens, exercendo sua liberdade, casam com homens, mas terão filhos e uma família? A violência física e moral é visível, reflexo de pessoas descontentes que querem fugir. E fogem para coisas materiais que não podem manter ou comprar, para viagens que não podem pagar etc. Acumulam demandas de consumo. Mas o Poder Público é cego, continua com seu pensamento que as obras podem salvar tudo, podem ser a redenção de tudo e negligenciam o ser huamno da Nação, provolegiando o material e esquecendo o cidadão alongo prazo.

Diante do amontoado de problemas diários anunciados e divulgados na mídia, cria-se a ideia do imobilismo estatal e sua impotência. A Saúde não dá mais conta dos erros do passado; a Justiça encontra-se abarrotada de processos e não dá conta de uma sociedade violenta e conflituosa; o Pode Público amarra-se numa burocracia sem fim, onde a festa dos meios barrocos atrasa qualquer projeto e só sustenta seu próprio com pouco resultado para a população. A Segurança não dá conta do recado e é diminuta e ineficaz, se a população ou um indivíduo realmente sair às ruas para protestar, invadir órgãos públicos e quebrar tudo mesmo que inutilmente num acesso de fúria.

A deficiência do planejamento no passado agora vê o país dependendo do cidadão e este está insatisfeito, despreparado e vazio na sua maioria. Por falta de estudo e de incentivos ao estudo, não há médicos. Bastou uma pequena bolha de progresso e não há mão de obra técnica; estudantes de engenharia abandonam os cursos quando a cabeça é mais exigida em cálculos. Não há engenheiros projetistas. A estatística aponta que o Brasil está ficando com a população mais velha sem o número de crianças para garantir o futuro produtivo. Talvez sejamos mesmo no futuro o refúgio para coreanos, chineses, peruanos, bolivianos e árabes.

A cada dia confunde-se liberdade com libertinagem, inclusão social com direito a avacalhação de usos e costumes. Na cidade, o crescimento desordenado é feito por pessoas de todos os tipos e origens. Cria-se a ideia de que o território da cidade é ilimitado, é obrigado a receber a todos, tendo recursos, espaço, água para todos. Logo a cidade torna-se uma lugar humanamente saturado. As consequências estão nas ruas, com a população exigindo de tudo e para já sem ter a ideia de possibilidades. Há um quadro que se forma no suplício urbano que justifica a pintura de uma verdadeira Guernica viva, pintada no dia a dia em cores que se deterioram. Os cidadãos andam cabisbaixos pelas ruas, num silêncio esquisito, mas no interior de cada um, há um barulho insuportável, esperando o pretexto para agredir em sinal de protesto individual.

A República brasileira assemelha-se, por enquanto a uma república de estudantes eufóricos e inconsequentes e não a uma Nação. A cidade é sua célula mater e está exigindo um discernimento cada vez maior dos cidadãos além de muitos recursos para o pagamento de impostos, alimentação, saúde, segurança etc. É exigido um discernimento cada vez mais complexo para viver no cipoal dos enganos e truques da cidade. A província engole os provincianos e a República perde pessoas em acidentes, em problemas de saúde, em depressão e insatisfação.

Neste panorama vamos comemorar em 15/11 mais um aniversário da República. Ainda há muito para pensar e tomar providências. A insatisfação pessoal da população é visível, faz o indivíduo perder a visão positiva, há um negativismo planejado que impede a vontade de participar. O reflexo é na vida pessoal de cada um, mas no todo é ruim para a Nação e para a República. O Pode Público em seus três Poderes está atolado em uma burocracia sem igual, dispendiosa, demorada. Faltam médicos para cuidar dos erros da política alimentar, faltam engenheiros especialistas e de projeto, reflexo da cultura do aqui-agora, do tudo transitório, mas há um número excessivo de advogados que alimentam e preenchem a burocracia oficial em sua festa de meios como objetivo final. Burocracia que favorece o formalismo, facilita criar dificuldades para vender facilidades. Há gente de cargo garantido e salário assegurado no final do mês, que incrivelmente engendra redes de corrupção e lavagem de dinheiro em verdadeiras obras primas da malandragem para a traição da Pátria. Planeja assaltos aos cofres públicos. Só pode estar sendo movida por ganância ou uma incontida vontade de fazer dinheiro, já tendo suprido suas necessidades pessoais de acumular coisas e obter segurança material. Talvez gente acometida de megalomania. Talvez gente experta que, se bem utilizada, poderia criar grandes soluções para o país beneficiando a todos, mas não, essa gente prefere ser individualista, materialistas. Até parece que nessa casta há algum tipo de aposta como “ vamos ver quem consegue mais ?” . Um jogo contra o interesse público e o Tesouro.

De todos os modismos e ondas passageiras provocados por interesses de momento a imprensa se vê numa encruzilhada tendo que apelar para o sensacionalismo. Enquanto jornais e TV quase só mostram notícias ruins e de decadência, jornais financeiros só mostram empreendimentos, fusão de empresas, lucros enormes, sucesso, progresso e notícias positivas. Um paradoxo muito fácil de ser explicado. É que alguém está tirando proveito de tudo em detrimento de um povo trabalhador e sofrido. Falam em escravidão, que era uma sistema mundial, seus ranços e ressentimentos, mas ela hoje pegou a todos e não tem cor.

Não é nada agradável ver que o país está sendo construído materialmente aqui e ali com novas estradas, novos edifícios e novas fábricas, mas para serem ocupadas por pessoas com problemas graves de saúde mental e física, pessoas insatisfeitas e despreparadas, pessoas sem muita visão de futuro e sem crença na ideia positiva de progredir, famílias destrosadas pelo egoísmo, pela violência, pelas drogas etc. A infância e a juventude querem modelos para seguir. O que encontram hoje? Qual a natureza e o nível dos modelos existentes?

Será que, se não tomarmos providências para tratar das tendências atuais, teremos escolas a serem frequentadas por alunos revoltados, drogados, ligados no celular, blackbloqueiros? Será que construiremos estradas para exportar produção que passará por favelas rurais de pessoas expulsas das cidades? Será que o tráfico de drogas atingirá o status de Governo informal? Será que as faculdades de medicina e engenharia terão alunos inteligentes e interessados? De que adiantarão todas as construções, se o indivíduo nacional, mesmo que rico ou remediado, estiver vazio, pobre de espírito, talvez já aposentado sem saúde e dinheiro, os jovens sem bom destino e nem vontade de estudar, pessoas em depressão?

Continuaremos nessa enganação de nós mesmos, encolhidos em nossos umbigos, pensando que nada disso tem e trará consequências para nossas vidas e para a Nação? Será que já não estaríamos em outro patamar de progresso humano e material, não fossem os erros do presente e do passado? Não se pode culpar só o Poder Público sem esquecer a participação de cada pessoa nesta negligência geral. A Nação vive de seu lado espiritual e aproveita-se do lado material. Qual progrediu mais em todas essas décadas? Certamente a material.

É de se questionar ao final: qual o resultado desta República até agora? O que obtivemos em termos de Nação? Estamos satisfeitos? Cabe a cada um responder, de acordo com sua consciência e espírito crítico. Só sei que não é possível mais cada uma fazer a sua parte, quando não se sabe onde se está indo ou indo de modo temerário.

Mas no Atlântico Sul tudo pode ser mais devagar, temos tempo para o aprendizado, ainda no geral há um povo trabalhador, empreendedor , com vontade de acumular coisas e ter uma vida confortável. O preocupante são as tendências, mostradas aqui e ali em exceções. Mesmo assim, a diversidade da vida no país é enorme e no dia a dia pode ir nascendo soluções mais positivas.


Odilon Reinhardt

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Algo bem positivo


 
Não é difícil que com notícias diárias de fatos assustadores o cidadão deixe de ter uma perspectiva positiva para sua vida. O arquitetado bombardeio de más notícias colocam a exceção à frente da vida normal e determinam o humor de uma época. Entre o sensacionalismo e o fascismo os meios de comunicação acabam gerando nas pessoas de todas as idades e níveis econômicos um sentimento de derrota, de fracasso, de tudo- pedido, o que ajuda bastante a juventude a acreditar mesmo que não adianta se entregar a nada, já que tudo é passageiro e está contaminado. O sentimento de vira-lata cresce. O Brasil diminui.

A cultura do negativo não é por acaso. Começa com a exploração da infância e da adolescência. Jogos de computador de agressão e matanças. Mensagens subliminares de coisificação do ser humano. Desensibilização. Há visivelmente uma preferência pelo escuro, por símbolos do obscurantismo, caveiras e bodes, correntes e tatuagens com motivos sombrios. É algo plantado para que jovens sejam levados a acreditar em modelos negativos e sem bom futuro. Que modelos estão criando para as pessoas no pais? Qual a orientação e para que ela está sendo usada?Só para comércio e aproveitamento da fase da adolescência em que o jovem está com indagações existenciais? Uma estratégia maluca de saturação da maldade para que haja uma valorização e afinal prevalência da bondade?

A reação fica por conta de cada indivíduo. Desvencilhar-se de tal humor e clima é por vezes difícil. Exige dicernimento, educação. É certo que o meio faz o indivíduo. Entre as necessidades humanas há a de querer pertencer. Se o meio estabelece padrões negativos, fatalmente estabelece um padrão de comportamento e de sentimento que norteia a vida das pessoas. O nivelamento acaba sendo por baixo. Ninguém progride. As escolas tornam-se centros adversos, há evasão dos cursos técnicos e até do curso superior de Engenharia. O país começa a importar mão de obra .

Felizmente, há pessoas que conseguem romper com o programado e arquitetado plano para prender pessoas à mentalidade retrograda, negativa e pouco produtiva. Negam-se a seguir o modelo posto de favorecer interesses escusos de dominação e manipulação das mentes.

Assim, é de se ficar feliz com exemplos contrários ao modelo. É o exemplo dado por pessoas que estudam, que vão atrás de seus planos, que querem progresso e felicidade, sem medo de ter sucesso e alcançar conhecimento e um nível superior de sabedoria. Muitos são os exemplos, mesmo no mundo corporativo, que hoje desperta muito lentamente para a necessidade de desenvolvimento amplo da pessoa. Há sempre a polêmica do desentrosamento entre as reais necessidades do cargo e o desenvolvimento do empregado. Pessoas há que se destacam pela iniciativa própria de autodesenvolvimento e vão em frente. Miram o futuro. Preparam-se para colheita certa e segura.

Muitas vezes são anônimos e silenciosos esforços pessoais de heróis de suas próprias histórias. Eu poderia inumerar muitos casos que presenciei de pessoas que estudaram à noite, que procuraram um plus em suas vidas profissionais, renunciando ao conforto da família e do lar.

A empresa cresce com estas pessoas também e prepara-se para o futuro. A Sanepar interfere diretamente no meio ambiente. Seu desafio corporativo é inteligente e está coerente com o mundo e a proteção ambiental. Neste contexto, algumas pessoas estão buscando muito preparo para o futuro .

Recentemente nossa colega Loraine Bender deu passos firmes e bem sucedidos em suas atuações no estudo dentro do meio ambiente. Embora não tenha a função na empresa, é advogada e estudiosa do Direito Ambiental. Atualmente está fazendo mestrado em curso promovido pela Universidade de Stuttgart em Curitiba e deve assistir aulas do mestrado na Alemanha ainda em 2013 com outros colegas como Fernando Massardo, advogado hoje dedicado às questões judiciais e administrativas de meio ambiente, Priscila Alves, nome de destaque junto aos professores da Universidade de Stuttgart pela sua habilidade de composição de pesquisa e redação, para quem no meio ambiente ainda há um céu esperando por mais estrelas. Loraine, recentemente esteve expondo sua tese em Portugal onde recebeu diplomas e congratulações de juristas famosos como Canotilho e Ada Pellegrini Greenover. Loraine é exemplo a ser seguido por quem ainda está sendo afetado pelo negativismo desta época ou esperando que algo caia das nuvens.

É o esforço pessoal que faz a diferença, cria oportunidades e faz progredir, acabando com as barreiras da mediocridade e dos padrões limitadores da felicidade pessoal, entre eles o medo de se destacar , progredir e ter sucesso, o que é muito comum no Brasil.

Como Loraine Bender, já houve na Sanepar muitos exemplos de pessoas que romperam com a estagnação e o negativismo e fizeram acontecer seus objetivos. Do passado, não posso deixar de lembrar de colegas como Alfredo Richter e Savelli, engenheiros cientistas da Sanepar. Do presente Ari Haro com seus livros técnicos, Cleverson Vitório Andreoli e sua saga técnica sobre estudos para aproveitamento do lodo na agricultura com ganhos de produtividade para o Paraná, Cristiane Schwanka engenheira e advogada que é estudiosa do Direito, mestre e doutora sem exercer função de advogado na empresa, Josiane Becker com seu mestrado em Direito em São Paulo com a professora Lucia Vale Figueiredo entre outros mestres e atualmente está fazendo doutorado, Rosaldo Andrade com seu mestrado na PUC em Curitiba, Marcus Venício Cavassin com seu mestrado em Direito Empresarial e Gestão Ambiental, Cláudia Eliane Sartori com seu curso de Pedagogia na UFPr para realizar sonho antigo. Há tantos outros que agem positivamente, procurando seus sonhos e planos pessoais. São professores dando aula de várias naturezas diferentes, mas todos buscando qualificação melhor para autodesenvolvimento e melhor preparo para sua contribuição às tarefas da Sanepar.

Várias pessoas,no entanto, que estão momentaneamente privadas de levar em frente seus objetivos, mas o importante é que não os abandonem e quando puderem retornem ao caminho da ampliação dos conhecimentos. E isto não implica necessariamente mestrado ou doutorado, pois nem todas as pessoas possuem talento para serem professores, acadêmicos ou teóricos. Há outros modos de desenvolvimento pessoal e profissional de alto grau através de cursos paralelos que podem auxiliar a profissão, programas pessoais de estudo, mudança de área de atuação, cursos esparsos de pós -graduação ou até mesmo uma nova graduação etc. O importante é continuar até o limite de sua potencialçidade, talento e fazer o que gosta.

Há alternativas para aumentar o poder de análise, o poder crítico, e melhorar o desempenho pessoal. Isto amplia horizontes da mente e ajuda a sair do perigo de se expor à destruição que pode ser causada pelos condicionamentos, acomodações e bitolamentos da sucessão de dias da rotina profissional. É tudo altamente positivo.

Loraine Bender é aniversariante de 18/10 e mostra suas conquistas recentes no campo dos estudos em Portugal. Uma semana que marcou-lhe a vida e será determinante para seu caminho, tudo custeado com recursos de seu salário. Mostra seu esforço, sua determinação bem sucedida nos estudos de Direito Ambiental. Certamente ela será das pessoas que farão mais diferença e delas teremos boas notícias no futuro.

É esta a Sanepar positiva, de futuro, desvencilhada do negativismo do dia a dia nacional. É exemplo que nasce com algo de novos tempos, mostrando que apesar de todas as dificuldades, a solução é positiva, ir em frente, estudar, conhecer, saber, melhorar o Ser e evoluir. Há sempre uma boa sensação ao ver o mundo mudando para melhor.


Odilon Reinhardt.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Advogados podem receber antes de clientes em execução contra a Fazenda Pública

 
 
A 1ª seção do STJ negou provimento ao recurso interposto pelo INSS contra decisão do TRF da 4ª região, que autorizou o desmembramento da execução, permitindo que o crédito relativo aos honorários advocatícios fosse processado mediante RPV, enquanto o crédito principal sujeitou-se à sistemática do precatório.
Devido à grande quantidade de recursos sobre esse assunto, o ministro Castro Meira (aposentado em setembro), relator, submeteu o feito ao rito dos recursos repetitivos, previsto no artigo 543-C do CPC. Dessa forma, a posição do STJ em relação ao tema orienta a solução de casos idênticos e impede que sejam admitidos recursos contra esse entendimento.
Após o voto do ministro Castro Meira, proferido em agosto, no sentido de confirmar a tese do tribunal de origem, o ministro Benedito Gonçalves pediu vista e apresentou voto divergente, no que foi acompanhado pelos ministros Arnaldo Esteves, Sérgio Kukina e Eliana Calmon. A maioria, no entanto, acompanhou a posição do ministro Meira.
Estabeleceu-se, então, que os advogados podem receber os honorários sucumbenciais por meio da RPV, nos processos contra a Fazenda Pública, mesmo quando o crédito principal, referente ao valor da execução, seja pago ao seu cliente por precatório.
Para o advogado Fábio de Possídio Egashira, do escritório Trigueiro Fontes Advogados, "Além de reforçar o caráter de independência e alimentar dos honorários sucumbenciais, a decisão deixou claro que não há impedimento constitucional ou infraconstitucional para que tais honorários, quando não excederem o valor limite, possam ser executados mediante requisição de pequeno valor, ainda que o crédito principal siga o regime dos precatórios".
 
Legislação aplicável
 
Ao interpor recurso, o INSS alegou que os arts. 17, parágrafo 3º, da lei 10.259/01 e 128, parágrafo 1º, da lei 8.213/91, legislação infraconstitucional aplicável à matéria, indicam que o valor executado contra a Fazenda Pública deve ser pago de forma integral e pelo mesmo rito, conforme o valor da execução.
Como a RPV e o precatório judicial possuem prazos diversos de pagamento, esse fato, segundo o INSS, beneficia o advogado, que irá satisfazer seu crédito muito antes do próprio cliente, que receberá o crédito principal por precatório.
A autarquia argumentou ainda que os honorários configuram verba acessória e, assim, devem seguir a "sorte da verba principal", nos termos do artigo 92 do CC.
 
Natureza dos honorários
 
Segundo Castro Meira, os honorários advocatícios de qualquer espécie pertencem ao advogado, e "o contrato, a decisão e a sentença que os estabelecem são títulos executivos, que podem ser executados autonomamente".
De acordo com o relator, sendo o advogado titular da verba de sucumbência, ele assume também a posição de credor da parte vencida, independentemente de haver crédito a ser recebido pelo seu constituinte, o que ocorre, por exemplo, nas ações declaratórias ou nos casos em que o processo é extinto sem resolução de mérito.
O ministro explicou que os honorários são considerados créditos acessórios porque não são o bem imediatamente perseguido em juízo, e "não porque dependem, necessariamente, de um crédito dito principal". Dessa forma, para ele, é errado afirmar que a natureza acessória dos honorários impede a adoção de procedimento distinto do utilizado para o crédito principal.
Conforme o exposto no art. 100, parágrafo 8º, da CF, Castro Meira acredita que o dispositivo não proíbe, "sequer implicitamente", que a execução dos honorários se faça sob regime diferente daquele utilizado para o crédito "principal”.
Para ele, a norma tem por propósito evitar que o credor utilize "de maneira simultânea – mediante fracionamento ou repartição do valor executado – de dois sistemas de satisfação do crédito: requisição de pequeno valor e precatório".
Acrescentou que o fracionamento proibido pela norma constitucional faz referência à titularidade do crédito. Por isso, um mesmo credor não pode ter seu crédito satisfeito por RPV e precatório, simultaneamente. Para o ministro, "nada impede, todavia, que dois ou mais credores, incluídos no polo ativo de uma mesma execução, possam receber seus créditos por sistemas distintos (RPV ou precatório), de acordo com o valor que couber a cada qual".
O melhor entendimento sobre o assunto, segundo a seção, é que não há impedimento constitucional, ou mesmo legal, para que os honorários advocatícios, quando não excederem o valor limite, possam ser executados mediante RPV, mesmo que o crédito tido como principal siga o regime dos precatórios.